A Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, também conhecida abreviadamente por Nazaré, é uma instituição pública de ensino situada no bairro Centro do município de Manacapuru, no estado do Amazonas, Brasil. Erguida junto à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, cuja padroeira lhe emprestou a denominação, a escola figura entre os edifícios de maior valor histórico e simbólico da localidade, sendo frequentemente descrita como um dos pontos de referência mais reconhecíveis da paisagem urbana manacapuruense.

Para além de sua função pedagógica, o estabelecimento desempenhou papel relevante na formação de manifestações culturais do município, a exemplo da Ciranda Flor Matizada, que nele teve origem, e consolidou-se, já no século XXI, como referência regional em projetos científicos, tecnológicos e de robótica desenvolvidos por seu corpo discente.

História

Origem e edificação

A gênese da instituição encontra-se associada à atuação da Missão dos Padres Redentoristas do Brasil no interior do Amazonas, congregação religiosa que, na primeira metade do século XX, desempenhou papel de relevo na evangelização, na assistência social e na difusão do ensino em municípios do interior amazonense. Segundo registros históricos, as obras de edificação do colégio tiveram início por volta de 1946; não obstante, outras fontes situam o lançamento da pedra fundamental em agosto de 1949, ocasião que teria contado com a presença de autoridades da época. A divergência entre essas datas permanece nas fontes disponíveis sobre a origem do edifício.As fontes disponíveis não são unânimes quanto à cronologia exata da construção do edifício: registros associados à atuação dos Padres Redentoristas situam o início das obras por volta de 1946, ao passo que outras fontes, vinculadas à Secretaria de Estado de Educação, referem o lançamento da pedra fundamental em agosto de 1949. Ambas as versões coincidem, contudo, quanto à conclusão da obra e ao início das atividades letivas em 1951.

O financiamento da obra teria resultado da conjugação de diferentes fontes de recursos: contribuições da própria missão redentorista, doações de entidades religiosas norte-americanas, verbas governamentais e o concurso da comunidade local, que teria colaborado inclusive com mão de obra. A concepção arquitetônica, de inspiração europeia, é atribuída ao padre Clemente, religioso a quem se imputa também formação em engenharia.

Inauguração e primeiros anos de funcionamento

As obras foram dadas por concluídas em 1951. O estabelecimento iniciou suas atividades letivas em 7 de março daquele ano, recebendo inicialmente cento e setenta e cinco crianças matriculadas da 1.ª à 4.ª série do então denominado primeiro grau, correspondente ao atual Ensino Fundamental. A inauguração oficial verificou-se em 3 de maio de 1951, data em que a unidade foi reconhecida por meio da Lei n.º 377, de 30 de dezembro de 1967.

Coube à Irmã Rosa Maria a primeira gestão da escola, cujo corpo docente e pedagógico, nos anos iniciais, era integralmente composto por freiras e aspirantes religiosas. Nesse período, a instituição figura também em registros sob a denominação de Educandário Nossa Senhora de Nazaré, nomenclatura que evidencia a forte presença de congregações religiosas na condução do ensino no interior do Amazonas durante aquela época.

Expansão do ensino e formação de docentes

A trajetória da Nazaré não se restringiu ao atendimento das séries iniciais, tendo a instituição ampliado progressivamente sua oferta educacional, conforme os marcos a seguir:

Curso ginasial Instituído em 30 de março de 1957, com turma inaugural reunindo vinte e quatro estudantes.

Reconhecimento legal Oito anos após a criação do curso ginasial, a escola obteve seu reconhecimento legal por meio da Lei Estadual n.º 373, de 30 de dezembro de 1965 — reconhecimento distinto e anterior ao que, em 1967, formalizou pela Lei n.º 377 a inauguração da unidade ocorrida em 1951.

Curso Normal Criado pela Lei Estadual n.º 676, de 11 de novembro de 1967, destinado à formação de professores. Sua primeira turma concluiu a formação em 10 de dezembro de 1970, totalizando onze concludentes.

Curso pedagógico Instituído mediante a Lei n.º 73, de 8 de maio de 1967, iniciado com quarenta e dois matriculados, dos quais vinte e quatro efetivamente concluíram a formação, em solenidade realizada em 11 de dezembro de 1969.

A oferta de cursos vocacionados à formação docente é elucidativa quanto à relevância que a instituição adquiriu no cenário educacional de Manacapuru: para além de atender estudantes da educação básica, a escola contribuiu igualmente para a formação de profissionais que viriam a atuar no próprio sistema educacional da região.O Curso Normal constituiu, historicamente, uma das principais vias de formação de professores no Brasil antes da consolidação dos cursos superiores de licenciatura e pedagogia como via preferencial de formação docente.

Sete décadas de trajetória educacional

Desde o início de suas atividades em 1951, a escola atravessou distintos períodos da história educacional brasileira e amazonense, acompanhando a reorganização do sistema de ensino, a expansão da rede pública e as sucessivas alterações nas nomenclaturas e estruturas das etapas escolares. O antigo curso primário e o ginásio cederam lugar à atual estrutura da Educação Básica, ao passo que o Curso Normal deixou de constituir a via preponderante de formação docente; a instituição passou, assim, a integrar a rede pública estadual de ensino, encontrando-se atualmente sob a administração da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM).

Por ocasião da celebração de seu septuagésimo aniversário, em 2021, a escola contabilizava aproximadamente 2 600 estudantes matriculados no Ensino Médio regular e na modalidade Mediada por Tecnologia, distribuídos por três turnos. O então gestor da unidade, Salomão Alencar, qualificou a instituição como símbolo do desenvolvimento educacional de Manacapuru, ressaltando sua contribuição efetiva para a sociedade local ao longo de sete décadas de existência.

Administrativamente, a comunidade escolar mantém, desde 24 de janeiro de 1994, um Conselho Escolar próprio, constituído como associação civil sem fins lucrativos vinculada à unidade de ensino.

Estrutura física e organização atual

A escola integra, na atualidade, a rede estadual de ensino, atendendo estudantes do Ensino Médio, do 1.º ao 3.º ano, em turmas dos turnos diurno e noturno. Entre os recursos e dependências associados à unidade, contam-se:

Biblioteca Salas de aula climatizadas Laboratório de ciências Laboratório de informática, com acesso à internet de banda larga Cozinha, refeitório e serviço de alimentação escolar Sala de recursos multifuncionais destinada ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) Materiais didáticos e equipamentos para a prática esportiva e recreativa Equipes de apoio dedicadas à segurança alimentar e à segurança patrimonial

Não obstante seu papel de destaque, a instituição já foi objeto de denúncias, formuladas por pais, funcionários e alunos, relativas a problemas de ordem estrutural, entre os quais a ausência de manutenção adequada, o alagamento de salas durante o período chuvoso e falhas na rede elétrica. Segundo relatos apresentados por integrantes da comunidade escolar, parcela das dificuldades para a obtenção de reformas estaria relacionada à circunstância de o imóvel pertencer à Arquidiocese e à Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, o que ensejaria impasses quanto à responsabilidade pela manutenção predial perante a Seduc-AM.

A Ciranda Flor Matizada e a formação da cultura cirandeira manacapuruense

À Escola Nossa Senhora de Nazaré atribui-se papel fundador na história cultural de Manacapuru, porquanto foi em suas dependências, contíguas à Igreja Matriz, que nasceu a Ciranda Flor Matizada, a mais antiga das três agremiações cirandeiras tradicionais do município. A dança foi introduzida na escola em 1980 pela professora do pré-escolar Perpétuo Socorro de Oliveira, alcançando sucesso imediato entre o corpo discente e figurando, isoladamente, por cinco anos consecutivos, no Festival Folclórico de Manacapuru, celebrado por ocasião do aniversário do município, em 16 de julho.

Da Ciranda de Nazaré derivaram, por desdobramentos posteriores ocorridos em outras escolas municipais, duas outras agremiações:

Tradicional: originada em 1985, no colégio José Seffair, a partir de alunos dissidentes da Ciranda de Nazaré. Guerreiros Mura: criada em 1991 na escola José Mota.

Em 1996, por força de portaria estadual que vedava a escolas públicas a participação em festivais folclóricos, as cirandas converteram-se em agremiações oficiais e autônomas em relação às instituições de ensino em que se originaram, muito embora tenham preservado as cores identitárias de cada qual. A Flor Matizada manteve as cores lilás e branco, alusivas às tonalidades da flor manacá, elemento que, de resto, empresta o nome ao próprio município, cuja etimologia remonta ao nheengatu, em que "manacá" designa a flor e "puru", matizada ou colorida.

A vinculação entre a escola e as manifestações culturais do município persiste até a atualidade, porquanto a instituição continua a promover programações internas, como apresentações musicais e teatrais alusivas a datas comemorativas, a exemplo da Semana da Mulher, que já foram objeto de destaque por parte de veículos de comunicação como iniciativas de formação cidadã no âmbito escolar.

Projetos científicos, ambientais e de robótica

A Nazaré consolidou-se, sobretudo a partir do final da década de 2010, como referência amazonense em projetos de ciência e tecnologia elaborados por estudantes da educação básica, em grande parte sob a orientação do professor de Biologia Galileu da Silva Pires e, em outras iniciativas, do professor Cosme de Carvalho.

Projeto Escama de Peixe Também referido como "Fibra Algodonosa de Escama de Peixe", trata-se de iniciativa mediante a qual estudantes recolhem escamas de peixe descartadas nas feiras populares de Manacapuru para transformá-las em papel, biocopos e bioembalagens biodegradáveis, concebidos como alternativa sustentável aos produtos derivados de petróleo. O projeto foi desenvolvido também no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em sua edição de 2021, e já recebeu homenagem do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).

Máscara Canguru Projeto voltado ao aperfeiçoamento de máscaras de pano, destinadas ao uso por profissionais de saúde de Manacapuru durante o enfrentamento da pandemia de covid-19.

AC-19 Iniciativa de robótica desenvolvida em 2020, composta por três dispositivos: uma pulseira sensorial capaz de indicar possíveis sinais de infecção, um dispensador automático de álcool em gel e um aferidor de temperatura mediante termistor de distância.

Jaci, Indicador da Saúde da Mulher Protótipo de absorvente higiênico dotado de leitor de fluxo menstrual, capaz de indicar variações de pH e possíveis alterações ginecológicas ou hormonais, concebido para o enfrentamento da pobreza menstrual entre meninas ribeirinhas. Desenvolvido por quatro alunas do 1.º ano do Ensino Médio, sob orientação do professor Galileu Pires, o projeto foi selecionado entre os dez finalistas nacionais da 11.ª edição do programa Solve for Tomorrow Brasil (2024), iniciativa de cidadania corporativa promovida pela Samsung em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).