Ume Mabade (), nome pelo qual ficou conhecida Ática binte Calide (), foi uma mulher árabe dos cabitas, ramo dos cuzaaítas, conhecida sobretudo por seu encontro com Maomé durante a Hégira de Meca para Medina. Vivia com o marido nas proximidades de Cudaide, onde costumava oferecer ou vender alimentos e bebidas aos viajantes que passavam pela região. Segundo a tradição islâmica, Maomé e seus companheiros pararam em sua tenda durante a viagem e, diante da escassez de alimentos causada pela seca, o profeta teria feito uma ovelha ou cabra que não produzia leite dar leite em abundância. Após sua partida, Ume Mabade descreveu minuciosamente a aparência do visitante ao marido. Seu relato tornou-se uma das mais difundidas descrições físicas de Maomé e foi incorporado à literatura dedicada à aparência do profeta. Ume Mabade posteriormente se converteu ao Islã, embora as tradições divirjam quanto ao momento de sua conversão, e viveu pelo menos até o califado de Otomão .
Vida
Ume Mabade, cujo nome era Ática binte Calide, pertencia aos cuzaaítas, mais especificamente ao ramo dos cabitas. Casou-se com seu primo Tamime ibne Abede Aluzá ibne Munquide, conhecido como Abu Aljaune ou Aljaune, embora algumas fontes identifiquem seu marido como Aquetame ibne Abi Aljaune. O casal vivia em Cudaide, localidade situada entre Meca e Medina. Ume Mabade era conhecida por sua generosidade, habilidade e determinação e costumava permanecer diante de sua tenda, onde oferecia ou vendia alimentos e bebidas aos viajantes que passavam pela região. Ume Mabade e seu marido teriam se convertido ao Islã depois de seu encontro com Maomé, passando posteriormente a visitar Medina para vender seus animais. As tradições divergem quanto ao momento de sua conversão. Segundo Aluaquidi, Ume Mabade tornou-se muçulmana quando recebeu Maomé em sua tenda, enquanto outros estudiosos afirmam que ela e o marido abraçaram o Islã algum tempo depois e emigraram.
Outra tradição relata que, durante uma visita a Medina, Ume Mabade foi conduzida por Abu Becre à presença de Maomé, a quem ofereceu presentes trazidos de sua aldeia, convertendo-se nessa ocasião. Segundo seu próprio relato, em 23 A.H. (644), Ume Mabade participou de uma peregrinação acompanhada pelo califa Omar e pelas esposas de Maomé. Ao chegarem ao lugar onde ela havia recebido Maomé durante a Hégira, recordou emocionada diante do grupo os acontecimentos ocorridos naquele local. Há ainda registros de que recebia auxílio do Baite Almal e de que suas necessidades eram atendidas pessoalmente pelo califa Otomão . Essas notícias indicam que viveu pelo menos até o califado de Otomão, embora a data de sua morte seja desconhecida. Ume Mabade teve dois filhos, Mabade e Nadra, cujo nome também é registrado nas formas Bácera e Nácera, e uma filha chamada Caldia; algumas fontes mencionam ainda outro filho, Hunaida.
Encontro com Maomé
O episódio pelo qual Ume Mabade se tornou conhecida ocorreu durante a Hégira, quando Maomé, viajando de Meca para Medina pela rota costeira, chegou a Cudaide e parou em sua tenda, situada nos arredores da localidade, a cerca de 120 quilômetros de Meca. O lugar ficou posteriormente conhecido como Tenda de Ume Mabade. O episódio foi transmitido por diferentes narradores, entre eles Hubaixe, irmão de Ume Mabade, seu marido Abu Mabade, Salite Alançari, Jabir ibne Abedalá, Asma binte Abi Becre e Abu Becre. Segundo essas tradições, Maomé e seus companheiros procuraram comprar carne e tâmaras de Ume Mabade, mas ela lhes informou que, em razão da seca e da escassez, não possuía nenhum dos dois alimentos. Maomé então percebeu uma ovelha — ou, segundo outras versões, uma cabra — magra junto à tenda e pediu autorização para ordenhá-la. Ume Mabade respondeu que o animal não produzia leite, mas permitiu que ele tentasse. Maomé pronunciou a bismilá, fez uma oração e começou a ordenhá-la, ocasião em que, segundo a tradição, o animal produziu leite em abundância.
Depois da partida dos viajantes, o marido de Ume Mabade chegou à tenda e ouviu dela o relato do ocorrido. Percebendo que o visitante era o homem que os coraixitas procuravam, pediu à esposa que descrevesse sua aparência. Ume Mabade fez então uma descrição detalhada de Maomé que se tornou uma das mais conhecidas representações de sua aparência física na tradição islâmica. Segundo algumas versões, Abu Mabade declarou que procuraria encontrar Maomé; outras afirmam que partiu imediatamente em seu encalço, alcançou-o, prestou-lhe baia e se converteu ao Islã. Os coraixitas que perseguiam Maomé também teriam interrogado Ume Mabade sobre a passagem de um homem com as características que procuravam. Segundo diferentes versões, ela os despistou ou deliberadamente os encaminhou em outra direção por receio de que fizessem mal a Maomé.
A descrição de Maomé atribuída a Ume Mabade alcançou ampla difusão e passou a ser transmitida, juntamente com as descrições atribuídas a Ali e Hinde ibne Abi Hala, na literatura dedicada à aparência física do profeta. Quando lhe perguntaram por que conseguira descrevê-lo de maneira mais minuciosa que os homens, Ume Mabade teria respondido que o olhar de uma mulher para um homem era mais atento que o de um homem para outro. A importância adquirida por essa descrição levou posteriormente à composição de obras especificamente dedicadas ao relato. Segundo a tradição familiar, Ume Mabade passou a chamar de “abençoado” o dia em que Maomé se hospedou em sua tenda. O episódio tornou-se conhecido entre seus familiares como o “dia do homem abençoado”, e ela teria passado a empregar os acontecimentos como referência cronológica em suas conversas, distinguindo aquilo que ocorrera “antes da chegada do homem abençoado” do que acontecera posteriormente.
Bibliografia
Categoria:Cabitas (cuzaaítas) Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Árabes do século VII Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo