Alalá ibne Abedalá ibne Imade Alhadrami () foi um companheiro de Maomé, comandante militar e governador muçulmano do Barém durante os primeiros anos do Califado Ortodoxo. Pertencente à tribo sul-arábica dos , nasceu em Meca, onde sua família havia se estabelecido após migrar de Hadramaute, e era cliente (maula) ou confederado dos Banu Omaia, dos coraixitas. Converteu-se ao islã antes da Conquista de Meca em 630 e, segundo a tradição islâmica, atuou ocasionalmente como escriba de Maomé. Foi enviado pelo profeta à Arábia Oriental para promover o islã e exercer funções fiscais, sendo associado à conversão do governante local Almondir ibne Sauá e posteriormente ao governo do Barém. As fontes divergem, contudo, sobre a cronologia de sua primeira missão e sobre se permaneceu governador até a morte de Maomé ou se foi substituído por Abane ibne Saíde.
Durante as Guerras da Apostasia, Abu Becre enviou Alalá novamente ao Barém, onde derrotou os rebeldes apoiado sobretudo pelos abuceus, restabeleceu a autoridade do califado e estendeu suas operações contra posições do Império Sassânida. Sua carreira sob o califa Omar foi marcada por expedições marítimas contra territórios sassânidas, apesar da oposição do califa a campanhas navais. Reconduzido ao governo do Barém em 637, empreendeu no ano seguinte uma expedição contra Pérsis sem autorização, cujo desfecho levou à sua destituição e transferência para a frente de guerra no Iraque. As fontes divergem sobre a data e as circunstâncias de sua morte, situando-a em 635–636 ou 641–642. Alalá também é lembrado como transmissor de hádices atribuídos a Maomé, quatro dos quais foram preservados nos Seis Livros.
Vida
thumb|Fac-símile de uma carta enviada pelo profeta islâmico Maomé a Almondir ibne Sauá, governante do Barém, em 628 thumb|Mapa do Barém, de Iamama e de Omã nos séculos IX–X
Alalá pertencia à tribo sul-arábica dos . Seu nome completo era Alalá ibne Abedalá ibne Imade Alhadrami. Seu pai, Abedalá, era originário de Hadramaute e estabeleceu-se em Meca, onde Alalá nasceu. Era cliente (maula) ou confederado do rico clã dos Banu Omaia, da tribo dos coraixitas, em Meca. Alalá esteve entre os primeiros convertidos ao islã, antes da Conquista de Meca por Maomé e da conversão em massa dos coraixitas em 630. Sabia ler e escrever e, segundo a tradição registrada pela Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi, atuou ocasionalmente como escriba de Maomé. As fontes divergem quanto à cronologia e à extensão da primeira missão de Alalá na Arábia Oriental. Segundo Önkal, Maomé o enviou ao Barém e a Omã em 630, encarregando-o de difundir o islã e arrecadar zacate, sadaca e jizia. Shoufani, por sua vez, situa seu envio ao Barém no final de 631 ou início de 632 e destaca sua função de recolher a tributação dos habitantes da região. Alalá entregou uma carta de Maomé ao governante do Barém, Almondir ibne Sauá, convidando-o a abandonar o zoroastrismo e aceitar o islã. Segundo o relato reproduzido por Önkal, Almondir teria manifestado admiração pelo modo como a nova religião conciliava os assuntos terrenos com a vida após a morte, manteve posteriormente correspondência com Maomé e acabou por se converter. Em razão do êxito de Alalá na região, Maomé o teria nomeado governador do Barém.
As fontes também divergem sobre a duração desse primeiro governo. Algumas afirmam que Alalá permaneceu no cargo durante todo o restante da vida de Maomé, enquanto outras registram sua substituição por Abane ibne Saíde, dos Banu Omaia. Shoufani considera possível que a responsabilidade de Alalá estivesse limitada à parte do Barém em torno de Catife, enquanto a porção em torno de estaria sob a responsabilidade de Abane, ou, alternativamente, que Alalá tenha sido inteiramente substituído por ele antes da morte de Maomé, em 632. Após a morte de Maomé, membros do grupo tribal dos rebiaítas rebelaram-se contra Almondir e obrigaram os agentes responsáveis pela arrecadação no Barém, presumivelmente Alalá e/ou Abane, a fugir, enquanto Almondir morreu pouco depois. O primeiro califa — sucessor de Maomé na liderança da comunidade muçulmana —, Abu Becre , enviou Alalá para reforçar os partidários de Almondir e reprimir a revolta, reconduzindo-o, segundo Önkal, ao governo do Barém durante as Guerras da Apostasia. Os rebeldes eram liderados por um descendente dos lácmidas, antigos reis clientes do Império Sassânida. Alalá recebeu o apoio sobretudo dos membros dos abuceus, comandados por seu chefe , e derrotou os rebeldes em , no oásis de Alhaça, no Barém, depois de resistir a um prolongado cerco imposto pelos revoltosos. As forças árabes prosseguiram e conquistaram , ilha situada ao largo da costa de Catife. Depois de restabelecer a segurança na região, Alalá iniciou operações de conquista em territórios controlados pelos sassânidas. Suas operações contra os assentamentos do Barém continuaram até o final de 634, já durante o reinado do sucessor de Abu Becre, Omar .
Sob Omar, Alalá conquistou os postos avançados sassânidas situados ao longo da costa do Barém e lançou uma expedição naval comandada por , um de seus tenentes, que conquistou uma ilha não identificada ao largo da costa iraniana. As forças árabes retiraram-se posteriormente da ilha, possivelmente devido à desaprovação de Omar, que se opunha à realização de campanhas navais. Em 636 ou 637, Omar substituiu Alalá por . Segundo o historiador Baloch, a destituição teria resultado de dois fatores: a relutância de Omar em manter no governo alguém que havia sido afastado pelo próprio Maomé e o pedido de Otomão para assumir o cargo. Alalá, contudo, foi reconduzido ao governo do Barém em 637, depois que Omar chamou Otomão de volta ao seu antigo posto em Taife, possivelmente devido ao descontentamento do califa com as expedições navais conduzidas por Otomão contra portos indianos, consideradas por ele um risco desnecessário à segurança dos soldados. A jurisdição de Alalá passou a abranger também a região de Iamama, adjacente ao Barém a oeste. Contrariando as ordens recebidas, Alalá lançou uma expedição naval contra os sassânidas em Pérsis. Embora o ataque tenha sido inicialmente bem-sucedido, a expedição terminou de forma desastrosa para os árabes, cujas embarcações naufragaram, tornando necessário o resgate de Alalá. Önkal igualmente data essa campanha de 638 e relata que Omar precisou enviar reforços para impedir a destruição das forças muçulmanas.
Ao receber notícias da situação no Golfo Pérsico, Omar condenou a iniciativa e, em 638, destituiu Alalá do governo do Barém e de Iamama. Ao mesmo tempo, transferiu-o para a frente sassânida no Iraque, onde foi colocado sob o comando de seu rival Sade ibne Abi Uacas. A TDV apresenta uma versão diferente da sucessão no governo, segundo a qual Omar destituiu Alalá por ter empreendido a campanha sem sua autorização e nomeou Abu Huraira governador do Barém em seu lugar. A punição imposta a Alalá por contrariar a proibição de Omar às expedições navais provavelmente contribuiu para que governadores de outras províncias do Califado, sobretudo Moáuia ibne Abi Sufiane na Síria, se abstivessem de empreender operações marítimas durante o reinado de Omar, apesar de suas próprias ambições nesse sentido. As primeiras fontes islâmicas divergem quanto à data e às circunstâncias da morte de Alalá. Algumas situam-na no ano 14 A.H. (635 ou 636) e outras no ano 21 A.H. (641 ou 642). Segundo uma tradição, morreu enquanto se dirigia a Baçorá, para cujo governo havia sido nomeado por Omar. A data de 14 A.H. é incompatível com os demais registros conhecidos da carreira de Alalá, enquanto a de 21 A.H. foi considerada por Blankinship como a data "menos provável" para sua morte. Önkal registra outra versão, segundo a qual Alalá morreu no caminho para Cufa, quando retornava depois de cumprir a peregrinação do haje. Além de sua atuação política e militar, Alalá figura na tradição islâmica como transmissor de hádices. Quatro relatos que teria transmitido de Maomé foram incorporados aos Seis Livros, as principais coleções canônicas de hádices do islamismo sunita. As fontes também lhe atribuem a reputação de companheiro cujas preces eram atendidas e preservam relatos de caráter miraculoso associados à eficácia de suas súplicas.
Bibliografia
Categoria:Governadores do Barém do Califado Ortodoxo Categoria:Escribas da revelação Categoria:Árabes do século VII Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras da Apostasia