José Belo Chipenda, também conhecido como Reverendo Chipenda (Bailundo, 9 de outubro de 1929 — Sherbrooke, 10 de janeiro de 2024), foi um filósofo, teólogo, militante dos direitos humanos e liderança nacionalista angolana. Era também importante liderança ecumenista e autor antirracista cristão.
Biografia Belo Chipenda nasceu em 9 de outubro de 1929, na aldeia de Lomanda, no município do Bailundo, na província do Huambo. Seu pai era o reverendo Jessé Chiúla Chipenda, pastor e primeiro líder nacional negro da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA), e sua mãe era a costureira Teresa Laurinda Chipenda. José era o mais velho de cinco irmãos, sendo os outros: Daniel Chipenda (influente militar e líder anticolonial), Clara Ngeve Chipenda, Duarte Morais Chipenda e de Armindo Jimbe Chipenda. Jessé Chipenda, seu pai, era um fervoroso nacionalista, o que influenciou fortemente a seus filhos José Belo e Daniel.
Após concluir seus estudos em teologia no Seminário Emanuel do Dondi, em Angola, Belo Chipenda foi ordenado ao ministério pastoral da IECA em 1956. Seu primeiro trabalho foi como pastor da IECA de Lobito, onde serviu até o ano de 1964. Em 1957 casou-se com Eva de Carvalho, importantíssima educadora, escritora e líder comunitária angolana. Com Eva, teve os filhos Selma Teresa de Carvalho Vauvert e Gilberto Jessé Chipenda. Sua oposição e denúncia acerca do colonialismo e do racismo em Angola o fizeram ser um dos implicados no "Processo dos Padres", um conjunto de decisões repressivas contra a liberdade religiosa levada a cabo pelo governo salazarista contra religiosos considerados subversivos, com vistas a intimidação e silenciamento de sacerdotes católicos e pastores protestantes nacionalistas e militantes dos direitos humanos em Angola, agindo com métodos de deportação, reclusão e difamação.
Percebendo o risco à integridade física do casal José Belo e Eva, a IECA retira-os de Angola e depois de Portugal, e consegue uma bolsa para que o casal pudesse estudar nos Estados Unidos (ele realizando o mestrado em teologia, ela a licenciatura em secretariado executivo). Enquanto nos Estados Unidos, Belo Chipenda criou um grupo de reflexão composto por estudantes universitários nacionalistas angolanos liderado, dentre outros nomes, também por Ismael Martins, Elísio de Figueiredo e Jorge Sangumba.
Ainda nos Estados Unidos, passou a trabalhar como secretário itinerante da Federação Nacional de Estudantes Cristãos dos Estados Unidos, de 1964 a 1965. Foi eleito, em seguida, para servir como Secretário para Estudantes Estrangeiros da Federação Mundial de Estudantes Cristãos, em Genebra (onde conclui o doutorado em filosofia), de 1966 a 1969, e como Secretário para a África da Federação Mundial de Estudantes Cristãos, em Nairóbi, Quênia, de 1969 a 1973. Em 1967, enquanto estava na Suíça, seu pai Jessé Chiúla Chipenda foi preso pelo regime salazarista na Cadeia da Quissala, no Huambo, vindo a morrer na ala de presos políticos do Presídio de São Nicolau (também conhecido como Centro Prisional do Bentiaba) em 1968.
Em 1973 torna-se Secretário do Programa Para o Combate ao Racismo do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra, permanecendo neste função até 1980. Nesta posição, reforça suas críticas ao colonialismo, pautando seus escritos na filosofia antirracista cristã, tornando-se célebre pela máxima:
Retorna a Angola em 1980, tornado-se Diretor do Centro de Estudos em Teologia e Cultura em Angola (CETECA), localizado no Lobito, permanecendo nesta função até 1985. Neste mesmo ano foi eleito Secretário-Geral do Conselho de Igrejas de Angola, servindo nesta posição até 1987.
Belo Chipenda atuou como o 5º Secretário-Geral da Conferência de Todas as Igrejas da África (AACC) de 1988 a 1997, trabalhando juntamente com o Arcebispo sul-africano Desmond Tutu, que presidiu a conferência. O trabalho de Tutu com Belo Chipenda foi fundamental para a reunificação das sociedades angolana e sul-africana, respectivamente, no pós-Guerra Civil e no pós-apartheid.
Foi eleito secretário-geral da IECA no ano de 1997 e permaneceu no cargo até 2004. Após entregar suas funções, trabalhou como reverendo no Lobito até se aposentar em 2006, quando passou a trabalhar como reverendo-sênior da Igreja Unida do Canadá.
Foi galardoado em 2018 com a Medalha de Bravura e de Mérito Cívico e Social, que recebeu das mãos do Presidente da República de Angola, João Lourenço.
Belo Chipenda morreu em Sherbrooke, Canadá, em 10 de janeiro de 2024, após doença prolongada.
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