Eva João Miguel de Carvalho Chipenda (Catete, 15 de junho de 1931) é uma educadora, líder comunitária e militante angolana pelos direitos das mulheres. Sua carreira é dedicada às iniciativas de promoção e libertação das mulheres, à educação infantil e à iniciativas sociais ligadas à igreja em Angola e na África.

Eva Chipenda é autora de The Visitor: An African Woman's Story of Travel and Discovery (1996), livro publicado pelo Conselho Mundial de Igrejas.

Biografia Eva nasceu em 15 de junho de 1931, na aldeia de Calomboloca, município do Catete, em Angola. Ela tinha 11 irmãos e está entre os três filhos que sobreviveram até a idade adulta devido às condições socioeconômicas de sua família. Inclusive, um desses irmãos é o bispo metodista Emílio de Carvalho. Seus pais professavam a fé presbiteriana, e trabalhavam como camponeses. Aos 3 anos, sua mãe a enviou para ser criada por seu irmão mais velho, Júlio. Aos 10 anos, Eva mudou-se para a cidade de Luanda, que tinha intensa atividade missionária protestante. Eva cresceu no período colonial português, caracterizado pela imposição forçada dos modos europeus, pela substituição da língua africana, do modo de vida comunitário, a imposição do patriarcalismo colonial e o abandono dos traços culturais africanos. Na sua juventude, Eva já manifestava apreço pelos movimentos libertação de Angola do colonialismo, pela libertação das mulheres das culturas que as marginalizavam na sociedade e por uma radical transformação da sociedade angolana.

Eva concluiu o ensino secundário em Luanda, e recebeu uma bolsa de estudos para se formar em economia no Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS), no Brasil. Eva foi a primeira estudante africana a estudar no instituto. Durante seus estudos, cuidou de crianças em uma favela e ensinou na escola dominical. Seu trabalho no Brasil transformou sua visão de mundo, principalmente como oposição ainda mais forte ao conservadorismo, ao patriarcalismo e ao tradicionalismo colonialista, particularmente em opressão às mulheres, vigente em Angola.

Eva retornou a Angola em 1956 e foi designada para trabalhar na missão metodista de Quêssua como professora. A Coordenação da Escola Bíblica pediu que ela treinasse e orientasse as esposas dos alunos da Escola Bíblica. Nesse trabalho, escreveu guias de estudo e ministrou treinamentos em culinária, cuidados básicos de saúde, costura e cuidados infantis. Em seguida foi designada para servir como professora das esposas de estudantes de teologia no Seminário Emanuel do Dondi. Em Dondi, conheceu a José Belo Chipenda, pastor, militante dos direitos humanos e liderança nacionalista angolana, com quem casou-se em 1957. Com José Belo, teve os filhos Selma Teresa de Carvalho Vauvert e Gilberto Jessé Chipenda.

A atividade político-religiosa de José Belo fez a família ser perseguida pelo governo colonial português. A Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) conseguiu uma bolsa para o casal para que pudesse estudar nos Estados Unidos. Eva teve que sair primeiramente de Angola para Lisboa, Portugal, de onde fugiu à noite com sua filha pequena e seu filho bebê em um barco. No período em terras estadunidenses, Eva formou-se em pedagogia em Nova Iorque. Enquanto lá esteve, trabalhou como professora. Quando o casal se mudou para Genebra, na Suíça, matriculou-se em vários cursos técnicos e também em um curso superior em línguas.

Quando mudou-se para Nairóbi, em 1969, passou a desenvolver trabalhos mais focados na assistência social, na cultura e no ecumenismo, destacando-se a organização de oficinas de costura com a Associação Católica de Moças. Ela foi gerente de projetos na Conferência de Igrejas de Toda a África, em Nairóbi, onde promoveu o uso de símbolos africanos na arte e cultura cotidiana.

Em 1975, Eva tornou-se presidente do Grupo de Mulheres do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra, posição ocupada até 1980. Em parceria com o marido, fundou no Lobito o Centro de Estudos em Teologia e Cultura em Angola (CETECA), em 1981, com o objetivo de treinar e capacitar líderes cristãos e leigos em habilidades de liderança, idiomas, educação cívica e cultura.

Eva esteve entre as fundadoras do Círculo de Promoção de Teólogas Africanas, em 1989. Na organização, defendeu a extinção das barreiras de gênero nas igrejas, a igualdade de tratamento entre homens e mulheres e a liderança das mulheres africanas em um cenário global.

Após a morte de seu filho Gilberto na década de 1990, Eva Chipenda passou a escrever o livro de memórias The Visitor: An African Woman's Story of Travel and Discovery, publicado em 1996 pela editora Publicações do Conselho Mundial de Igrejas. O livro descreve "seu papel como mulher durante as mudanças radicais que ocorreram durante sua vida", além de aspectos como o colonialismo, os projetos e processos de educação desenvolvidos e suas experiências de trabalho enquanto líder comunitária, refugiada política e militante pelo feminismo cristão.

A partir de 2004, voltou a trabalhar na província de Benguela, onde fundou e dirigiu o Programa de Educação Infantil e Treinamento do bairro de Canata, na cidade do Lobito. A iniciativa proporcionou educação infantil e apoio nutricional para centenas de crianças no período pós-guerra civil em Angola.

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