Filmes portugueses perdidos são obras cinematográficas portuguesas das quais não é atualmente conhecida qualquer cópia física ou digital preservada. É de salientar que este termo descreve o estado atual do conhecimento sobre a sobrevivência de uma determinada obra e que a descoberta de uma cópia ou fragmento anteriormente desconhecido pode alterar essa classificação. A maioria das obras portuguesas das quais não sobra qualquer cópia centra-se principalmente nas primeiras décadas do século XX. Uma possível explicação é o facto das bobines terem sido vendidas durante a Segunda Guerra Mundial de modo a que se pudesse extrair a prata existente na emulsão da película. A inexistência de cópias preservadas faz com que muita dessa produção seja hoje conhecida apenas através de documentação escrita, fotografias, cartazes, programas de cinema, críticas da época ou referências em catálogos, como é o caso da curta-metragem O Rapto de uma Actriz estreada a 3 de Setembro de 1907, no Teatro Príncipe Real.

Lista de filmes portugueses perdidos +AnoFilmeRealizadorTipo de filmeNotas1907O Rapto de uma ActrizLino FerreiraCurta-metragemConsiderado o primeiro filme de ficção nacional, era apresentado no final do primeiro ato da revista Ó da Guarda! Segundo um programa belga de 4 a 10 de setembro de 1931, o filme teria uma metragem de 660 metros e a sua produção exigira apenas cinco horas de trabalho. Nos números 16 e 17 da revista Movimento é afirmado que a filmagem foi feita por João Correia1910Chantecler AtraiçoadoJúlio CostaCurta-metragemJoão José Filme inspirado no drama Juan José, de Joaquín DicentaO Casamento do Zé GordoRainha Depois de MortaCarlos SantosCurta-metragemCom metragem de 400 metros foi também denominado D. Inês de Castro1916O Quim e o ManecasErnesto de AlbuquerqueCurta-metragemObra com 10 a 15 minutos que pretendia ser o "primeiro filme cómico português"1919O Comissário de PolíciaGeorges PalluLonga-metragemObra com metragem estimada de 1600 metros. Adaptação para cinema da peça de teatro homónima de Gervásio Lobato pela Invicta Film, é descrita no jornal brasileiro O Imparcial (com a grafia O Commissário de Polícia) como hilariante comédia em 7 atos que seria exibida em exclusivo no cinema Central (Rio de Janeiro) e distribuída pela empresa cinematográfica Pinfildi Classificado como inofensivo pelo suplemento A Tela do jornal brasileiro A União Estreias: 27 de novembro de 1919 no Porto; 2 de fevereiro de 1920 em Lisboa e a 19 de janeiro de 1921 no Rio de JaneiroO Mais ForteGeorges PalluLonga-metragemObra dividida em três partes com uma metragem total de 1800 metrosNascimento, MúsicoNascimento FernandesCurta-metragemFoi exibido no Éden-Theatro a 3 de junho de 1919. Terá sido exibido no Brasil através da empresa Serrador1920O Amor FatalGeorges PalluLonga-metragemFilme com quatro partes com 2000 metros Romão Gonçalves, Boxeur e AtletaErnesto de AlbuquerqueCurta-metragemEstreou no Salão CentralRomão, Chauffeur e MártirErnesto de AlbuquerqueCurta-metragem1921A Velha GaiteiraErnesto de AlbuquerqueComédia produzida pela Studio-Films que estreou no Chiado Terrasse, em Lisboa, a 27 de junho de 1921O CondenadoMário Huguin Afonso GaioLonga-metragemFilme dividido em 9 partes, produzido pela Luso-Film e baseado na peça homónima de Afonso Gaio. Teve participação de Almada Negreiros no papel de D. António de Souto. Parece existir um pedaço de película no Museu de Torres NovasQuando o Amor FalaGeorges PalluCurta-metragemComédia em duas partes com 800 metros. Estreou a 3 de fevereiro de 1921. O jornal brasileiro O Imparcial dá conta de exibições do filme no cinema Central, no Cine Paris e posteriormente no América. Em 5 de outubro seria apresentado como complemento do filme «O Chicote do Amor» novamente no cinema Central1923A Sereia de PedraRoger LionLonga-metragemExibido com os nomes de La Sirène de Pierre e Le Fantôme d'Amour no Cinéma Artistique de Paris. O filme teria 6 partes e teria sido ainda exibido no Royal-Cinema em Cahors em março de 1925O Pesadelo do António MariaJoaquim GuerreiroCurta-metragemPrimeiro filme de animação português do qual foi feita uma reconstrução a partir de desenhos originais apresentada em 2001O Suicida da Boca do InfernoErnesto de AlbuquerqueLonga-metragemFilme dividido em oito partesTempestades da VidaAugusto de LacerdaLonga-metragemObra com metragem de 2500 metros dividida em 5 partesO Groom do RitzReinaldo FerreiraCurta-metragemDividida em cinco partesO Castelo de ChocolateArthur DuarteUma comédia e único filme produzido pela Rossy Films (antiga Fortuna Films) que terá sido a estreia de Arthur Duarte na realizaçãoA Estrela de BrilhantesAugusto Barroso MarquesComédia em três partes com 1300 metros1924O Rei da ForçaErnesto de AlbuquerqueLonga-metragemDrama de aventura produzido pela Enigma Film, com 8 partesAventuras de AgapitoMaurice Mariaud/Roger LionCurta-metragemProduzida pela Patria Film é descrita como comédia ao estilo Mack Sennett Uma fonte afirma que não terá sido apresentada ao grande público, mas há referência a estreia a 17 de março de 1924 no Olympia, no Porto e no Salão Central, Lisboa a 7 de abril de 1924. Outra fonte atribui a curta a Roger Lion. Dia 28 de maio de 1929, sob o nome de As Desventuras de Agapito (um dos nomes que aparenta ser-lhe atribuído), com três parte, seria exibido no Salão Rocio. A publicação farense O Algarve de 15 de maio de 1927 reporta que um filme sob o título Operário Agapito em 2 partes seria exibido no dia 21 de maio no Cine Teatro. Não é certo se se refere ao mesmo filme ou se a outro ou ainda se se trata mesmo de um filmeLe Cliché révélateur (Fotografia Comprometedora)Descrita como comédia ao estilo Mack Sennett na revista Cinémagazine de 16 de outubro de 1923 e teria sido produzida pela Patria Film. Contudo outras fontes reportam que este seria outro nome para a curta Aventuras de Agapito1925A TormentaGeorges PalluLonga-metragemFilme baseado num conto de Paulo Osório e dividido em cinco partes teria uma metragem de 1980 metros1927A IndigestãoManuel Luís VieiraFilme cómico inicialmente estruturado para ter duas partes, mas na versão final ficou apenas com uma. Terá estreado a 11 de maio de 1927 no Teatro-Circo, FunchalAventuras do Tenor Romão - O Dó de PeitoRino LupoCurta-metragemComédia em duas partes. Terá estreado a 27 de junho de 1927 no Salão CentralEntrevistas Cinematográficas com Escritores e Jornalistas de LisboaReinaldo FerreiraCom testemunhos de Norberto Lopes, Rocha Martins e Norberto de AraújoA Mão EnluvadaAurélio Rodrigues António Lourenço Eulóquio SilvaCurta-metragem1928O Diabo em LisboaRino LupoLonga-metragemFilme dividido em 6 partes nunca estreado comercialmenteO Afilhado de Santo AntónioAfonso Lopes VieiraCurta-metragemFilme inspirado em conto popular português e interpretado por crianças. Estreou a 16 de maio de 1928 numa festa de caridade no Teatro do Ginásio e estaria dividido em duas partes1929Uma Viagem à Lua Fred NettoCurta-metragemFilme de publicidade de animação exibido em 1928 no Central. É possível que a informação da revista Animatógrafo esteja errada e o filme a que se esteja a referir seja ao Tip-Top também de Fred NettoPonto e Vírgula a Pão e ÁguaAníbal ContreirasCurta-metragemO negativo terá sido destruído pela produtora (Lisboa Filme) ao mudar de instalaçõesUm Passeio AuspiciosoAfonso GaioComédia em duas partes1930Uma História de CamelosJoão Rodrigues AlvesCurta-metragemCurta de animação da qual foi feita uma reconstituição de uma cena de 4 segundos a partir de uma sequência de 25 desenhos e alguns esboçosA Vida do SoldadoAníbal ContreirasLonga-metragemReferido como super-documentário militar exibido no Central Cinema. O filme apresenta cenas reais de fogo de artilharia, metralhadoras, obuses e gases asfixiantes. A edição da revista brasileira Cinearte de 14 de janeiro de 1931 refere que duas produções portuguesas haviam sido lançadas no mercado brasileiro, entre as quais se encontrava A Vida do Soldado. Teria 2600 metros e foi distribuído pela Sociedade Universal de SuperfilmesToureiros por AmorAlexandre AmoresAs personagens principais (Pato e Patochão) seriam uma imitação de Pat e Patachon, personagens cómicas interpretadas por dois atores dinamarquesesA Balada da FonteJoão CarlosCurta-metragemA informação sobre o filme é escassa e a data é incerta, mas teria sido realizado antes da curta A Lenda de Miragaia pois é descrito como o primeiro filme de animação de silhuetas português1931NuaMaurice MariaudLonga-metragemA 14 de janeiro de 1931 era reportado que o filme havia sido concluídoA Voz do Operário - Catedral do BemAntónio LeitãoCurta-metragem1932Amor de MãeCarlos FerreiraEstreou em outubro de 1932 nos cinemas Odeon e Palácio1933O Amor Vence a CiênciaPrimeiro filme português a ser exibido no Concurso Internacional de Filmes de AmadoresConversão do Tio Zé1938Miramar, Praia das RosasManoel de OliveiraCurta-metragemAparenta ser o único filme de Manoel de Oliveira ainda perdido. Teria uma metragem de 257 metros correspondendo a uma duração de cerca de 10 minutos e estreou a 22 de junho de 1938 no Odeon, Lisboa1947Viela – Rua Sem SolLadislao VajdaLonga-metragemExistem duas versões do filme uma portuguesa e outra espanhola que tem o nome de Barrio. Da portuguesa não subsiste nenhuma cópia. Este filme foi o retorno de Milú ao cinema depois de o ter abandonado para se casar. O filme foi exibido no Teatro António Pinheiro, Tavira, a 13 (com complemento de O Fado) e 14 de novembro de 1948. Também teve exibição no cine-teatro Alba, Albergaria-a-Velha, em 1950 entre 28 de março e 30 de julho. A revista A Cena Muda dá conta que o filme seria apresentado no Brasil pela Universal Films. O semanário paulista Cine-Repórter, de 11 de novembro de 1950, data a estreia do filme em 3 de julho, no Cinema Avenida, com distribuição pela Jairê Viana Ltda. Era referido como uma comédia dramática. Oswaldo de Oliveira, jornalista do A Manhã, classifica o filme de medíocre, na publicação de 22 de março de 1951. Teria começado a sua exibição no cinema Odeon com distribuição da Telefilmes a partir de 19 de março de 1951O Hóspede do Quarto Número 13Arthur DuarteLonga-metragemFilme com duas versões, uma portuguesa e outra espanhola. Não subsiste cópia da versão portuguesa. A 29 de março de 1948 terá sido exibido no teatro Jordão em Guimarães. O semanário Cine-Repórter, de 17 de dezembro de 1955, reporta que, na primeira edição do Festival do Cinema Português, realizado no Rio de Janeiro para comemorar os cinco anos da distribuidora Luso Filmes, seriam apresentados 14 filmes portugueses, entre os quais o filme O Hóspede do Quarto Número 13, nos cinemas Presidente e São José1948Não Há Rapazes Maus!Eduardo Garcia MarotoLonga-metragemFilme subvencionado pelo Comissariado do Desemprego e inspirado na obra social do padre Américo. Exibido a 6 de fevereiro de 1949 no cine-teatro Carlos Manuel, Sintra. A Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho levou o filme a Barcelos onde foi exibido a 11 de agosto de 19551949A Volta de José do TelhadoArmando de MirandaLonga-metragemExibido a 6 e 7 de novembro de 1949 no cine-teatro da Portela. Sequela do filme José do TelhadoFogo!Arthur DuarteLonga-metragemForam realizadas duas versões deste filme, uma portuguesa e outra espanhola dirigida por Alfredo Echegaray. Estreou no teatro São Luiz. De modo a comemorar o 6.º aniversário da distribuidora Luso Filmes, durante uma semana, a partir de 10 de dezembro de 1956, foram exibidos sete filmes portugueses no cinema São José, do Rio de Janeiro, sendo Fogo! um deles1955Caminhos LongosEurico FerreiraLonga-metragemFilme rodado em Macau. Foi retirado de circulação e enviado para o laboratório de Hong Kong tendo aí desaparecido

Lista de filmes portugueses parcialmente perdidos No entanto nem todos os filmes se encontram completamente perdidos. De alguns restam ainda parte das fitas como é exemplo do filme Três Dias Sem Deus do qual restam 32 minutos e o trailer do mesmo.