A Expedição de Abu Ubaida ibne Aljarrá ou Saria de Abu Ubaida ibne Aljarrá (), também conhecida como Expedição de Sife Albar ou Saria de Sife Albar () e Expedição de Alcabate ou Saria de Alcabate (), foi uma expedição militar organizada por Maomé em Rajabe de 8 A.H. (novembro de 629), sob o comando de Abu Ubaida ibne Aljarrá. A designação pelo comandante permite distingui-la da Expedição de Hâmeza ibne Abede Almotalibe, realizada no primeiro ano da Hégira e também conhecida como Expedição de Sife Albar. Composta por cerca de trezentos emigrantes e ançares, a força foi enviada à costa do Mar Vermelho, embora as tradições divirjam sobre se seu objetivo era um grupo dos juainaítas ou uma caravana dos coraixitas. A expedição tornou-se conhecida sobretudo pela grave escassez de alimentos enfrentada pelos participantes. Depois de consumirem as provisões disponíveis e recorrerem ao alcabate, alimento vegetal normalmente destinado aos camelos, os expedicionários encontraram na praia um enorme animal marinho, do qual se alimentaram por vários dias. A força regressou a Medina sem entrar em combate.

Expedição

Em Rajabe de 8 A.H. (novembro de 629), Maomé enviou uma força de trezentos homens, composta por emigrantes e ançares, sob o comando de Abu Ubaida ibne Aljarrá em direção à costa do Mar Vermelho. Segundo Aluaquidi, o contingente marchou a pé, dispondo apenas de alguns camelos para transportar as provisões, e tinha como destino um grupo dos juainaítas estabelecido na região costeira. As fontes apresentam, contudo, versões diferentes acerca do objetivo da operação. Enquanto Aluaquidi e Ibne Sade relacionam a expedição aos juainaítas, outras tradições afirmam que a força havia sido enviada para acompanhar ou interceptar uma caravana dos coraixitas. A operação ficou conhecida como Expedição de Sife Albar, em referência à região costeira em que ocorreu, e também como Expedição de Alcabate, denominação relacionada ao alimento consumido pelos expedicionários durante a escassez de provisões. Durante a marcha, o contingente foi atingido por uma grave escassez de alimentos. Abu Ubaida ordenou que as provisões restantes fossem reunidas e distribuídas entre os homens, até que as tâmaras passaram a ser racionadas em quantidades muito pequenas. Segundo a tradição transmitida por Aluaquidi através de Jabir ibne Abedalá, chegou-se a repartir frações de uma única tâmara, cuja perda era então lamentada pelos combatentes.

Sem montarias suficientes e enfraquecidos pela fome, os homens passaram ainda a consumir alimento espinhoso destinado aos camelos, que lhes feria a boca. A situação tornou-se tão grave que alguns temiam não possuir forças para enfrentar o inimigo caso ocorresse um combate. Diante da escassez, Caice ibne Sade procurou obter alimento para o exército. Encontrou um juainaíta disposto a vender-lhe camelos e identificou-se como filho de Sade ibne Ubada, cuja reputação era conhecida pelo vendedor. Caice comprou cinco camelos, comprometendo-se a pagar em Medina duas medidas de tâmaras por cada animal. Omar ibne Alcatabe recusou-se a servir como testemunha da transação, argumentando que Caice não possuía recursos próprios e estava assumindo uma dívida que dependeria dos bens de seu pai. O juainaíta, porém, confiou que Sade honraria o compromisso do filho. Caice passou então a abater os animais para alimentar os expedicionários, sacrificando um por dia durante três dias. Quando se preparava para continuar, Abu Ubaida proibiu-o de abater os restantes, considerando que ele estava comprometendo recursos que não lhe pertenciam; Omar apoiou a decisão do comandante.

A situação mudou quando os expedicionários encontraram na praia um enorme animal marinho lançado pelo mar. Segundo Jabir ibne Abedalá, tratava-se de um peixe de tamanho comparável a uma pequena montanha, do qual os homens se alimentaram durante doze noites. As tradições preservadas por Aluaquidi enfatizam suas dimensões extraordinárias: Abu Ubaida teria mandado erguer uma de suas costelas e conseguido passar montado sob ela sem tocá-la, enquanto outro relato afirma que um homem podia sentar-se na cavidade de um de seus olhos e que um cavaleiro conseguia passar entre duas de suas costelas. O animal forneceu alimento suficiente para aliviar a fome do contingente e permitiu que a expedição prosseguisse sem que fosse necessário abater os dois camelos que ainda restavam a Caice. Depois do retorno a Medina, Sade ibne Ubada soube das medidas tomadas pelo filho durante a fome e aprovou sua decisão de abater os camelos para alimentar os homens. Quando o credor juainaíta chegou à cidade, Sade cumpriu a obrigação assumida por Caice, pagando-lhe as tâmaras devidas e concedendo-lhe ainda uma montaria e roupas. Sade também colocou bens à disposição do filho. A conduta de Caice foi posteriormente relatada a Maomé, que elogiou a generosidade de sua família. A expedição terminou sem que ocorresse combate.

Bibliografia

Categoria:Expedições ordenadas por Maomé Categoria:629