Solimão ibne Harbe (; Baçorá, – ), nome completo Abu Aiube Solimão ibne Harbe ibne Bajil Aluaxii Alazedi Albáceri (), foi um tradicionalista e cádi muçulmano do . Pertencente aos , ramo dos azeditas estabelecido em Baçorá, estudou hádice com destacados estudiosos de sua época, sobretudo Xuba ibne Alhajaje e Hamade ibne Zaíde. Em 829, foi nomeado cádi de Meca pelo califa Almamune , cargo que exerceu até 834, quando retornou a Baçorá.
Considerado uma autoridade na transmissão e crítica do hádice, Solimão foi reputado como transmissor confiável por estudiosos como Iáia ibne Maine, Amade ibne Hambal, Anaçai e Abu Hatime Arrazi. Entre seus numerosos discípulos estiveram Ibne Sade, Amade ibne Hambal, Albucari, Abu Daúde do Sijistão, Abu Zura Arrazi e Hambal ibne Isaque, e suas transmissões foram incorporadas aos Seis Livros. Também se destacou por seu conhecimento da crítica dos transmissores e do fiqh e adquiriu reputação por sua memória e pelo desapego aos bens materiais.
Biografia
Solimão ibne Harbe nasceu em Safer de 140 A.H. (julho de 757) e pertencia aos , ramo dos azeditas estabelecido em Baçorá. Segundo seu próprio relato, começou a estudar hádice em 158 A.H. (775), frequentando inicialmente as aulas de Xuba ibne Alhajaje. Após a morte deste, estudou durante dezenove anos com Hamade ibne Zaíde e, depois da morte de Hamade, transmitiu hádices de Hamade ibne Salama, e Bixer ibne Mançor, entre outros tradicionalistas. Numerosos estudiosos transmitiram hádices sob sua autoridade, entre eles Ibne Sade, Amade ibne Hambal, Iáia ibne Saíde Alcatane, Albucari, Abu Daúde do Sijistão, , Aduli, , , , , , Abu Zura Arrazi, Abu Hatime Arrazi, , Hambal ibne Isaque e .
Solimão era também conhecido por seu desapego aos bens materiais. Segundo um relato, quando atravessava dificuldades financeiras soube da morte de um parente que deixara uma herança de 20 mil dirrãs; em vez de reivindicá-la, indicou outra pessoa que considerava possuir parentesco mais próximo com o falecido e declarou que a herança lhe pertencia. Em 214 A.H. (829), o califa Almamune nomeou Solimão cádi de Meca. Permaneceu no cargo até 219 A.H. (834), quando foi destituído e retornou a Baçorá. Morreu ali em 25 de Rabi II de 224 A.H. (16 de março de 839), embora também se tenha afirmado que sua morte ocorreu nos dias 23 ou 27 do mesmo mês.
Atividade como tradicionalista
Solimão alcançou elevada reputação entre os estudiosos do hádice. Abu Hatime Arrazi considerava-o um imame do hádice superior a , destacando que não praticava , era capaz de avaliar criticamente os transmissores e possuía conhecimento do conteúdo jurídico dos hádices. Abu Hatime relatou ainda ter assistido a uma sessão de transmissão conduzida por Solimão em Baguedade, junto ao palácio de Almamune, à qual teriam comparecido cerca de 40 mil pessoas. Segundo o mesmo relato, o califa abriu uma porta do palácio e, oculto por uma cortina, registrou pessoalmente os hádices ditados durante a sessão. Também se afirmava que Solimão possuía memória suficientemente poderosa para transmitir cerca de 10 mil hádices sem consultar material escrito. Ibne Sade, Iáia ibne Maine, Amade ibne Hambal, Anaçai, Alboácem Alijeli e Abu Hatime Arrazi qualificaram-no como transmissor confiável, enquanto registrou que transmitia os hádices pelo sentido, e não necessariamente por sua formulação literal. Suas transmissões foram incorporadas aos Seis Livros, e Solimão também ocupou posição de destaque na crítica dos transmissores e no fiqh.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Baçorá Categoria:Azeditas Categoria:Cádi (juiz) Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Árabes do século IX Categoria:Pessoas do Califado Abássida