Carlos Adão, nome artístico de Carlos Alberto Adão (São Paulo, 18 de outubro de 1954 – Taboão da Serra, 8 de agosto de 2026) foi um artista urbano e economista brasileiro, conhecido por reproduzir seu próprio nome em muros e paredes por diversas cidades do país, sobretudo na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo o próprio artista, sua assinatura foi registrada mais de cem mil vezes pelo país.

Embora frequentemente associado à pichação e ao grafite, Adão rejeitava as duas classificações, descrevendo sua intervenção como a criação de uma marca pessoal. Em entrevista ao jornal Estadão, afirmou que o "Carlos Adão" que escrevia pelos muros não era ele mesmo, mas uma marca.

Biografia Nascido em 18 de outubro de 1954 no bairro do Butantã, em São Paulo, Carlos Adão formou-se em economia pela FECAP e atuou em diferentes áreas ao longo da vida, incluindo os setores bancário e imobiliário.

Começou a espalhar seu nome pelos muros por volta de 1992, muitas vezes acompanhado de frases como "Carlos Adão é amor". Em 2006, candidatou-se a deputado federal pelo PCdoB.

Sua trajetória foi retratada no documentário Os 3 Atos de Carlos Adão (2018), dirigido por Diego Navarro e Francisco Franco.

Atuação urbana e estilo Carlos Adão iniciou suas intervenções no espaço público por volta de 1992. Sua assinatura padronizada — frequentemente grafada em letras verdes sobre um fundo preto, ou apenas em tinta preta — foi reproduzida exaustivamente em muros, viadutos, tapumes e passarelas, calculando-se que ele tenha deixado mais de 100 mil registros físicos pelo Brasil, com concentração massiva na Região Metropolitana de São Paulo.

Apesar de utilizar o espaço urbano de forma ilegal, Adão rejeitava categoricamente os rótulos de pichador ou grafiteiro. Ele definia sua atuação como uma tática de "marketing de guerrilha" e a construção de uma "marca". Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 2010, explicou o raciocínio por trás da repetição frenética:

Ocasionalmente, sua assinatura padrão era acompanhada de variações e mensagens curtas, como "Carlos Adão é amor" e "Carlos Adão é penetrante". Segundo o artista visual e ativista Mundano, em depoimento à Folha de S.Paulo, a obra de Adão era singular: "Apesar de tomar o espaço urbano de forma ilegal e buscar 'ibope', ambas características relacionadas à pichação e ao grafite, a intervenção dele não se enquadra em nenhuma delas".

Repercussão e legado A onipresença do nome "Carlos Adão" transformou o artista em uma das maiores lendas urbanas da capital paulista. O reconhecimento institucional de sua trajetória ocorreu em 2010, quando ganhou sua primeira exposição individual, intitulada Carlos Adão É Arte, realizada no espaço Kabul (no bairro da Consolação), com curadoria do grafiteiro Mundano.

Em 2018, a vida e a estética de suas intervenções foram documentadas no cinema através do longa-metragem independente Os 3 Atos de Carlos Adão, dirigido pelos cineastas Diego Navarro e Francisco Franco. O documentário explora não apenas a disseminação de sua marca, mas também a inicial rejeição que Adão sofria por parte dos pichadores tradicionais por não seguir as regras estéticas e territoriais do "movimento" em São Paulo.

Morte Carlos Adão morreu aos 71 anos em 8 de agosto de 2026, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio. Chegou a ser socorrido em uma UPA de Taboão da Serra, mas não resistiu. A morte foi confirmada pelo vereador Carlinhos do Leme, presidente da Câmara Municipal de Taboão da Serra, cidade onde o artista viveu seus últimos anos.

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