Mujaíde ibne Jabre (), cujo nome completo era Abu Alhajaje Mujaíde ibne Jabre Almaqui Almaquezumi (; –), foi um exegeta, tradicionalista e jurista muçulmano da geração dos tabis, considerado uma das principais autoridades da primeira tradição de exegese do Alcorão em Meca. Maula dos maquezumitas, estudou com numerosos companheiros de Maomé, destacando-se entre seus mestres Abedalá ibne Abas, de quem recebeu grande parte de sua formação exegética. Após a morte de Ibne Abas, assumiu suas aulas de exegese e tornou-se um dos principais representantes da escola exegética de Meca.

A exegese de Mujaíde combinava a interpretação do Alcorão pelo próprio texto e pela suna com o recurso à poesia da Jailia, às circunstâncias da revelação, às tradições judaicas e cristãs e ao raciocínio. Suas interpretações exerceram ampla influência sobre estudiosos posteriores e foram utilizadas por autores como Axafii e Albucari, além de transmitidas por discípulos como Alamaxe e Ibne Juraije. Mujaíde também se destacou na transmissão de hádices e na jurisprudência e tornou-se uma autoridade para a emissão de pareceres jurídicos em Meca. A tradição exegética atribuída a ele foi preservada em numerosas obras posteriores e numa compilação conhecida como Tafsīr Mujāhid, cuja forma atualmente existente é geralmente considerada uma reunião de material transmitido por seus discípulos.

Vida

Mujaíde ibne Jabre nasceu em Meca em 21 A.H. (642). Seu nome completo era Abu Alhajaje Mujaíde ibne Jabre Almaqui Almaquezumi. Era maula de , dos maquezumitas, de quem derivava sua nisba Almaquezumi. Pertencia à geração dos tabis e teve contato com numerosos companheiros de Maomé, entre os quais Abedalá ibne Abas, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, Abedalá ibne Maçude, Ali ibne Abi Talibe, Sade ibne Abi Uacas, Abu Huraira, Aixa e Abedalá ibne Azobair. Entre eles, Ibne Abas ocupou posição especialmente importante em sua formação, sobretudo no campo da exegese do Alcorão. Mujaíde afirmou ter recitado o Alcorão diante dele trinta vezes e, em três delas, ter percorrido todo o texto detendo-se em cada versículo para interrogá-lo acerca de seu significado e das circunstâncias de sua revelação. Depois da morte de Ibne Abas, Mujaíde assumiu posição de destaque entre os estudiosos de Meca e tornou-se um dos principais representantes da tradição exegética associada a seu mestre.

Entre aqueles que receberam conhecimento ou transmitiram tradições por sua autoridade estiveram , Atá ibne Abi Rabá, Catada ibne Diama, Anre ibne Dinar e Alamaxe. No campo das leituras do Alcorão, transmitiu também a e Abu Anre ibne Alalá, posteriormente incluídos entre os sete leitores canônicos. O interesse de Mujaíde pela interpretação do Alcorão levou-o também a viajar para investigar lugares associados às narrativas corânicas. Segundo as tradições, foi à Babilônia com o objetivo de obter informações acerca de e viajou à Hadramaute para conhecer o , mencionado em relatos transmitidos em seu meio. Essas viagens foram posteriormente lembradas como demonstrações de seu esforço para esclarecer diretamente questões relacionadas à exegese. Mujaíde morreu em Meca em 103 A.H. (721), aos 82 anos.

Exegese do Alcorão

Mujaíde foi uma das principais autoridades da primeira tradição exegética de Meca e sua reputação nesse campo foi reconhecida por estudiosos das gerações seguintes. Sufiane Atauri recomendava que, quando uma interpretação do Alcorão fosse transmitida por Mujaíde, ela seria suficiente, enquanto Catada ibne Diama o considerava a pessoa de sua época que melhor conhecia a exegese. Sua influência alcançou também autores posteriores: Axafii recorreu às suas interpretações e Albucari incorporou numerosas tradições exegéticas transmitidas por sua autoridade. Seu método exegético baseava-se primeiramente na interpretação do Alcorão por meio do próprio Alcorão e, em seguida, na suna. Mujaíde recorria também às circunstâncias da revelação dos versículos, à poesia da Jailia e a informações provenientes das tradições judaicas e cristãs, posteriormente conhecidas como isrāʾīliyyāt. Além dessas fontes, empregava o próprio raciocínio na interpretação de determinados versículos. Esse recurso à opinião pessoal provocou críticas de alguns de seus contemporâneos, embora sua autoridade como exegeta tenha permanecido elevada. Mujaíde dedicou particular atenção ao significado das palavras e expressões do texto corânico e transmitiu numerosas explicações recebidas de Ibne Abas. Suas interpretações abrangiam igualmente questões jurídicas, narrativas sobre profetas e povos anteriores, escatologia e passagens cujo significado não era imediatamente evidente. A tradição exegética transmitida por ele tornou-se um dos componentes fundamentais da escola de Meca e alcançou as grandes compilações posteriores sobretudo através de seus discípulos.

Hádice e jurisprudência

Além da exegese, Mujaíde recebeu hádices e conhecimentos jurídicos de diversos companheiros de Maomé. Foi considerado um transmissor confiável pelos estudiosos da crítica do hádice, e suas tradições foram incorporadas às seis principais coleções canônicas. Sua proximidade com Ibne Abas e outros companheiros fez dele um importante elo na transmissão do conhecimento religioso da primeira geração para os estudiosos de Meca das gerações seguintes. No fiqh, suas opiniões abrangiam diferentes questões de culto e relações sociais e foram transmitidas por seus discípulos juntamente com seu material exegético. Sua atividade intelectual não estabelecia uma separação rígida entre exegese, hádice e jurisprudência: a interpretação dos versículos frequentemente fornecia a base para suas posições jurídicas, enquanto tradições atribuídas a Maomé e aos companheiros eram utilizadas para esclarecer tanto o texto corânico quanto suas implicações práticas.

Obra

Mujaíde teria registrado por escrito a exegese que recebeu de Ibne Abas e também transmitiu suas próprias interpretações aos discípulos, algumas delas por ditado. Entre os principais responsáveis pela preservação e difusão de seu material exegético estiveram , Alamaxe e Ibne Juraije. Por meio dessas linhas de transmissão, grande quantidade de material atribuído a Mujaíde foi incorporada às obras de exegetas posteriores. Uma compilação conhecida como Tafsīr Mujāhid chegou aos tempos modernos sob seu nome. A obra, contudo, não corresponde necessariamente a um livro redigido diretamente por Mujaíde, sendo considerada uma reunião de suas interpretações transmitidas por discípulos. A autenticidade da tradição textual preservada também foi objeto de discussão: İsmail Cerrahoğlu levantou dúvidas quanto à possibilidade de atribuir diretamente a Mujaíde todo o material contido no manuscrito que serviu de base às edições modernas. Independentemente da atribuição do texto preservado em sua forma atual, numerosas interpretações de Mujaíde sobreviveram em diferentes cadeias de transmissão e foram incorporadas às principais obras exegéticas posteriores.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do século VII Categoria:Maquezumitas Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Tabis (islamismo)