Nafi ibne Hurmuz (; c. 650/1–) foi um tabi e tradicionalista de Medina, conhecido sobretudo como cliente liberto de Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe. De origem incerta, possivelmente persa ou berbere, permaneceu durante mais de trinta anos junto de Ibne Omar e tornou-se um dos principais transmissores de suas tradições. Recebeu hádices também de vários companheiros de Maomé, entre eles Aixa, Abuçaíde Alcudri, Abu Huraira e Ume Salama, e teve entre seus discípulos alguns dos mais importantes estudiosos das gerações seguintes, como Maleque ibne Anas, Ibne Xiabe Azuri, Ibne Isaque e .
Considerado um transmissor confiável pelos estudiosos de hádice, Nafi ocupa posição particularmente importante nas cadeias de transmissão: Albucari considerava Maleque–Nafi–Ibne Omar a mais autêntica, enquanto a cadeia Axafii–Maleque–Nafi–Ibne Omar ficou conhecida como a "cadeia de ouro". Além de sua atividade em Medina, foi enviado pelo califa Omar ibne Abedalazize ao Egito para ensinar a suna e ao Iêmem, onde atuou como coletor do zacate. Morreu em 117 A.H. (735), embora outras datas sejam registradas pelas fontes.
Vida
Nafi ibne Hurmuz teria nascido por volta de 30 A.H. (650–651). As fontes divergem sobre sua origem, atribuindo-lhe ascendência persa ou berbere. Segundo diferentes tradições, teria sido capturado ainda jovem durante a conquista de alguma região ou cidade do Oriente, mencionando-se Coração, Nixapur, Dailão, Talecã e Cabul. Na divisão dos despojos, teria cabido a Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, embora outra tradição afirme que este o comprou. Criado sob a proteção de Ibne Omar, tornou-se conhecido como seu cliente (mawlā Ibn ʿUmar) e permaneceu com ele durante mais de trinta anos, sendo posteriormente libertado. Nafi transmitiu hádices sobretudo de Ibne Omar, mas também de companheiros como Aixa, Abuçaíde Alcudri, Abu Huraira e Ume Salama, além de , esposa de Ibne Omar. Entre os tabis dos quais recebeu tradições estavam e , netos de Abu Becre, e os filhos de Ibne Omar, , , e . Entre aqueles que receberam hádices de Nafi estavam Ibne Xiabe Azuri, Abu Isaque Açabii, Humaide Atauil, Ibne Juraije, Abedalá ibne Aune e Abederramão ibne Abi Laila.
Entre seus discípulos mais conhecidos figuraram Maleque ibne Anas, Aiube Açaquetiani, , , , , Ibne Isaque, e . Seus filhos , e também transmitiram suas tradições. Segundo Maleque ibne Anas, por não ser árabe, Nafi apresentava dificuldades de pronúncia do árabe. O califa Omar ibne Abedalazize enviou-o ao Egito para ensinar a suna à população e, em outra ocasião, ao Iêmem, onde exerceu a função de coletor do zacate. Nafi morreu em 117 A.H. (735), embora as fontes também forneçam os anos 116, 119 e 120 A.H. para sua morte.
Atividade como tradicionalista
Algumas práticas adotadas por Nafi na transmissão de hádices foram posteriormente reconhecidas como métodos da ciência do hádice. Possuía uma sahifa que reunia tradições ouvidas de Ibne Omar e admitia que, quando esse material lhe fosse lido pelo método de arde, as tradições pudessem ser transmitidas empregando-se a fórmula haddathanā, utilizada para indicar a audição direta do mestre. Também ditava hádices aos discípulos, alguns dos quais possuíam sahifas contendo tradições recebidas dele. Ao saber que seus alunos haviam registrado por escrito os hádices que transmitira, Nafi desejava examinar e corrigir essas cópias, prática posteriormente apresentada como exemplo dos métodos de confrontação e comparação com o exemplar original. Em contrapartida, quando lhe propuseram corrigir erros gramaticais existentes nas tradições, recusou-se, afirmando que transmitia aquilo que havia ouvido tal como o recebera.
As tradições de Nafi foram incorporadas às seis principais coleções canônicas de hádice e a numerosas outras compilações. , Amade ibne Hambal, Alboácem Alijeli, Anaçai e Ibne Sade consideraram-no um transmissor confiável (tiqa), e Nafi foi contado entre os principais imames dos tabis de Medina. Albucari considerava a cadeia de transmissão Maleque–Nafi–Ibne Omar a mais autêntica, enquanto estudiosos do hádice qualificaram a cadeia Axafii–Maleque–Nafi–Ibne Omar como a "cadeia de ouro". Maleque teria afirmado que, ao ouvir uma tradição transmitida por Nafi, não considerava necessário preocupar-se em recebê-la de outro transmissor, enquanto registrou existir consenso entre os estudiosos acerca de sua confiabilidade. A alegação de de que Nafi teria perdido suas faculdades mentais na velhice não foi aceita pelos estudiosos posteriores.
Bibliografia
Categoria:Tabis (islamismo) Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui