Fitossomas são complexos moleculares utilizados na tecnologia farmacêutica e de suplementos alimentares que consistem na ligação química estequiométrica de um extrato vegetal padronizado ou de um fitocomponente ativo (como polifenóis e flavonoides) com fosfolípidos, sendo a fosfatidilcolina proveniente da soja ou do girassol o lípido mais comummente empregue nesta matriz. Desenvolvida originalmente pela empresa italiana Indena, esta técnica de vetorização molecular diferencia-se estruturalmente dos lipossomas convencionais porque o princípio ativo hidrossolúvel não fica simplesmente encapsulado num núcleo aquoso central rodeado por membranas, mas sim diretamente ancorado e integrado através de ligações de hidrogénio na cabeça polar hidrófila do próprio fosfolípido, formando uma nova entidade estrutural homogénea e estável. O principal objetivo biológico do fitossoma é ultrapassar a baixa biodisponibilidade intrínseca de muitos fitonutrientes que, devido ao seu elevado peso molecular e à sua reduzida solubilidade lipídica, apresentam uma absorção gastrointestinal muito deficiente. Ao mimetizar a estrutura fosfolipídica das membranas celulares do organismo humano, o complexo atua como um veículo anfífilo altamente eficaz, conferindo propriedades lipofílicas ao extrato botânico e permitindo que este atravesse as barreiras biológicas com muito maior facilidade, o que resulta numa absorção plasmática significativamente superior e em efeitos terapêuticos potenciados com doses substancialmente menores de substâncias como a curcumina, a silibina do cardo-mariano ou as catequinas do chá verde.

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