Carnavália: Eneida Conta a História do Carnaval são dois álbuns ao vivo dos artistas brasileiros Marlene, Blecaute e Nuno Roland, com Eneida de Moraes na narração e Índio e seu conjunto nos instrumentos, lançado pelo Museu da Imagem e do Som em 23 de dezembro de 1968. Os discos registram o espetáculo Carnavalía, gravado ao vivo pelo MIS no Café Concerto Casa Grande, na noite de 23 e madrugada de 24 de agosto de 1968.

Os álbuns reúnem cerca de 87 músicas e percorrem diferentes períodos da música carnavalesca brasileira, das primeiras marchinhas a composições recentes, organizadas segundo temas ligados à festa. Os dois volumes receberam avaliações positivas da crítica e da imprensa na época, que elogiariam seu caráter documental e histórico e a qualidade da gravação ao vivo, além da organização e do desempenho dos envolvidos.

Antecedentes Até 1965, Marlene havia construído sua popularidade com músicas simples e comerciais, sendo uma das artistas de maior sucesso do Brasil. A partir daquele ano, ela decidiu interromper temporariamente as atividades e reavaliar sua carreira, observando os trabalhos de novos compositores em ascensão, como Milton Nascimento, Antônio Carlos e Jocafi, Tom Jobim, Taiguara, Paulo Polenza, e Sérgio Ricardo, decidindo posteriormente, mudar o direcionamento de seu repertório, optando por composições mais densas e políticas. Em entrevista, a cantora afirmou: "Esta fase de popularidade acabou, os tempos são outros e ai daquela que não sentir isso. Quero agora prestígio artístico, que é bem mais importante". Nesse período, o mercado brasileiro era marcado pelo sucesso do iê-iê-iê de artistas estrangeiros, e o público jovem passava a consumir cada vez mais esse tipo de música.

A retomada de sua carreira nos palcos ocorreu em 1968, quando Marlene voltou a se apresentar com um espetáculo chamado Carnavalía. Produzido por Hermínio Bello de Carvalho e Fauzi Arap, o espetáculo apresentado no Teatro Casa Grande, foi concebido por Paulo Afonso Grisolli e Sidney Miller e teve como tema a história do Carnaval brasileiro, apresentado pela cronista Eneida de Morais. Marlene, Blecaute e Nuno Roland participaram como intérpretes, acompanhados por Irindio e seu conjunto, enquanto Morais introduzia cada faixa e explicava a temática dos grupos de músicas apresentados.

Originalmente, o espetáculo contava com 150 músicas e tinha duração de três horas. Inicialmente, estava previsto que permanecesse em cartaz por quinze dias, mas, devido ao sucesso, acabou permanecendo por sete meses, com a casa lotada. O espetáculo chegou ao fim em razão de outros compromissos dos artistas e demais envolvidos na produção. Para a artista, o sucesso representou o retorno da apreciação dos jovens a música popular brasileira..

Detalhes do álbum e lançamento Os dois LPs documentam o espetáculo e reúnem cerca de 87 músicas, algumas interpretadas parcialmente e outras integralmente, a capa foi feita por Luís Jasmin. Os álbuns funcionam como registro histórico do carnaval brasileiro, que abrange desde as marchinhas mais antigas, até composições mais recentes. Para organizar esse vasto material, o roteiro do disco foi estruturado a partir de temáticas que atravessam a história da festa (tais como a bebida, a mulher, os cabelos e o amor, entre outras), servindo como fios condutores para a seleção e a apresentação das músicas.

Embora previsto para serem comercializados no dia 27 de dezembro de 1968, durante o show no Teatro Casa Grande, os dois volumes do LP de Carnavália foram lançados em 23 de dezembro de 1968, e o público pode adquiri-los nas lojas no dia seguinte.

Recepção crítica e midiática O periódico Diario de Pernambuco considerou o primeiro volume de Carnavália um disco de "excelente categoria documental artística e histórica", destacando a qualidade técnica da gravação ao vivo, considerada um "trabalho excepcional". Adicionalmente, o jornal lamentou que um documento que considerava "tão importante" não tivesse uma divulgação mais ampla em outras regiões do Brasil.

O Diário de Notícias descreveu Marlene como um dos artistas que haviam sido “ressuscitados” após desaparecerem do noticiário com as mudanças na música brasileira, e considerou o disco "bem 'bolado'", além de ter elogiado sua organização pela divisão dos assuntos nos dois lados. O crítico Titto Santos, do periódico O Jornal, considerou os trabalhos "dois elepês da pesada". O jornal Correio da Manhã escreveu que "para os saudosistas" os álbuns eram "uma boa oportunidade de reviver 100 sucessos de antigos carnavais".

Lista de faixas Créditos adaptados dos LPs Carnavália: Eneida Conta a História do Carnaval, Volumes I e II, de 1968.

Ficha técnica Créditos adaptados dos LPs Carnavália: Eneida Conta a História do Carnaval, Volumes I e II, de 1968.

Eneida de Moraes (narra) — Marlene, Blecaute e Nuno Roland (cantam) — Índio e seu conjunto (tocam) Produção geral: Ricardo Cravo Albin Gravado ao vivo pelo MIS no Café Concerto Casa Grande, de 11:30 às 01:30h, da noite de 23 e madrugada de 24 de agosto de 1968. Técnicos do MIS: Hamilton Cordoba e Paulo Lavrador Gravação em AMPLEX, usando velocidade de 7 1/2rpm Montagem: Sérgio Junqueira (no MIS) Desenho da capa: Jasmin Layout: Joselito Notas de Eneida de Moraes

Categoria:Álbuns de 1968 Categoria:Álbuns de música popular brasileira Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1960