Caice ibne Maquexu (; ), também conhecido pelas cúnias Abu Haçane e Abu Xadade, foi um chefe tribal, guerreiro e poeta árabe do que participou das primeiras conquistas muçulmanas. Era um notável dos bajilaítas, mas também recebeu a nisba Almuradi por sua condição de halife dos muraditas, ramo dos madijitas. Caice aparece inicialmente nas tradições relativas à difusão do Islã no Iêmem. Embora inicialmente tenha recusado aproximar-se de Maomé, é possível que tenha integrado uma das delegações bajilaítas que aceitaram o Islã em 10 A.H. (631). Nos últimos meses da vida de Maomé, participou da conspiração que resultou na morte do rebelde Alaçuade Alanci. Após a ascensão de Abu Becre, contudo, rebelou-se contra a autoridade do califado em razão da nomeação de para o governo de Saná. Derrotado, submeteu-se novamente e, após comparecer diante do califa, foi incorporado aos exércitos das conquistas islâmicas. Caice combateu o Império Bizantino na Batalha de Jarmuque, onde perdeu um olho, e posteriormente participou das grandes campanhas contra o Império Sassânida, incluindo as batalhas de Cadésia e Niavende. Segundo uma tradição aceita pela TDV, permaneceu partidário de Ali durante a Primeira Fitna e morreu em 37 A.H. (657), combatendo como chefe e porta-estandarte dos bajilaítas na Batalha de Sifim. Essa identificação é contestada por Giorgio Levi Della Vida, segundo o qual o homem morto em Sifim seria outro Caice, homônimo, e a atribuição de sua morte a Caice ibne Maquexu resultaria de uma confusão nas tradições posteriores.

Vida

Caice era filho de um homem conhecido pelo epíteto Maquexu, cujo significado é "aquele cujo peito foi cauterizado". As fontes divergem quanto ao verdadeiro nome de seu pai, registrando-o como Hubaira ibne Hilal ou Abede Iagute ibne Hubaira ibne Hilal. Caice era sobrinho materno do célebre guerreiro Anre ibne Madicaribe e figurava entre os principais membros dos bajilaítas. Por sua origem tribal, recebia a nisba Albajali, enquanto também era conhecido como Almuradi em razão de sua condição de dos muraditas, um dos ramos dos madijitas. Suas cúnias eram Abu Haçane e Abu Xadade. Há relatos segundo os quais Caice teria encontrado e visto Maomé pessoalmente. Quando o chamado de Maomé ao Islã chegou ao Iêmem, Anre ibne Madicaribe teria pedido a Caice, então um dos notáveis de seu povo, que os conduzisse a um encontro com Maomé. Caice recusou energicamente a proposta, levando Anre a dirigir-se pessoalmente a Maomé e converter-se; após seu retorno, os dois teriam discutido por causa da decisão. A conversão de Caice não pode ser datada com segurança. Em 10 A.H. (631), uma delegação de 150 bajilaítas liderada por chegou a Medina e aceitou o Islã, seguida, no mesmo ano, por outros 250 integrantes dos , ramo dos bajilaítas. Como as fontes não preservaram os nomes de todos os integrantes dessas delegações, é possível que Caice estivesse entre eles.

Nos últimos meses da vida de Maomé, Caice esteve envolvido nos acontecimentos provocados pela revolta de Alaçuade Alanci, que havia se proclamado profeta no Iêmem. Maomé enviou ordens aos governadores e notáveis da região para que Alaçuade fosse morto, e Caice é mencionado juntamente com e entre os responsáveis por sua morte. Após a ascensão de Abu Becre ao califado, Caice mostrou-se descontente com a nomeação de Firuz Adailami para o governo de Saná e apostatou, reunindo em torno de si antigos partidários de Alaçuade. Caice matou Dadauai, mas foi derrotado por Firuz numa batalha travada nas proximidades de Saná. Depois da derrota, pediu garantia de segurança e voltou a professar o Islã. Almuajir ibne Abi Omaia, enviado por Abu Becre para reprimir os movimentos de apostasia no Iêmem, remeteu Caice à presença do califa. Abu Becre pretendeu puni-lo pela morte de Dadauai, mas Caice negou qualquer participação no assassinato e escapou da punição, recebendo permissão para retornar à sua tribo. Posteriormente, foi enviado para participar da conquista muçulmana da Síria.

Caice destacou-se nas primeiras conquistas muçulmanas. Durante a Batalha de Jarmuque contra o Império Bizantino, perdeu um dos olhos. Posteriormente combateu os sassânidas nas batalhas de Cadésia e Niavende, figurando nesta última entre os companheiros próximos do comandante muçulmano Anumane ibne Mucarrine. Sua reputação como guerreiro e estrategista valeu-lhe o epíteto de "cavaleiro de Madije". Caice é também mencionado entre os poetas bajilaítas. Segundo uma tradição, Caice participou da Batalha de Sifim, em 37 A.H. (657), no exército do califa Ali , na condição de chefe dos bajilaítas e porta-estandarte de sua tribo. Antes da batalha, teria sugerido que os bajilaítas escolhessem um chefe mais competente, mas seus homens insistiram em mantê-lo à frente da tribo. Caice teria então combatido até a morte, chegando durante o confronto às proximidades de . Essa identificação, contudo, não é consensual. Giorgio Levi Della Vida considera que a tradição sobre a morte de Caice ibne Maquexu em Sifim resulta da confusão com outro homem homônimo dos bajilaítas, observando que Ibne Alcalbi, Atabari e Ibne Hajar de Ascalão distinguem os dois personagens.

Bibliografia

Categoria:Poetas árabes do século VII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Bajilaítas