Francisco da Silva Telo da Gama Campo Maior, 1 de janeiro de 1892 – 11 de agosto de 1995) foi um político, empresário e grande proprietário agrícola português. Desenvolveu atividade política durante a Primeira República Portuguesa e o Estado Novo. Foi Governador Civil do distrito de Portalegre, deputado pelo Partido Evolucionista durante a Primeira República e, posteriormente, deputado à Assembleia Nacional e chefe de gabinete no Ministério da Agricultura.

Segundo o estudo académico Memória Social em Campo Maior, Francisco Telo da Gama foi uma das figuras dominantes da vida política e económica de Campo Maior durante o seu tempo, sendo caracterizado pelo autor como o «mais proeminente dos grandes proprietários de Campo Maior durante todo o Estado Novo». Biografia

Nascimento e família

Francisco da Silva Telo da Gama nasceu em 1 de janeiro de 1892, em Campo Maior. Era filho de António Luís de Sousa Oliveira da Gama e de Maria Francisca da Silva Rasquilha.

Pertencia a uma família de proprietários agrícolas de Campo Maior. Segundo o estudo Memória Social em Campo Maior, o seu avô, Luís de Sousa Oliveira da Gama, conhecido localmente como «Luís Grande», esteve na origem da formação do património agrícola da família.

Formação

Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito. Durante a sua passagem por Coimbra conviveu com António de Oliveira Salazar, Mário de Figueiredo e outros estudantes ligados aos meios católicos da universidade.

Segundo informação citada pelo estudo Memória Social em Campo Maior, Francisco Telo da Gama afirmou posteriormente que Salazar tinha sido seu «companheiro de casa».

Casamento

Casou com Isilda Irene Telo Rasquilha da Gama.

Carreira política

Primeira República

Francisco Telo da Gama iniciou a sua carreira política durante a Primeira República Portuguesa. Foi eleito deputado pelo Partido Evolucionista, partido liderado por António José de Almeida.

A sua atividade parlamentar durante este período é também referida na obra Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910–1926).

Administração municipal de Campo Maior

Manteve uma forte ligação à administração e à vida pública de Campo Maior. Exerceu funções na administração municipal durante a década de 1920 e assumiu posteriormente a presidência da Câmara Municipal.

Durante este período esteve associado ao processo que levou à anexação de Degolados ao concelho de Campo Maior, em 1927.

Exerceu igualmente funções em instituições agrícolas, económicas e sociais da região, incluindo o Conselho Geral do Grémio da Lavoura, o Sindicato Agrícola e a Santa Casa da Misericórdia.

Festas do Povo de 1927

Em 1927, enquanto presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Campo Maior, Francisco Telo da Gama foi autor do texto de abertura do programa das festividades realizadas nesse ano.

Segundo a ficha das Festas do Povo de Campo Maior no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, foi em 1927 que as celebrações passaram a ser designadas por «Festas do Povo». A mesma fonte identifica Telo da Gama como autor do texto de abertura do programa dessa edição.

Governador Civil de Portalegre

Francisco da Silva Telo da Gama foi Governador Civil do Distrito de Portalegre entre 1933 e 1934.

O estudo Memória Social em Campo Maior inclui o cargo de governador civil entre as principais funções desempenhadas por Telo da Gama durante a sua carreira política.

Posteriormente exerceu funções como chefe de gabinete no Ministério da Agricultura e como delegado do Governo junto da Federação Nacional dos Industriais de Moagem.

Deputado à Assembleia Nacional

Em 1942 foi eleito deputado à Assembleia Nacional, integrando a III Legislatura.

Durante a sua atividade parlamentar interveio em matérias relacionadas com a agricultura, a pecuária e o abastecimento de carnes.

A sua presença na Assembleia Nacional encontra-se também documentada nos debates parlamentares da época.

Atividade agrícola e económica

Para além da carreira política, Francisco Telo da Gama teve uma importante atividade ligada à agricultura e à propriedade rural. Segundo o estudo Memória Social em Campo Maior, foi o «mais proeminente dos grandes proprietários de Campo Maior durante todo o Estado Novo».

Documentação publicada no Diário da República identifica propriedades pertencentes a Francisco da Silva Telo da Gama no Alto Alentejo, incluindo herdades no concelho de Arronches.

Além da sua atividade política e agrícola, Francisco da Silva Telo da Gama esteve também ligado à indústria de moagem. Foi diretor da União Industrial Campomaiorense, surgindo como um dos responsáveis pela sociedade em documentação oficial publicada no Diário do Governo. A sua ligação ao setor encontra-se igualmente associada às atividades de moagem desenvolvidas pelo grupo económico ligado à União Industrial Campomaiorense.

Surgiu também como sócio da sociedade Moagem e Lagar do Moinho dos Santos, L.da, sediada em Arronches, cuja atividade incluía a exploração da indústria de moagem.

Foi ainda presidente do Conselho de Administração da Moagem de Portalegre, S.A.R.L.. No relatório e contas relativo ao exercício de 1973, publicado no Diário do Governo em 1974, Francisco da Silva Telo da Gama surge identificado como presidente do Conselho de Administração da sociedade.

Legado

O nome de Francisco da Silva Telo da Gama foi atribuído à Rua Doutor Tello da Gama, em Campo Maior.

O seu nome foi igualmente atribuído a uma via na localidade de Nossa Senhora da Graça dos Degolados.

Referências

Bibliografia

Categoria:Naturais de Campo Maior (Portugal) Categoria:Advogados de Portugal Categoria:Políticos portugueses do século XX Categoria:Deputados da República Portuguesa Categoria:Deputados da Assembleia Nacional de Portugal Categoria:Governadores civis do distrito de Portalegre Categoria:Alumni da Universidade de Coimbra Categoria:Nascidos em 1892 Categoria:Mortos em 1995 ```