Luiz D'Artagnan de Almeida (Monte Mor, 21 de dezembro de 1941 – Campinas, 2 de janeiro de 2026) foi um engenheiro agrônomo, pesquisador e professor universitário brasileiro. Por 35 anos, trabalhou no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), onde se especializou em pesquisas sobre o feijão-comum (Phaseolus vulgaris), produção de sementes, melhoramento genético de leguminosas e tecnologia agrícola.
É reconhecido como um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento, validação agronômica e difusão do feijão-carioca, lançado oficialmente em 1969 e que se tornou a variedade de feijão mais consumida do Brasil. A adoção em larga escala dessa cultivar modificou profundamente a produção nacional de feijão, tornando-a base para inúmeros programas de melhoramento genético conduzidos por instituições públicas e privadas nas décadas seguintes.
Ao longo da carreira, publicou dezenas de trabalhos científicos, exerceu cargos de direção no Instituto Agronômico de Campinas e participou da formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da agricultura paulista. Seu trabalho é considerado um dos casos mais bem-sucedidos da pesquisa agropecuária brasileira aplicada à segurança alimentar, sendo frequentemente lembrado como o pesquisador que ajudou a transformar o feijão Carioca na principal variedade consumida pela população brasileira.
Biografia Luiz nasceu em Monte Mor, no interior paulista, em 1941. Era o mais velho de três filhos de Inácio de Almeida (o Bigode) e Maximiliana Hadad de Almeida (Dona Zita). A família, na época, morava em uma casa na Rua Vinte e Cinco de Março, hoje Rage Maluf, e seu pai era conhecido na vizinhança por ser dono de um bar, famoso pela bisteca servida.
No colégio, destacou-se como jogador no “Time do Ginásio”, no “Juvenil do Dilico” e no “E. C. Monte Mor”. O antigo curso primário foi feito no Grupo Escolar Cel. Domingos Ferreira, o ginásio na escola Elias Massud e o científico na escola Padre Fabiano de Capivari. Nessa época, decidiu cursar agronomia pela Escola Nacional de Agronomia do Rio de Janeiro (que deu origem ao atual Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ), graduando-se em 1966.
Logo após concluir a graduação, em 1967, ingressou como pesquisador no Instituto Agronômico de Campinas, uma das mais antigas e importantes instituições brasileiras dedicadas à pesquisa agrícola. Sua contratação ocorreu em um período de grande expansão dos programas nacionais de melhoramento vegetal, quando o Brasil buscava aumentar a produtividade das principais culturas alimentares por meio da pesquisa científica.
Em seus primeiros anos de atuação, integrou a Seção de Leguminosas do Instituto Agronômico, passando a desenvolver pesquisas voltadas principalmente ao feijoeiro-comum. Seus estudos concentravam-se na avaliação de novas cultivares, tecnologia de sementes, manejo agronômico, produtividade, adaptação regional e resistência a doenças.
Em 1973, concluiu o doutorado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP) com a tese Danificações mecânicas em sementes de feijão, sob a orientação de Jairo Teixeira Mendes Abrahão que também pesquisava danos mecânicos em sementes de feijão.
O feijão Carioca A principal contribuição científica de Luiz D'Artagnan de Almeida foi sua participação decisiva no desenvolvimento da cultivar de feijão Carioca. Em 1966, o engenheiro agrônomo Valdimir Coronado, em uma fazenda no interior de São Paulo, descobriu um feijão diferente em meio à sua cultura de feijão mulatinho e a encaminou para o Instituto Agronômico. O material foi catalogado como I-38700 e submetido à avaliação da equipe da Seção de Leguminosas.
Sob a coordenação de Almeida, foram realizados ensaios agronômicos em diferentes regiões do estado de São Paulo, avaliações culinárias, multiplicação de sementes e demonstrações técnicas destinadas aos produtores rurais. O novo material apresentava produtividade superior às variedades então cultivadas, maior resistência a doenças e boa aceitação culinária.
A cultivar foi oficialmente lançada em 1969 e incorporada ao programa estadual de produção de sementes. Nas décadas seguintes, tornou-se a variedade predominante no Brasil, respondendo por cerca de dois terços do consumo nacional de feijão-comum. Segundo pesquisadores do próprio Instituto Agronômico, o lançamento do feijão Carioca representou um divisor de águas para a cultura do feijão no Brasil, servindo de base para programas posteriores de melhoramento genético e contribuindo para o aumento da produtividade nacional.
O nome dado ao novo cultivo era devido à aparência dos grãos. Quando este tipo foi identificado no interior de São Paulo, alguém comparou os grãos claros com o padrão rajado da pelagem de porcos criados na mesma fazenda, que eram conhecidos na época como “porcos cariocas”.
Produção científica Além do trabalho com o feijão Carioca, Luiz publicou diversos estudos sobre produção de sementes, melhoramento genético, manejo de leguminosas, armazenamento de sementes, tecnologia de produção e sistemas de cultivo consorciado. Foi autor ou coautor de dezenas de artigos científicos publicados principalmente na revista Bragantia, uma das principais publicações científicas do Instituto Agronômico.
Vida pessoal Luiz era casado com Florans Jalbut (Flora) e teve um casal de filhos, Cíntia e Paulo Henrique.
Morte Luiz D’Artagnan de Almeida morreu em 2 de janeiro de 2026, aos 84 anos, em Campinas. Ele foi sepultado no Cemitério Municipal de Monte Mor.
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