Sauda binte Zama (; m. 644 ou 674) foi uma das esposas de Maomé. Pertencente aos amiritas, um clã dos coraixitas, esteve entre os primeiros convertidos ao islã e participou, com seu primeiro marido, , da Migração para a Abissínia. Depois de ficar viúva, casou-se com Maomé em Meca, pouco depois da morte de Cadija, em 620. Após a Hégira, Sauda estabeleceu-se em Medina. As tradições a descrevem como uma mulher corpulenta, bem-humorada e generosa. Em idade avançada, cedeu a Aixa o dia que lhe cabia na divisão do tempo de Maomé entre suas esposas, episódio associado nas fontes à intenção de permanecer casada com ele. Após a morte de Maomé, permaneceu afastada da vida pública e ficou conhecida também pela caridade e pela transmissão de hádices. Sauda transmitiu cinco hádices atribuídos a Maomé, entre os quais um incorporado por Albucari. As fontes divergem quanto à data de sua morte: uma tradição a situa em 23 A.H. (644), durante o califado de Omar , enquanto outra a coloca em 54 A.H. (674), durante o califado de .
Biografia
Sauda era filha de , dos amiritas, um clã dos coraixitas. Sua mãe, , pertencia aos najaritas, dos cazerajitas de Iatrebe. Sauda esteve entre os primeiros convertidos ao islã e casou-se inicialmente com seu primo , que também se converteu. O casal participou da migração dos muçulmanos para a Abissínia, acompanhado, segundo Uraler, por cinco de seus filhos. Posteriormente retornaram a Meca, onde Sacrane morreu. Depois da morte de Cadija, sugeriu a Maomé que se casasse novamente e propôs como candidatas Sauda, que era viúva, e Aixa, ainda solteira. Maomé casou-se com Sauda em Meca cerca de um mês após a morte de Cadija, em Ramadã de 10 A.H. da missão profética (620), e lhe concedeu um dote de 400 dirrãs. Segundo Vacca e Roded, existe divergência entre os estudiosos muçulmanos quanto a Sauda ou Aixa ter sido a primeira mulher com quem Maomé se casou depois de Cadija; de acordo com uma tradição, Maomé escolheu Sauda em razão de sua dedicação à missão, e não Aixa, filha de seu amigo próximo. Como Aixa era ainda muito jovem para que o casamento fosse consumado e permaneceu com seus pais, Sauda viveu sozinha com Maomé durante algum tempo.
No primeiro ano após a Hégira, Sauda mudou-se para Medina com as filhas de Maomé, passando a residir numa das primeiras habitações construídas junto à Mesquita do Profeta. Poucos relatos sobre Sauda são preservados em comparação com os numerosos hádices atribuídos a Aixa. Vacca e Roded mencionam duas ocasiões em que Sauda teria provocado o riso de Maomé. O episódio mais conhecido de sua vida conjugal relaciona-se à tradição segundo a qual Maomé teria considerado divorciar-se dela. Vacca e Roded associam o episódio à revelação do versículo 4:128 do Alcorão, relativo à possibilidade de um acordo entre uma mulher e o marido quando ela teme rejeição ou abandono. Segundo essa tradição, Maomé favorecia Aixa e deixou de visitar Sauda, mas interrompeu a intenção de divorciar-se quando ela concordou em ceder a Aixa o dia que lhe cabia na divisão de seu tempo entre as esposas. Sauda teria explicado que já era idosa, não desejava relações conjugais e pretendia apenas ressuscitar no Dia do Juízo como uma de suas esposas. Maomé consentiu, e posteriormente o versículo teria sido revelado. Uraler também registra a tradição de que Sauda cedeu voluntariamente a Aixa o dia que lhe correspondia, relacionando a decisão à sua idade avançada e ao desejo de permanecer casada com Maomé.
As fontes descrevem Sauda como corpulenta e de movimentos lentos. Durante uma peregrinação, Maomé permitiu que partisse de Mina para a oração matinal antes da multidão, a fim de evitar que fosse comprimida pelos demais peregrinos, concessão que teria despertado a inveja de Aixa. Em outra ocasião, devido à sua aparência incomum, Omar reconheceu-a à distância quando ela saiu à noite e chamou-a pelo nome; o episódio teria levado Maomé a permitir que suas esposas saíssem quando necessário. Sauda era também conhecida pela generosidade e pelo humor. Aixa teria afirmado que, entre as mulheres, era Sauda aquela em cuja condição mais desejaria estar, embora observasse que ela possuía um temperamento um tanto impetuoso. Após a morte de Maomé, Sauda recebeu de Omar uma soma de dinheiro, que distribuiu imediatamente entre os membros de sua família materna, os najaritas. Uraler registra que Sauda trabalhava com couro e era conhecida por distribuir aos necessitados os bens que recebia. Ao contrário de Aixa e de Zainabe binte Jaxe, Sauda não participou da última peregrinação realizada durante o califado de Omar, afirmando preferir permanecer em casa conforme a ordem divina.
Sauda transmitiu cinco hádices atribuídos a Maomé, um dos quais foi incluído por Albucari. Entre os transmissores que receberam tradições dela estavam Abedalá ibne Abas, e outros tradicionalistas. Morreu em Medina em 23 A.H. (644), durante o califado de Omar. Segundo Uraler, Omar conduziu sua oração fúnebre e Sauda foi sepultada no Cemitério de Albaqui; a autora considera incorreta a tradição que situa sua morte em 54 A.H. (674). Vacca e Roded, entretanto, registram como data de sua morte 674, durante o califado de , acrescentando que ele teria comprado por 180 mil dirrãs a casa que Sauda possuía em Meca, juntamente com a de Safia binte Huiai.
Bibliografia
Categoria:Esposas de Maomé Categoria:Amiritas (coraixitas) Categoria:Najaritas Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada