Tumama ibne Utal (; m. ) foi um dos emires dos hanifaítas de Iamama, inicialmente adversário e posteriormente companheiro de Maomé. Residente em Hajer, exerceu posição de liderança entre os hanifaítas ao lado de . Capturado por muçulmanos quando se dirigia a Meca para realizar a unra, foi levado a Medina e mantido durante três dias na Mesquita do Profeta. Depois de ser libertado por ordem de Maomé, converteu-se voluntariamente ao Islã e prestou-lhe a baia. Após sua conversão, Tumama dirigiu-se a Meca e, ao retornar a Iamama, interrompeu o fornecimento de alimentos à cidade em represália à hostilidade dos coraixitas, restabelecendo-o posteriormente a pedido de Maomé.
Nomeado governador de Hajer e, após a morte de Hauda em 630, governante de Iamama, tornou-se um dos principais opositores de Muçailima entre os hanifaítas. Quando este reivindicou a profecia e assumiu o controle de Hajer, Tumama permaneceu fiel a Maomé e, depois da morte deste, ao califa Abu Becre , participando da resistência contra Muçailima durante as Guerras da Apostasia. Quando as forças califais avançaram sobre Iamama, Tumama reuniu cerca de três mil membros dos hanifaítas para combater Muçailima ao lado delas. Após a derrota e morte do rival em 633, juntou-se ao exército de Alalá ibne Alhadrami na campanha contra os rebeldes do Barém. Participou da derrota dessas forças, mas foi morto por rebeldes durante a viagem de regresso a Iamama, ainda em 633.
Vida
Tumama era um dos dois emires dos hanifaítas em Iamama e residia em Hajer, localidade correspondente à atual Riade. O outro emir, , residia em . Em maio de 628, no mês de Moarrão do ano 7 A.H., Maomé enviou aos dois governantes para convidá-los a abraçar o Islã. Hauza respondeu que aceitaria o convite caso a profecia e o poder lhe fossem transmitidos após a morte de Maomé, condição que foi recusada. A resposta de Tumama não é conhecida, embora sua atitude nesse período seja descrita como hostil. É possível que já tivesse encontrado Maomé durante viagens comerciais ou peregrinações realizadas pelos hanifaítas a Meca. Quando viajava de Iamama para Meca com a intenção de realizar a unra, Tumama foi capturado nas proximidades de Négede por uma unidade muçulmana que participava da , provavelmente comandada por Maomé ibne Maslama. Levado à presença de Maomé em Medina, foi amarrado a uma das colunas da Mesquita do Profeta, onde permaneceu durante três dias. Maomé ordenou que fosse bem tratado, enviou-lhe alimentos de sua própria casa e durante esse período convidou-o repetidamente a aceitar o Islã. Tumama recusou-se inicialmente a converter-se e declarou que, caso fosse libertado mediante resgate, pagaria a quantia que lhe fosse exigida.
Ao fim dos três dias, Maomé ordenou que Tumama fosse libertado sem pagamento de resgate. Depois de deixar a mesquita, ele banhou-se num local próximo, retornou e declarou sua conversão ao Islã, prestando então a baia a Maomé. Segundo o relato preservado pela tradição, afirmou que anteriormente ninguém lhe fora mais odioso que Maomé, mas que, depois de sua conversão, ele se tornara a pessoa que mais amava. Tumama pediu em seguida permissão para realizar a unra e recebeu de Maomé instruções sobre como efetuá-la segundo os preceitos islâmicos. Tumama dirigiu-se então a Meca e entrou na cidade pronunciando a , sendo apresentado pela tradição como o primeiro muçulmano a fazê-lo publicamente na cidade. Alguns coraixitas enfureceram-se com sua atitude e pretenderam matá-lo, mas outros os impediram, lembrando que Meca dependia de Iamama para suas relações comerciais e para o abastecimento de alimentos. Tumama declarou aos coraixitas que havia aderido à religião de Maomé e que nenhum alimento procedente de Iamama voltaria a chegar a Meca sem autorização dele. Depois de regressar a Iamama, impediu efetivamente o envio de cereais e outros gêneros alimentícios para Meca. A interrupção do abastecimento provocou fome e dificuldades entre os habitantes da cidade, que escreveram a Maomé solicitando sua intervenção. Maomé enviou então uma mensagem a Tumama ordenando-lhe que permitisse novamente o fornecimento de alimentos e outras necessidades aos habitantes de Meca, e o comércio foi restabelecido.
Tumama foi posteriormente nomeado governador de Hajer e, após a morte de Hauda Alhanafi em 630, tornou-se governante de Iamama. Quando Muçailima declarou compartilhar a profecia com Maomé e afirmou que este havia reconhecido sua pretensão, Tumama rejeitou suas alegações. Informou Maomé tanto da reivindicação profética de Muçailima quanto da ocupação de Hajer, que o obrigara a abandonar a localidade juntamente com os muçulmanos que o acompanhavam. Maomé enviou então Furate ibne Haiane contra Muçailima, mas morreu algum tempo depois. Com o aumento da pressão exercida por Muçailima contra os muçulmanos, Tumama comunicou a situação ao novo califa Abu Becre. Enquanto aguardava reforços do governo califal, combateu Muçailima com os muçulmanos de sua própria tribo e com o auxílio dos tamimitas. Abu Becre enviou posteriormente dois exércitos a Iamama, comandados por Icrima ibne Abi Jal e Xurabil ibne Haçana. Tumama aconselhou os comandantes a não se precipitarem contra Muçailima, mas sua recomendação não foi seguida e as duas forças não obtiveram êxito.
Nesse período, Sajá, que também reivindicava a profecia, avançou contra Muçailima afirmando ser ela própria a única profetisa. Temendo que Tumama recuperasse o controle de Hajer enquanto enfrentava Sajá, Muçailima chegou a um acordo com ela. Quando soube que Calide ibne Alualide marchava em direção a Iamama, Tumama reuniu os hanifaítas e discursou diante deles, declarando que Maomé era o verdadeiro profeta e Muçailima um impostor. Cerca de três mil membros da tribo juntaram-se então a Tumama e passaram a combater ao lado do exército califal. Depois da morte de Muçailima em 633, Tumama e suas forças juntaram-se ao exército comandado por Alalá ibne Alhadrami, enviado para combater os grupos que haviam se rebelado no Barém durante as Guerras da Apostasia. Sua participação contribuiu para a derrota dos rebeldes comandados por . Após a vitória, Tumama iniciou a viagem de regresso a Iamama, mas foi morto no caminho por rebeldes. Em reconhecimento aos serviços prestados por Tumama à religião e ao Estado, Abu Becre nomeou seu sobrinho governador de Iamama.
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras da Apostasia Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Hanifaítas