Urua ibne Maçude () foi um chefe árabe dos taquifitas de Taife e um dos homens proeminentes de sua tribo durante a época de Maomé. Pertencente aos malequitas e tio de Almuguira ibne Xuba, destacou-se como intermediário nas relações entre os coraixitas e Maomé. Durante as negociações que antecederam o Tratado de Hudaibia, em 628, foi enviado ao acampamento muçulmano para averiguar as intenções de Maomé e, após encontrá-lo, aconselhou os coraixitas a evitar um confronto, impressionado pela lealdade demonstrada por seus seguidores.
Após o Cerco de Taife, Urua converteu-se ao Islã e, apesar das advertências de Maomé de que seria morto, regressou à sua cidade para tentar converter os taquifitas. Sua pregação foi rejeitada e, enquanto proclamava o chamado à oração, foi mortalmente ferido por uma flecha. Antes de morrer, recusou que seus parentes vingassem sua morte e pediu para ser sepultado junto dos muçulmanos mortos durante o cerco de Taife. Maomé teria posteriormente comparado Urua ao homem mencionado na sura Ya-Sin que convocou seu povo a Deus e foi morto.
Vida
Urua ibne Maçude pertencia aos taquifitas de Taife e era tio de Almuguira ibne Xuba. Seu sobrinho pertencia ao clã dos muatibitas, tradicionalmente encarregado da proteção do santuário de Alate, uma das principais divindades cultuadas em Taife no Período Pré-Islâmico. Segundo Aluaquidi, Urua pertencia aos malequitas e era filho de . Antes da conversão de Almuguira ao Islã, este matou treze homens dos malequitas que o acompanhavam em uma viagem e se apoderou de seus bens. Urua assumiu a responsabilidade pelo pagamento dos treze preços de sangue devidos pelas mortes, o que permitiu solucionar o conflito entre os grupos envolvidos. Urua desempenhou papel nas negociações entre Maomé e os coraixitas que antecederam o Tratado de Hudaibia, em 628. Durante o impasse provocado pela tentativa dos muçulmanos de entrar em Meca para realizar a unra, foi um dos representantes enviados ao acampamento muçulmano, ao lado de outros intermediários como Budail ibne Uarca e Micraz ibne Háfece. Depois de ouvir o relato de Budail acerca das intenções de Maomé, Urua aconselhou os coraixitas a não rejeitá-lo sem antes averiguar a situação e se ofereceu para ir pessoalmente ao acampamento muçulmano, afirmando que observaria os seguidores de Maomé e retornaria com informações. Ao encontrar Maomé, advertiu-o de que os coraixitas haviam reunido os alabixitas e seus demais aliados e estavam decididos a impedir sua entrada na Caaba, argumentando que um confronto poderia resultar na destruição dos próprios coraixitas ou no abandono de Maomé por seus seguidores. Durante a conversa, Abu Becre reagiu energicamente à segunda possibilidade. Urua respondeu que somente deixava de revidar porque possuía uma dívida para com Abu Becre, que anteriormente contribuíra com dez camelos para ajudá-lo a pagar um preço de sangue.
Enquanto conversava com Maomé, Urua tocava repetidamente sua barba, gesto que provocou a intervenção de Almuguira, que estava armado ao lado do profeta e afastava sua mão. Sem reconhecer inicialmente o sobrinho por causa do elmo que lhe cobria o rosto, Urua irritou-se, até que Maomé revelou sua identidade. Urua então repreendeu Almuguira pelo assassinato dos homens dos malequitas e pelo conflito que seu ato provocara entre os taquifitas. Urua conversou diretamente com Maomé e, ao regressar, relatou aos coraixitas a lealdade que observara entre seus seguidores. Afirmou ter visitado as cortes de grandes soberanos sem jamais ter visto seus súditos demonstrarem por eles uma dedicação comparável àquela que os companheiros de Maomé demonstravam por seu líder. Segundo Aluaquidi, mencionou especificamente as cortes de , Heráclio e do negus, afirmando que os seguidores de Maomé não erguiam a voz diante dele, atendiam a seus gestos e estavam dispostos a lutar para protegê-lo. Urua aconselhou os coraixitas a considerar cuidadosamente a situação antes de recorrer às armas.
Quando Maomé posteriormente sitiou Taife, Urua estava ausente aprendendo a construir veículos protegidos e manganelas. Regressou à cidade depois que os muçulmanos levantaram o cerco e dedicou-se à construção desses equipamentos. Algum tempo depois, converteu-se ao Islã e foi a Medina encontrar Maomé. Pediu-lhe autorização para regressar a Taife e convidar os taquifitas à nova religião. Maomé advertiu-o de que seus compatriotas o matariam, mas Urua respondeu que era mais estimado por eles do que seus próprios filhos mais velhos. Depois de repetir o pedido três vezes, recebeu permissão para partir. Após uma viagem de cinco dias, Urua chegou a Taife à noite e dirigiu-se diretamente para sua casa, sem visitar o santuário de Alate, o que despertou suspeitas entre os habitantes. Quando estes foram saudá-lo segundo o costume politeísta, Urua rejeitou a saudação e anunciou sua conversão, convidando-os a aceitar o Islã. Apresentou-se como um dos homens mais nobres, ricos e militarmente poderosos da comunidade e argumentou que somente uma causa irresistível poderia tê-lo levado à conversão. Os taquifitas, porém, recusaram seu conselho e o atacaram. Na manhã seguinte, quando Urua proclamava o chamado à oração de uma parte elevada de sua residência, foi atingido por uma flecha. Aluaquidi registra duas tradições acerca do responsável: uma atribuía o disparo a , enquanto outra, considerada por ele mais segura, o atribuía a , dos malequitas.
A flecha atingiu uma veia e o sangramento não pôde ser contido. Quando seus parentes se armaram e os adversários também começaram a se mobilizar, Urua pediu que não combatessem por sua causa e declarou abrir mão de seu sangue para evitar um conflito. Antes de morrer, pediu que fosse sepultado junto dos muçulmanos mortos durante o cerco de Taife, e seu pedido foi atendido. Ao receber a notícia de sua morte, Maomé comparou Urua ao homem mencionado na sura Ya-Sin que convocou seu povo a Deus e foi morto. Aluaquidi registra ainda uma tradição alternativa segundo a qual Urua não teria ido a Medina, mas encontrado Maomé no caminho entre Meca e Medina, convertido-se e regressado imediatamente a Taife; o próprio Aluaquidi, contudo, declara preferir a versão segundo a qual Urua foi a Medina. Após sua morte, seu filho e seu sobrinho romperam com os habitantes de Taife, declarando que não voltariam a se associar a eles por terem matado Urua. Ambos procuraram Maomé e se converteram ao Islã, permanecendo em Medina até a chegada de uma delegação dos taquifitas no Ramadã do ano 9 A.H.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Muatibitas Categoria:Tratado de Hudaibia Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Naturais de Taife