A religião e as crenças míticas dos povos da terra de Canaã, no Levante meridional, durante aproximadamente os três primeiros milênios a.C., eram politeístas e, em alguns casos, monolátricas. Elas foram influenciadas por culturas vizinhas, particularmente pelas práticas religiosas do antigo Egito e da Mesopotâmia. O panteão era liderado pelo deus El e sua consorte Aserá, contando com outras divindades significativas, como Baal, Anate, Astarte, Dagom e Resefe.
As práticas religiosas cananeias incluíam o sacrifício de animais, a veneração dos mortos e a adoração de divindades por meio de santuários e bosques sagrados. A religião também apresentava uma mitologia complexa, que incluía histórias de batalhas divinas e ciclos de morte e renascimento. Evidências arqueológicas — particularmente de sítios como Ugarite — e fontes literárias, incluindo os textos ugaríticos e a Bíblia hebraica, forneceram a maior parte do conhecimento atual sobre a religião cananeia.
Histórico
miniatura|Estela de Baal com o raio, proveniente de Ugarite, c. século XV a.C. O conhecimento sobre as religiões cananeias é fragmentário e insuficiente para elaborar um relato completo e contínuo. Antes do surgimento da arqueologia levantina, no final do século XIX e início do século XX, o conhecimento sobre a religião cananeia provinha principalmente dos relatos da Bíblia hebraica. Isso era complementado por algumas fontes gregas secundárias e terciárias (Sobre a Deusa Síria, de Luciano; fragmentos da História Fenícia de Fílon de Biblos; e os escritos de Damáscio). O conhecimento atual sobre a religião cananeia provém principalmente de descobertas arqueológicas de fontes literárias e vestígios materiais associados a essa religião.Olmo Lete, Gregorio del (1999), "Canaanite religion: According to the liturgical texts of Ugarit" (CDL)Hillers D.R. (1985)"Analyzing the Abominable: Our Understanding of Canaanite Religion" (The Jewish Quarterly Review, 1985)
Terceiro e segundo milênios a.C. miniatura|Uma das tabuletas de Ebla. As fontes literárias apresentam-se na forma de textos antigos, descobertos em escavações arqueológicas. Os vestígios mais remotos das religiões cananeias provêm das tabuletas de Ebla — uma série de textos inscritos em argila, encontrados em Tel Mardikh, na Síria, e datados da segunda metade do terceiro milênio a.C. Elas incluem listas de oferendas às principais divindades do panteão cananeu (El, Baal e Dagom). Entre o final do terceiro milênio e o início do segundo milênio a.C., as mesmas divindades cananeias aparecem em nomes teofóricos pessoais de povos amorreus, cuja terra de origem se situava nas regiões do médio Eufrates e do baixo Cabur, no noroeste da Síria. Informações adicionais são fornecidas pelas inscrições de Idrimi — rei de Alalaque no século XV a.C. — e pelas tabuletas de Emar, datadas dos séculos XIV e XIII a.C. De longe, a fonte de informações mais substancial são os textos ugaríticos, encontrados perto de Ras Shamra, na Síria (a antiga Ugarite), datados de cerca de 1275 a.C. Mais de trezentos desses textos atestam importantes mitos e lendas cananeus, bem como encantamentos, orações, hinos, textos votivos, listas de divindades, catálogos de festivais, listas de sacrifícios, prescrições ou descrições rituais, liturgias e textos sobre presságios.
Primeiro milênio a.C. Durante o primeiro milênio a.C., vários ramos distintos da religião cananeia persistiram. Embora a Bíblia hebraica distinga o javismo, praticado nos reinos de Israel e Judá, da religião cananeia, muitos estudiosos o classificam como uma das religiões cananeias, e os israelitas como sendo um povo cananeu. Fontes limitadas de religião em outras partes do Levante Meridional, incluem a Estela Mesha (c. 850 a.C.) da terra de Moabe, e a inscrição de Deir Alla (c. 700 a.C.) com seu dialeto único. Na região mais ampla da Síria, a religião arameia é atestada por fontes como a inscrição bilíngue de Tel Fekherya (século IX a.C.), a Estela de Zacur (c. 775 a.C.), as estelas de Sefire (antes de c. 740 a.C.) e a estátua de Adade (meados do século VIII a.C.). A religião fenícia é atestada por textos descobertos dentro e ao redor do Líbano moderno, como a inscrição Yehimilk (século 10), a bilíngue Karatepe (c. 720 a.C.) e a Estela Yehawmilk (século V a IV a.C.).
Ao longo do período helenístico, nas partes não judaicas de Canaã, a religião grega espalhou-se ao lado das tradições cananeias pré-existentes, em vez de substituí-las. Havia muitas semelhanças entre as duas religiões e, por meio de um processo de sincretismo, as divindades cananeias receberam os nomes das equivalentes gregas.
Como os fenícios colonizaram o Mediterrâneo ocidental (povo púnico), também existem muitos textos que atestam a religião púnica, como a Tarifa de Cartago e a Tarifa de Marselha (c. 200 a.C.). Embora a religião púnica fosse uma continuação direta do ramo fenício, diferenças locais significativas desenvolveram-se ao longo dos séculos após a fundação de Cartago e de outras comunidades púnicas em outras partes do norte da África, sul da Espanha, Sardenha, oeste da Sicília e Malta a partir do século IX a.C. Após a conquista destas regiões pela República Romana nos séculos III e II a.C., as práticas religiosas púnicas continuaram, sobrevivendo até ao século IV d.C. em alguns casos.
Bibliografia
Ligações externas
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