O Arboreto Folly é uma coleção botânica privada localizada em Badacsonyörs, uma localização pertencente à cidade de Badacsonytomaj, na margem norte do Lago Balaton, na Hungria. Com uma área de aproximadamente cinco hectares, o arboreto é dedicado principalmente a espécies arbóreas perenifólias resistentes à seca, especialmente pinheiros, ciprestes e cedros. Desde 1997, o local faz parte de uma área submetida a proteção rigorosa dentro do Parque Nacional Balaton-felvidék.
Geografia
direita|miniaturadaimagem|Vista da coleção de coníferas O arboreto ocupa uma área total de aproximadamente 5 hectares, compreendendo 3,6 hectares de jardim botânico paisagístico e 1,6 hectares de floresta nativa de carvalhos diretamente associada ao jardim. A altitude varia entre 159 e 235 metros acima do nível do mar.
A geologia local é caracterizada por rochas de arenito vermelho do Permiano e conglomerados, cobertos por loesse e solos florestais. O microclima particular do local é especialmente favorável às plantas mediterrâneas. A ampla superfície do lago Balaton reflete a radiação solar e atenua as variações extremas de temperatura.
Além disso, as colinas ao redor formam uma configuração em forma de ferradura em torno do jardim, protegendo-o dos ventos frios provenientes do norte e do leste, enquanto as encostas voltadas para o sul se beneficiam da máxima insolação e captam a umidade proveniente do lago.
História
O arboreto foi fundado em 1905 pelo doutor Gyula Mátyás Folly (1867–1915), médico natural de Pécs, que foi, entre outras atividades, médico da família Zsolnay. Ele começou a plantar espécies arbóreas exóticas em uma área de 0,4 hectare, substituindo parte da floresta nativa de carvalhos.
Seu objetivo científico era estudar a adaptação de espécies vegetais originárias das regiões mediterrâneas ao microclima do lago Balaton. Devido ao terreno rochoso, as covas para o plantio eram escavadas manualmente, e a água era transportada morro acima em recipientes de madeira carregados no lombo de burros.
Após a morte prematura do fundador e as dificuldades econômicas relacionadas à Primeira Guerra Mundial, o desenvolvimento do jardim foi interrompido. Em 1950, grande parte da propriedade da família foi nacionalizada pelo Estado húngaro e transferida para a fazenda estatal de Badacsony.
No entanto, o filho do fundador, o economista Gyula Folly (1911–1979), retomou em 1953 o plantio de espécies exóticas. Entre suas principais intervenções, estão o plantio de um grupo de cedros-do-atlas em 1964 e de ciprestes-comuns em 1970.
thumb|right|Torre de observação de madeira construída em 2014
A terceira geração, o engenheiro agrônomo Gyula Folly (1943–2011), continuou a expansão do arboreto incorporando antigos terrenos vitícolas. Em 1977, fundou um viveiro para financiar a manutenção do jardim.
Em 1981, realizou uma viagem botânica pela Europa Ocidental, da qual trouxe aproximadamente 100 novos táxons vegetais com o objetivo de diversificar a coleção. Em meados da década de 1980, a área foi cercada para protegê-la dos danos causados pela fauna local.
Após a mudança do regime político na Hungria, em 1989, a família Folly recomprou os terrenos nacionalizados, recuperando assim a posse de toda a propriedade.
Atualmente, o arboreto é administrado pela quarta geração da família, a doutora Réka Folly e Péter Werner. O jardim também abriga diversas obras de arte e esculturas ao ar livre, entre elas trabalhos de Gábor Mihály, Jenő Körmendi-Frim e Balázs Hugyecsek.
Em 2014, no ponto mais elevado do jardim, foi construída uma torre de observação de madeira com 5 metros de altura, em forma de cone de conífera, projetada pelo arquiteto Gábor Kruppa.
Infraestrutura e viticultura Além da coleção botânica, a propriedade inclui um viveiro, um restaurante, uma unidade de produção de xaropes e uma vinícola.
O viveiro é especializado no cultivo de plantas jovens obtidas a partir de sementes extraídas dos cones e frutos das plantas raras do arboreto. A unidade produz 14 tipos de xaropes vegetais, entre eles um xarope de brotos de pinheiro, especialidade da propriedade.
Em 2017, o arboreto recebeu o prêmio húngaro de «Atração ecoturística do ano», na categoria de trilhas educativas de natureza.
A viticultura da propriedade dá continuidade às tradições agrícolas da histórica região vinícola de Badacsony. A adega, reconstruída em 1878 por Pál Csigó, antigo magistrado e deputado, continua sendo utilizada atualmente.
A vinícola cultiva 12 hectares de vinhedos e produz aproximadamente 70 000 garrafas por ano. A produção é voltada principalmente para os vinhos brancos característicos da região, entre eles o Pinot gris (Szürkebarát), o Moscatel Ottonel, o Olaszrizling, o Kéknyelű e o Riesling.
Botânica
Coleção botânica
thumb|right A coleção botânica constitui uma base didática para o estudo da taxonomia e para observações fenológicas. Ela compreende 604 táxons lenhosos, incluindo espécies, subespécies e variedades, dos quais 324 são angiospermas e 281 são táxons de gimnospermas.
A coleção de coníferas é particularmente desenvolvida e compreende 39 espécies de pinheiros (Pinus), 23 espécies de zimbros (Juniperus), 22 espécies de abetos (Abies) e 10 espécies de píceas (Picea).
Historicamente, o local desempenhou um papel importante na introdução e disseminação, na Hungria, de espécies pertencentes aos gêneros dos cedros (Cedrus) e dos ciprestes (Cupressus).
Espécies notáveis
thumb|right|Cone de Pinus coulteri A coleção inclui várias espécies arbóreas raras ou de interesse especial, entre elas:
Cedrus brevifolia (cedro-do-Chipre) Sequoiadendron giganteum (sequoia-gigante) Sequoia sempervirens (sequoia-costeira) Calocedrus decurrens (cedro-do-incenso-da-Califórnia) Pinus coulteri (pinheiro-de-Coulter) Pinus leucodermis (pinheiro-bósnio) Juniperus drupacea (zimbro-sírio)
Ligações externas
International Dendrological Foundation – Folly Arboretum
Categoria:Arboretos Categoria:Atrações turísticas da Hungria