O Período da Confederação () foi a era da história dos Estados Unidos na década de 1780, após a Revolução Americana e antes da ratificação da Constituição dos Estados Unidos. Em 1781, os Estados Unidos ratificaram os Artigos da Confederação e prevaleceram na Batalha de Yorktown, a última grande batalha entre forças britânicas e americanas na Guerra de Independência dos Estados Unidos. A independência americana foi confirmada com a assinatura do Tratado de Paris, em 1783. Os ainda incipientes Estados Unidos enfrentaram vários desafios, muitos dos quais decorreram da ausência de um governo central eficaz e de uma cultura política unificada. O período terminou em 1789, após a ratificação da Constituição dos Estados Unidos, que estabeleceu um novo e mais eficaz governo federal.
Os Artigos da Confederação estabeleceram uma confederação frouxa de estados, com um governo confederado fraco. Uma assembleia de delegados atuava em nome dos estados que representavam. Esse órgão unicameral, oficialmente denominado Estados Unidos Reunidos em Congresso, tinha pouca autoridade e não podia realizar nada independentemente dos estados. Não possuía chefe do Executivo nem sistema judicial. O Congresso não tinha poder para cobrar impostos, regular o comércio exterior ou interestadual nem negociar de forma eficaz com potências estrangeiras. A fraqueza do Congresso mostrou-se autorreforçadora, pois as principais figuras políticas da época serviam nos governos estaduais ou em postos no exterior. A incapacidade do governo confederado de enfrentar os desafios dos Estados Unidos levou a pedidos de reforma e a frequentes discussões sobre secessão.
O Tratado de Paris deixou os Estados Unidos com um vasto território que se estendia do Oceano Atlântico ao Rio Mississippi. A colonização dos territórios transapalachianos mostrou-se difícil, em parte devido à resistência dos povos nativos e das potências estrangeiras vizinhas, o Reino da Grã-Bretanha e a Espanha. Os britânicos recusaram-se a evacuar seus fortes no território americano, enquanto os espanhóis utilizaram seu controle do Rio Mississippi para dificultar a colonização do oeste. Em 1787, o Congresso aprovou a Lei Noroeste, que estabeleceu um precedente importante ao criar o primeiro território organizado sob o controle do governo confederado.
Depois que as tentativas do Congresso de emendar os Artigos fracassaram, numerosos líderes americanos reuniram-se na Filadélfia, em 1787, para estabelecer uma nova constituição. A nova constituição foi ratificada em 1788, e o novo governo federal começou a se reunir em 1789, marcando o fim do Período da Confederação.
Antecedentes
Independência e autogoverno A Guerra de Independência dos Estados Unidos eclodiu em abril de 1775 com as Batalhas de Lexington e Concord. O Segundo Congresso Continental reuniu-se em maio de 1775 e criou um exército financiado pelo Congresso e comandado por George Washington, um virginiano que havia lutado na Guerra Franco-Indígena. Em 4 de julho de 1776, enquanto a guerra prosseguia e dois dias depois de aprovar a Resolução Lee para romper com o controle britânico, o Congresso adotou a Declaração de Independência. Exatamente ao mesmo tempo em que declarou a independência, o Congresso também criou um comitê para elaborar uma constituição para a nova nação. Embora alguns membros do Congresso desejassem um Estado fortemente centralizado, a maioria dos americanos queria que o poder legislativo permanecesse principalmente com os estados e via o governo central como mera necessidade de guerra. A constituição resultante, que ficou conhecida como Artigos da Confederação e União Perpétua, estabelecia um governo central fraco, com pouco poder para coagir os governos estaduais. O primeiro artigo da nova constituição estabeleceu um nome para a nova confederação — Estados Unidos da América.Chandler (1990), p. 434
O primeiro projeto dos Artigos da Confederação, escrito por John Dickinson, foi apresentado ao Congresso em 12 de julho de 1776, mas o Congresso não enviou a constituição proposta aos estados até novembro de 1777. Três grandes questões constitucionais dividiram o Congresso: as fronteiras estaduais, incluindo reivindicações de terras a oeste dos Apalaches; a representação estadual no novo Congresso; e se as cobranças tributárias sobre os estados deveriam levar em conta os escravizados. No fim, o Congresso decidiu que cada estado teria um voto no Congresso e que os escravizados não afetariam as cobranças impostas aos estados. Em 1780, enquanto a guerra continuava, todos os estados, exceto Maryland, haviam ratificado os Artigos; Maryland recusou-se a ratificar a constituição até que todos os outros estados renunciassem às suas reivindicações de terras ocidentais em favor do Congresso. O êxito da estratégia britânica no sul, juntamente com a pressão dos aliados americanos do Reino da França, convenceu a Virgínia a ceder suas reivindicações ao norte do Rio Ohio, e Maryland finalmente ratificou os Artigos em janeiro de 1781. A nova constituição entrou em vigor em março de 1781 e o Congresso da Confederação substituiu tecnicamente o Segundo Congresso Continental como governo central, mas, na prática, a estrutura e o pessoal do novo Congresso eram bastante semelhantes aos do antigo.
Fim da Revolução Americana Após a vitória franco-americana na Batalha de Yorktown, em setembro de 1781, e o colapso do governo do primeiro-ministro britânico Frederick North em março de 1782, ambos os lados buscaram um acordo de paz. A Guerra de Independência dos Estados Unidos terminou com a assinatura do Tratado de Paris de 1783. O tratado concedeu independência aos Estados Unidos, além do controle de uma vasta região ao sul dos Grandes Lagos, que se estendia dos Apalaches para oeste até o Rio Mississippi. Embora o Parlamento britânico tivesse anexado essa região transapalachiana à Província de Quebec, em 1774, como parte do Ato de Quebec, vários estados possuíam reivindicações de terras na região com base em cartas e proclamações reais que definiam suas fronteiras como se estendendo "de mar a mar". Alguns americanos esperavam que o tratado previsse a aquisição da Flórida, mas o território foi devolvido à Espanha, que havia se juntado aos Estados Unidos e à França na guerra contra a Grã-Bretanha e exigia sua parte dos despojos. Os britânicos lutaram intensamente e com sucesso para conservar as colônias que mais tarde se uniriam como Canadá, e o tratado reconheceu esse fato.Nugent (2008), pp. 23–24
Observadores da época e historiadores desde então enfatizam a generosidade das concessões territoriais britânicas. Historiadores como Alvord, Harlow e Ritcheson salientaram que os termos territoriais generosos da Grã-Bretanha baseavam-se em uma visão de estadista sobre estreitos vínculos econômicos entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. O tratado destinava-se a facilitar o crescimento da população americana e criar mercados lucrativos para comerciantes britânicos, sem custos militares ou administrativos para a Grã-Bretanha.Charles R. Ritcheson, "The Earl of Shelbourne and Peace with America, 1782–1783: Vision and Reality." International History Review (1983) 5#3 pp: 322–345. online Como diria mais tarde o ministro das Relações Exteriores francês, Charles Gravier, conde de Vergennes: "Os ingleses compram a paz em vez de fazê-la".Quote from Thomas Paterson, J. Garry Clifford and Shane J. Maddock, American foreign relations: A history, to 1920 (2009) vol 1 p. 20
O tratado também tratou de várias questões adicionais. Os Estados Unidos concordaram em honrar as dívidas contraídas antes de 1775, enquanto os britânicos concordaram em retirar seus soldados do solo americano. Privilégios que os americanos haviam recebido por integrarem o Império Britânico deixaram de se aplicar, sobretudo a proteção contra os piratas no Mar Mediterrâneo. Nem os americanos nem os britânicos cumpririam de forma consistente essas cláusulas adicionais. Estados individuais ignoraram obrigações do tratado ao se recusarem a restaurar propriedades confiscadas de lealistas, e muitos continuaram a confiscar propriedades lealistas por "dívidas não pagas". Alguns estados, sobretudo a Virgínia, mantiveram leis contra o pagamento de dívidas a credores britânicos. Os britânicos frequentemente ignoraram a disposição do Artigo 7 relativa à retirada de escravizados.
Liderança americana
Os Artigos da Confederação criaram uma união frouxa de estados. O governo central da confederação consistia em um Congresso unicameral com funções legislativas e executivas, composto por delegados de cada estado da união. O Congresso recebeu apenas os poderes que os estados já haviam reconhecido como pertencentes ao rei e ao parlamento. Cada estado tinha um voto no Congresso, independentemente de seu tamanho ou população, e qualquer ato do Congresso precisava dos votos de nove dos treze estados para ser aprovado; qualquer decisão de emendar os Artigos exigia o consentimento unânime dos estados. O legislativo de cada estado nomeava vários membros para sua delegação, permitindo que os delegados voltassem para casa sem deixar o estado sem representação. Nos termos dos Artigos, os estados eram proibidos de negociar com outras nações ou manter forças militares sem o consentimento do Congresso, mas quase todos os demais poderes eram reservados aos estados.Herring (2008), pp. 25–26 O Congresso não tinha poder para arrecadar receitas e era incapaz de fazer cumprir sua própria legislação e instruções. Assim, dependia fortemente da cooperação e do apoio dos estados.Chandler (1990), pp. 434–435
Após o fim da Guerra de Independência, que havia fornecido o impulso original para os Artigos, a capacidade do Congresso de realizar algo de consequência material diminuiu significativamente. Raramente mais da metade dos cerca de sessenta delegados participava de uma sessão do Congresso em determinado momento, causando dificuldades para alcançar um quórum. Muitos dos líderes americanos mais proeminentes, como Washington, John Adams, John Hancock e Benjamin Franklin, retiraram-se da vida pública, serviram como delegados no exterior ou ocuparam cargos nos governos estaduais. Um líder que emergiu nesse período foi James Madison, que se convenceu da necessidade de um governo central mais forte depois de servir no Congresso da Confederação de 1781 a 1783. Ele continuaria a defender um governo central mais forte durante o restante da década de 1780. O Congresso reuniu-se em Filadélfia de 1778 até junho de 1783, quando se transferiu para Princeton, em Nova Jérsia, devido ao Motim da Pensilvânia de 1783. O Congresso também se reuniria em Annapolis, Maryland, e Trenton, Nova Jérsia, antes de se estabelecer em Nova Iorque em 1785. A falta de líderes fortes no Congresso, assim como a impotência e a natureza itinerante do órgão, constrangeram e frustraram muitos federalistas americanos, inclusive Washington. A fraqueza do Congresso também levou a frequentes discussões sobre secessão, e muitos acreditavam que os Estados Unidos se dividiriam em quatro confederações, formadas pela Nova Inglaterra, pelos estados do Médio Atlântico, pela região Sul e pela região transapalachiana, respectivamente.