Ruy Madsen Barbosa (Campinas, 15 de julho de 1931 — Campinas, 6 de julho de 2017) foi um matemático, professor universitário e educador matemático brasileiro. Doutor em Ciências Matemáticas pela Universidade Católica de Campinas (1961) e livre-docente pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (1965), foi um dos fundadores do Grupo de Estudos do Ensino da Matemática (GEEM), principal divulgador do Movimento da Matemática Moderna no Brasil, e é considerado o introdutor do ensino de matrizes no curso colegial brasileiro. Professor titular da Universidade Estadual Paulista (UNESP), foi um dos organizadores do curso de Matemática de Araraquara e fundador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Combinatória (GEPC) de São José do Rio Preto.

Autor de dezenas de livros didáticos, de matemática aplicada e de matemática recreativa, sua produção acompanhou os principais movimentos do ensino de Matemática no país — da Matemática Moderna à resolução de problemas, aos padrões geométricos, ao uso de tecnologia e à matemática recreativa. Foi diretor regional da Sociedade Brasileira de Educação Matemática em São Paulo (SBEM-SP) por duas gestões. Seu acervo pessoal, doado pela família em 2017, constitui o Acervo Pessoal Ruy Madsen Barbosa, do Grupo História Oral e Educação Matemática (GHOEM) da UNESP de Bauru.

Biografia Formação Filho de Ataliba Cerqueira Barbosa, ferroviário, e de Amélia Madsen Barbosa, descendente de dinamarqueses, Ruy Madsen Barbosa nasceu em Campinas em 1931. Estudou no Colégio Estadual Culto à Ciência e, à noite, fez cursos técnicos de desenho mecânico e arquitetônico na Escola de Desenho e Tecnologia de Campinas, chegando a lecionar desenho e perspectiva. Em 1951 ingressou no curso de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica de Campinas (UCC, atual PUC-Campinas), onde se bacharelou em 1953 e se licenciou em 1954; ainda estudante, foi convidado a lecionar Desenho Técnico no curso de Formação de Professores de Trabalhos Manuais da mesma universidade.

Doutorou-se em Ciências Matemáticas pela UCC em 1961, sob orientação de Arnaldo Nora Antunes, com a tese Probabilidades como algoritmo demonstrativo do cálculo combinatório e binômio de Vandermonde e aplicações, e obteve a livre-docência em Cálculo Numérico e de Observações na FFCL de Araraquara em 1965, com a tese Contribuição ao problema de Hitchcock-Kantorovich-Koopmans. Em 1961 cursou Estruturas Finitas da Matemática na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com George Springer, da Universidade do Kansas.

Magistério secundário e Matemática Moderna Aprovado em primeiro lugar nos concursos de ingresso ao magistério estadual paulista de 1955 e 1956, lecionou em Tietê e em Boituva até 1960. Em 1960, por indicação de Osvaldo Sangiorgi, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, um dos institutos isolados de ensino superior do estado de São Paulo, posteriormente incorporados à UNESP.

Em 1961 tornou-se membro fundador do GEEM, integrando sua primeira diretoria. Sua contribuição ao grupo concentrou-se em três frentes: a introdução das matrizes no curso colegial — texto experimentado em escolas de Araraquara, aprovado no IV Congresso Brasileiro do Ensino da Matemática (Belém, 1962) e publicado em Matemática Moderna para o Ensino Secundário —, um novo método de extração da raiz quadrada, publicado na Gazeta de Matemática (1965), e uma nova orientação para o ensino da combinatória e das probabilidades, com o livro Combinatória e Probabilidades (GEEM, 1964). Fundou em Araraquara o CRAEM — Centro Regional de Aperfeiçoamento do Ensino de Matemática — e participou, com o GEEM, da elaboração de propostas de ensino para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Pesquisadores da história da educação matemática o classificam como um dos experts do Movimento da Matemática Moderna no Brasil e como pioneiro do ensino de matrizes no secundário.

Carreira universitária Na FFCL de Araraquara (1960–1978) foi professor regente da cadeira de Análise Algébrica e Infinitesimal, Geometria e Cálculo Numérico, professor titular a partir de 1970, chefe do Departamento de Matemática e Estatística e um dos organizadores do curso de Matemática, criado em 1966. Orientou os doutorados de Antonio Espada Filho (1968) e Douglas Peres Bellomo (1974). Em 1978 transferiu-se para o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE) da UNESP, em São José do Rio Preto, onde chefiou o Departamento de Análise Numérica e Estatística, coordenou o Grupo de Estudos e Pesquisas em Combinatória (GEPC), responsável pelos Simpósios de Combinatória realizados anualmente entre 1979 e 1985, e foi diretor-fundador da Revista de Matemática e Estatística da UNESP. Aposentou-se como professor titular em 1986.

Após a aposentadoria foi professor colaborador do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP em Rio Claro (1987–1988), docente do Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP, 1994–1999), onde dirigiu a revista Universitas, do Centro Universitário de Araraquara (Uniara, 2000) e da FAFICA de Catanduva (2001–2005), onde coordenou o Grupo Geoplano de Estudo e Pesquisa (GGEP) e o Grupo de Estudo e Pesquisa em Jogos (GEP-J). Coorientou o doutorado de Claudemir Murari sobre caleidoscópios no ensino de geometria (UNESP, 1999). Foi diretor regional da SBEM-SP por duas gestões.

Morte e legado Morreu em Campinas em 6 de julho de 2017, aos 85 anos. Em novembro do mesmo ano a família doou parte de seu acervo ao Acervo de Livros Antigos do GHOEM, na Faculdade de Ciências da UNESP de Bauru. O Acervo Pessoal Ruy Madsen Barbosa reúne mais de mil itens publicados entre 1919 e 2014 — entre eles 711 livros catalogados, 55 de sua autoria — e tem sido objeto de dissertações, teses e projetos de extensão sobre a história da formação de professores de Matemática no Brasil.

Obra Segundo o próprio autor, publicou 26 livros até a aposentadoria e cerca de 35 até 2014, além de mais de uma centena de artigos e comunicações científicas. Sua produção divide-se em obras de matemática aplicada e didáticas (até 1980), obras voltadas à formação de professores e ao ensino (anos 1980) e, a partir de 1993, obras ligadas à matemática recreativa. Foi também autor de materiais pedagógicos manipuláveis (Caleidostróton, Kit Calei), jogos educacionais e CD-ROMs, com uma patente de "disposição em artefato lúdico" depositada em 1996.

Livros De autoria própria Iniciação à estatística. São Paulo: Revista Matemática Editora, [c. 1957]; 2. ed. 1963. Um curso moderno elementar de análise combinatória. Araraquara: FFCL de Araraquara, 1963. Combinatória e probabilidades. São Paulo: GEEM / LPM, 1964. (Série Professor, n. 5) Um curso moderno elementar de geometria analítica, com introdução simultânea à programação linear. São Paulo: LPM, 1965. Matemática, metodologia e complementos para professores primários. 3 v. São Paulo: LPM, 1966; Nobel, 1967–1969. (v. 1: Aritmética teórico-prática; v. 2: Metodologia da aritmética e geometria; v. 3: Complementos, recreações e problemas de aritmética) Geometria analítica moderna (plana). São Paulo: Nobel, 1967. (4. ed. 1971) Elementos de lógica aplicada ao ensino secundário. São Paulo: Nobel, 1967. Estatística elementar (estatística descritiva). São Paulo: Nobel, 1968. (Matemática Aplicada, v. 1) Cálculo numérico: cálculos aproximados. São Paulo: Nobel, 1972. (Matemática Aplicada, v. 3) Cálculo numérico: interpolação polinomial. São Paulo: Nobel, 1972. (Matemática Aplicada, v. 4) Programação linear. São Paulo: Nobel, 1973. (Matemática Aplicada, v. 6) Fundamentos de matemática elementar (tópicos). São Paulo: Nobel, 1974. Combinatória e grafos. 2 v. São Paulo: Nobel, 1974–1975. Grupos e combinatória. São José do Rio Preto: DANE/IBILCE/UNESP, 1979. Matemática: magistério. 2 v. São Paulo: Atual, 1985–1986. Descobrindo padrões pitagóricos: geométricos e numéricos. São Paulo: Atual, 1993. (reimpr. Atual/Saraiva, 2001) Descobrindo padrões em mosaicos. São Paulo: Atual, 1993. (reimpr. Atual/Saraiva, 2000) Aprendendo com padrões mágicos. São Paulo: SBEM-SP, 2000. Descobrindo a geometria fractal: para a sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. (Coleção Tendências em Educação Matemática; 2. ed. rev. e ampl. 2005; e-book 2016) Conexões e educação matemática: brincadeiras, explorações e ações. v. 1 e 2. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. (Série O Professor de Matemática em Ação) Revisitando conexões matemáticas, com brincadeiras, explorações e materiais pedagógicos. São Paulo: L.F. Editorial, 2012. Aprendendo novas e explorando antigas conexões matemáticas educacionais. São Paulo: L.F. Editorial, 2013. Brincar com semelhança e aprender replicação. São Paulo: L.F. Editorial, 2014.

Em coautoria ou como coordenador ROCHA, Luiz Mauro; BARBOSA, Ruy Madsen; DI PIERRO NETTO, Scipione. Curso colegial moderno: matemática. v. 1. São Paulo: IBEP, 1967. ROCHA, Luiz Mauro; BARBOSA, Ruy Madsen. Curso colegial moderno: matemática. v. 2 e 3. São Paulo: IBEP, 1968–1970. ROCHA, Luiz Mauro; BARBOSA, Ruy Madsen. Curso ginasial moderno: matemática. 4 v. São Paulo: IBEP, 1970–1971. ROCHA, Luiz Mauro; BARBOSA, Ruy Madsen. Aulas de matemática: segundo grau, primeiro livro. São Paulo: IBEP, 1972. BARBOSA, Ruy Madsen; GUIMARÃES, A. C. Métodos numéricos em sistemas lineares. São Paulo: Nobel, 1972. (Matemática Aplicada, v. 2) BARBOSA, Ruy Madsen; ESPADA FILHO, Antonio; BELLOMO, Douglas Peres. Cálculo de diferenças finitas. São Paulo: Nobel, 1973. (Matemática Aplicada, v. 5) MURARI, Claudemir; BARBOSA, Ruy Madsen. Conexões e educação matemática: belas formas em caleidoscópios, caleidosciclos e caleidostrótons. v. 3. Belo Horizonte: Autêntica, 2012. (Série O Professor de Matemática em Ação) GRUPO GEOPLANO DE ESTUDO E PESQUISA (GGEP); BARBOSA, Ruy Madsen (coord.). Geoplanos e redes de pontos: conexões e educação matemática. v. 4. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. (Série O Professor de Matemática em Ação) GRUPO DE ESTUDO E PESQUISA JOGATINA MATEMÁTICA PEDAGÓGICA (G-JOMAP); BARBOSA, Ruy Madsen (coord.). Revisitando conexões com jogos: pensamos, aprendemos e divertimo-nos. São Paulo: L.F. Editorial, 2013. GRUPO DE ESTUDO E PESQUISA EM JOGOS (GEP-J); BARBOSA, Ruy Madsen (coord.); FERRAREZI, Luciana Aparecida; MENINO, Fernanda dos Santos. Aprendo com jogos: conexões e educação matemática. v. 5. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. (Série O Professor de Matemática em Ação)

Artigos selecionados Determinação do número de imagens para espelhos planos. Atualidades Pedagógicas, n. 40, p. 5-8, 1957. Introdução elementar de matrizes no curso colegial. In: GEEM. Matemática moderna para o ensino secundário. São Paulo: GEEM/LPM, 1962, p. 207-242 (2. ed. 1965). Um novo método numérico de extração de raiz quadrada. Gazeta de Matemática, Lisboa, n. 98-99, p. 5-12, 1965. Sequência de 3 aulas-modelo: combinatória e probabilidades. Anais do V Congresso Brasileiro do Ensino da Matemática, 1966, p. 54-63. Cycle index of symmetric group, direct proofs and determinant form. Naturalia, São José do Rio Preto, n. 4, p. 55-60, 1978. Partições com parcelas permitidas 1, 2 e 3 com restrições para o número de tipos de parcelas. Boletim da SBMAC, v. 4, n. 2, p. 26-39, 1984. Sobre partições usuais de conjuntos e partições com k etiquetas. Revista de Matemática e Estatística, UNESP, n. 4/5, p. 7-19, 1986. Padrões para ternos pitagóricos primitivos. Boletim GEPEM, n. 21, p. 48-51, 1991. (com C. Murari) Um ensaio metodológico sobre a congruência e não congruência de triângulos. Bolema, Rio Claro, n. 8, p. 68-82, 1992; n. 9, p. 47-65, 1993. Como encontrar quadras de números inteiros para a diagonal do paralelepípedo? Revista do Professor de Matemática, SBM, n. 21, p. 26, 1992. Replicação de polígonos: um notável recurso para a educação matemática. Boletim de Matemática da FURB, n. 31, p. 6-14, 1994.