O arsenal de Brest, também designado porto militar de Brest, é uma base naval da Marinha Nacional Francesa constituída por um conjunto de instalações militares e navais situadas ao longo da ria da Penfeld, em Brest, no departamento de Finistère, na região da Bretanha, em França. É a segunda maior base naval francesa, depois da de Toulon e à frente da de Cherbourg.

História

Fundação no século XVII A história da infraestrutura portuária de Brest remonta ao século XVII. Em 1631, o cardeal de Richelieu, então ao serviço de Luís XIII, decidiu fazer de Brest um dos "portos do Rei", na sequência de um relatório do inspetor Louis Le Roux d'Infreville, que apontou a Penfeld como local particularmente adequado para a instalação de um porto militar. Entre 1631 e 1635 foram lançadas as primeiras bases da infraestrutura portuária, criando os alicerces do que viria a tornar-se um importante porto militar.

A escolha de Brest justificava-se pelas vantagens naturais do sítio: a ria de Brest, profunda e facilmente defensável, e a Penfeld, rio encaixado que oferecia abrigo natural às embarcações, tornavam a cidade simultaneamente estratégica e de difícil acesso a forças hostis, num contexto de rivalidade atlântica com a Inglaterra.

Desenvolvimento sob Colbert e Vauban Em 1674, Jean-Baptiste Colbert, ministro de Luís XIV, decidiu a construção dos armazéns de pólvora, da cordoaria e do hospital militar, todos necessários ao funcionamento da Marinha real. Colbert reconstruiu em alvenaria os cais anteriormente feitos de madeira e melhorou o porto. As fortificações concebidas por Vauban seguiram-se entre 1680 e 1688.

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, o arsenal transformou-se num vasto complexo portuário e industrial, dotado de cais, docas, cordoarias, forjas, fundições, armazéns e mesmo um presídio, fornecendo tudo, desde pregos a mantimentos, para a frota.

Expansão industrial no século XIX No século XIX, o arsenal entrou num período de expansão industrial sem precedentes, impulsionado pela passagem da navegação à vela para a propulsão a vapor e pela substituição da madeira pela couraça metálica. Em 1840 foram instalados novos ateliers no planalto dos Capucins, nomeadamente de mecânica, fundição e caldeiraria. Entre 1822 e 1827 foi construída a doca n.º 6, no Salou, seguida da doca n.º 7 em 1864–1865. Em 1858, a Marinha apropriou-se dos cais Tourville e Jean Bart. Em 1910 entrou em serviço a Grande Grua (Grande Grue), nas docas de Laninon, capaz de erguer até 150 toneladas.

Século XX e reconversão Durante a Segunda Guerra Mundial, o porto foi intensamente utilizado pela Kriegsmarine, que aí instalou uma base de submarinos; em consequência, a cidade foi extensamente bombardeada pelos Aliados, o que destruiu grande parte dos edifícios históricos. Em 1975, a partida dos porta-aviões para Toulon representou a perda de cerca de 4000 postos de trabalho, e o arsenal passou a dedicar-se sobretudo à manutenção de submarinos nucleares.

Em 2003, a atividade de construção naval foi privatizada sob a denominação DCNS, que em 2017 foi rebatizada Naval Group. O arsenal foi o local de construção de navios emblemáticos, entre os quais couraçados como o Richelieu e o porta-aviões Charles de Gaulle.

Localização O arsenal ocupa uma vasta extensão das margens de Brest, desde o Castelo, a leste, até ao Portzic, a oeste, abrangendo todo o curso inferior da Penfeld. As antigas oficinas dos Capucins foram reabilitadas como espaço cultural.

Ver também Marinha Nacional Francesa Naval Group Brest (França)

Ligações externas Imagens do porto militar de Brest no Wikimedia Commons Inventário Geral do Património Cultural: Arsenal de Brest

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