Budail ibne Uarca (; m. ) foi um chefe dos cuzaaítas e companheiro de Maomé. Sua conversão ao Islã ocorreu provavelmente antes da Conquista de Meca, embora as tradições divirjam sobre sua data. Como um dos líderes de sua tribo, desempenhou papel diplomático nas relações entre Maomé e os coraixitas, destacando-se durante os acontecimentos que conduziram ao Tratado de Hudaibia em 628. Dois anos depois, Budail integrou a delegação cuzaaíta que informou Maomé do ataque dos becritas contra sua tribo, apoiado pelos coraixitas e considerado uma violação do tratado, episódio que contribuiu para desencadear a conquista de Meca. Participou da campanha juntamente com os cabitas e esteve posteriormente na Batalha de Hunaine e na expedição de Tabuque. As tradições sobre sua morte são divergentes, mas os relatos considerados mais fortes situam-na em 632, antes da morte de Maomé.
Vida
Budail ibne Uarca ibne Abede Aluzá, também referido como Budail ibne Uarca ibne Anre, era um chefe dos cuzaaítas. Embora algumas tradições afirmem que tenha se convertido ao Islã apenas durante a Conquista de Meca, sua conversão provavelmente ocorreu antes. Maomé já lhe havia enviado anteriormente uma carta convidando-o a abraçar o Islã, escrita por Ali ibne Abi Talibe, que posteriormente se tornou motivo de orgulho para a família de Budail. Além disso, os cuzaaítas aderiram ao Islã depois do Tratado de Hudaibia, dois anos antes da conquista de Meca. No ano 6 A.H. (628), quando Maomé e seus companheiros chegaram a Hudaibia com a intenção de visitar a Caaba, Budail dirigiu-se ao acampamento acompanhado por alguns cuzaaítas. Como possuía uma casa em Meca, conhecia as atividades dos coraixitas contra os muçulmanos. Depois de conversar com Maomé, retornou aos habitantes de Meca e informou-lhes que os muçulmanos pretendiam apenas visitar a Caaba e estavam dispostos a chegar a um acordo com os coraixitas, embora estivessem preparados para combater caso fossem impedidos de realizar a unra. As negociações que se seguiram culminaram no Tratado de Hudaibia.
Dois anos depois, Budail dirigiu-se a Medina acompanhado por outros cuzaaítas e informou Maomé de que os becritas, apoiados pelos coraixitas, haviam atacado sua tribo e matado vários de seus membros. Como os cuzaaítas eram aliados dos muçulmanos, o ataque constituía uma violação aberta do Tratado de Hudaibia e levou Maomé a iniciar os preparativos para a conquista de Meca. Durante esses preparativos, Budail e Busre ibne Sufiane foram encarregados de reunir os cabitas, ramo dos cuzaaítas ao qual pertenciam, e conduzi-los a Medina durante o Ramadã para participarem da campanha. No dia da conquista de Meca, ao conceder garantias de segurança aos habitantes da cidade, Maomé declarou que aqueles que se refugiassem na casa de Budail também estariam protegidos. Posteriormente, Budail participou com sua tribo da Batalha de Hunaine. Após a batalha, Maomé encarregou-o de conduzir os prisioneiros e os despojos capturados até e mantê-los sob guarda, embora existam relatos que atribuam essa missão a outros companheiros. Budail participou ainda da expedição de Tabuque.
A data da morte de Budail é objeto de tradições divergentes. O relato segundo o qual teria morrido na Batalha de Sifim é considerado incorreto, pois quem morreu nesse confronto foi seu filho, Abedalá ibne Budail. As tradições segundo as quais Budail morreu antes de Maomé são consideradas mais fortes. Durante a Peregrinação de Despedida, Maomé encarregou-o de anunciar aos muçulmanos que não deveriam jejuar nos primeiros dias da Festa do Sacrifício, também chamados dias de Mina, por serem dias destinados a comer e beber. Com base nesse episódio e nos relatos de que morreu antes de Maomé, sua morte pode ser situada no ano 11 A.H. (632). Por essa razão, a tradição que o inclui entre os conquistadores de Ispaã também é considerada incorreta. Entre aqueles que transmitiram hádices de Budail estavam seu filho Salama e .
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Aditas (cuzaaítas)