Expedição de Du Carade ou Gázua de Du Carade (), também conhecida como Expedição de Algaba ou Gázua de Algaba (), foi uma expedição militar liderada por Maomé contra um grupo de fazaraítas, ramo dos gatafanitas, após um ataque às camelas leiteiras do profeta mantidas em Algaba, nas proximidades de Medina. Durante o ataque, comandado segundo uma das tradições por Uiaina ibne Hisne, Darre, filho de Abu Darre Alguifari, foi morto, Laila, esposa deste, foi capturada e vinte camelas foram levadas. A cronologia do episódio é disputada, sendo situado pelas diferentes fontes entre 6 e 7 A.H. (627–628). A perseguição foi iniciada por e continuada por uma unidade avançada de cavaleiros, à qual se seguiu a força principal comandada por Maomé. Os invasores retiraram-se em direção ao território gatafanita, sofrendo algumas baixas, enquanto dez das vinte camelas roubadas foram recuperadas. Maomé estabeleceu seu acampamento em Du Carade, local que deu à expedição sua denominação alternativa, e regressou posteriormente a Medina. Segundo uma das tradições, toda a operação durou cinco dias.

Antecedentes

Devido a uma seca e à falta de pastagens adequadas nas proximidades de Medina, vinte camelas leiteiras pertencentes a Maomé eram mantidas em Algaba, local situado na rota entre Medina e a Síria. Os animais haviam sido confiados aos cuidados de Abu Darre Alguifari. Uma noite, uma força de quarenta cavaleiros dos fazaraítas, ramo dos gatafanitas, atacou o pasto. Segundo uma das tradições, os invasores eram comandados por Uiaina ibne Hisne, embora outras versões atribuam o ataque a ou afirmem que Uiaina somente se juntou posteriormente aos atacantes; há ainda uma tradição que atribui a iniciativa a . Durante o ataque, Darre, filho de Abu Darre, que pastoreava as camelas, foi morto, enquanto Laila, esposa de Abu Darre, foi capturada e os animais foram levados pelos invasores.

Expedição

Após o ataque, um dos muçulmanos que se encontravam no local alcançou , que transportava o leite das camelas para Medina, e pediu-lhe que informasse Maomé do ocorrido. Salama entregou seu cavalo a para que levasse a notícia e subiu a , de onde observou os invasores. Conhecido por sua habilidade com o arco, perseguiu-os a pé durante algum tempo e matou alguns deles. Durante a fuga, os atacantes abandonaram pelo caminho lanças, mantos e outros objetos para prosseguirem mais rapidamente. Ao tomar conhecimento do ataque, Maomé enviou uma unidade avançada de oito cavaleiros sob o comando de e iniciou os preparativos para partir de Medina. Designou Ibne Ume Maquetume para substituí-lo na cidade e encarregou de sua defesa com uma força de 300 homens. Na perseguição, Abu Catada matou Abderramão ibne Uiaina, enquanto e foram mortos entre os muçulmanos. Há, contudo, uma versão segundo a qual apenas Muriz morreu entre os muçulmanos e quatro dos invasores foram mortos. Perseguidos por Salama e pela vanguarda muçulmana, os atacantes foram impedidos de utilizar a fonte de Du Carade e continuaram sua fuga.

Maomé deixou Medina à frente de uma força de 400 homens, embora outras tradições indiquem 500 ou 700, e estabeleceu seu acampamento numa elevação em Du Carade, onde permaneceu por um dia e uma noite. Salama e os demais integrantes da força avançada encontraram-no posteriormente junto à fonte. Das vinte camelas levadas durante o ataque, apenas dez foram recuperadas, além de lanças, mantos e outros objetos abandonados pelos invasores. Salama pediu autorização para prosseguir a perseguição com cem cavaleiros, mas os atacantes já haviam avançado rapidamente para seu território. Maomé elogiou a atuação de Abu Catada e Salama, qualificando o primeiro como o melhor cavaleiro e o segundo como o melhor combatente a pé da expedição. Enquanto permaneceu em Du Carade, Maomé realizou com seus homens a diante da possibilidade de um novo ataque. Quando se tornou evidente que os invasores haviam evitado enfrentar os muçulmanos e continuado sua retirada, Maomé regressou com sua força a Medina. Segundo a tradição apresentada por Algül, toda a expedição teve duração de cinco dias.

Desdobramentos

Laila, que havia sido levada pelos invasores juntamente com as camelas, conseguiu escapar durante uma parada dos captores. Montou uma das camelas e retornou por conta própria. Segundo a tradição, prometeu sacrificar o animal em agradecimento por sua fuga, mas Maomé a dissuadiu, afirmando que não se poderia fazer tal promessa envolvendo um bem que não lhe pertencia. A cronologia da Expedição de Algaba diverge nas fontes. Aluaquidi situa seu início em 3 de Rabi Atani de 6 A.H. (22 de agosto de 627), enquanto Ibne Hixame a coloca em Jumada Aluala e Ibne Sade em Rabi Aluala do mesmo ano, todos após a expedição contra os liianitas. Atabari, por sua vez, situa o episódio depois do retorno de Hudaibia, em Dulrija de 6 A.H. (abril–maio de 628) ou no início de 7 A.H. A expedição também é conhecida como Expedição de Du Carade, em razão de o exército muçulmano ter estabelecido seu acampamento nesse local durante a perseguição.

Bibliografia

Categoria:627 Categoria:Expedições lideradas por Maomé Categoria:Fazaraítas