Midria (São Paulo, 1999) é uma poeta, escritora e slammer brasileira. Nascida e criada na zona leste de São Paulo, iniciou sua trajetória literária em saraus e posteriormente passou a participar de competições de poesia falada. Tornou-se conhecida por poemas que abordam identidade racial, racismo, gênero, afetividade e experiências de mulheres negras. Entre suas obras estão A menina que nasceu sem cor, Cartas de amor para mulheres negras e Desamada: um corpo à espera do amor.

Biografia

Midria da Silva Pereira nasceu e cresceu no bairro Recanto Verde do Sol, no distrito de Iguatemi, zona leste de São Paulo. Seu primeiro contato com a poesia ocorreu ainda na infância, por meio de atividades escolares. Durante a adolescência, participou de projetos de leitura e passou a frequentar o Sarau do Vale, realizado em seu bairro. Segundo a autora, o contato com outros escritores e com textos sobre raça, gênero e classe contribuiu para que reconhecesse a possibilidade de transformar suas próprias experiências em matéria poética.

Em 2017, ingressou no curso de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP) e começou a participar de slams. Atuou no Slam USPerifa e participou do Campeonato Paulista de Poesia Falada (SLAM SP), representando o ZAP! Slam. Também participou da organização de atividades que levaram a cultura do slam para o ambiente universitário.

Em 2018, sua poesia A menina que nasceu sem cor ganhou repercussão após ser apresentada no programa Manos e Minas, da TV Cultura. O poema aborda questões relacionadas à identidade racial e ao processo de reconhecimento de sua negritude. Em 2019, o R7 informou que a obra havia alcançado mais de 7 milhões de pessoas por meio de vídeos publicados em redes sociais.

Midria também foi vencedora do concurso Poesia que Pulsa, promovido pelo Slam das Minas SP, e participou da coletânea Empoderamento Feminino, publicada pela Autonomia Literária.

Obras

O primeiro livro de Midria, A menina que nasceu sem cor, foi publicado em 2020. A obra surgiu a partir do poema homônimo e aborda o processo de construção da identidade racial de uma menina negra. O livro recebeu também uma versão voltada ao público infantil, com ilustrações de Ana Teixeira.

Em 2022, publicou Cartas de amor para mulheres negras, pela editora Jandaíra. A coletânea procura abordar o afeto, a cura e a felicidade como contraponto às representações centradas no sofrimento de mulheres negras. A obra foi lançada durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em um período em que Midria também ganhou maior projeção no circuito literário.

Em 2023, lançou Desamada: um corpo à espera do amor, pelo selo Rosa dos Tempos, do Grupo Record. O livro aborda a solidão e as experiências afetivas de mulheres negras, combinando poesia falada, referências culturais e reflexões sobre relações amorosas e desejo.

Flip e projeção nacional

A participação de Midria na Flip de 2022 marcou uma ampliação de sua projeção no cenário literário brasileiro. Ela participou de uma mesa com o ator e escritor Lázaro Ramos e a poeta portuguesa Alice Neto de Sousa, na qual apresentou poemas de sua autoria. Sua performance recebeu destaque da imprensa e foi descrita como um dos momentos de maior repercussão daquela edição do festival.

Após a participação na Flip, Midria assinou contrato com o Grupo Record. O acordo previa a publicação de Desamada pelo selo Rosa dos Tempos, sua estreia em uma editora de grande porte.

Atuação artística

Além da publicação de livros, Midria desenvolve trabalhos ligados à poesia falada e às performances. Em 2023, circulava com o espetáculo A Menina que Nasceu sem Cor, baseado em sua obra homônima e apresentado em casas de cultura.

Sua produção poética é marcada pela combinação entre oralidade e escrita e aborda temas como identidade racial, racismo, gênero, afetividade, solidão e experiências de mulheres negras. A autora também relaciona sua formação artística à tradição dos saraus e dos slams das periferias de São Paulo.

Formação acadêmica

Midria graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Em 2023, cursava mestrado em Antropologia Social na mesma universidade.