Alagoas é uma pequena Aldeia portuguesa situada na atual União das Freguesias do Sabugal e Aldeia de Santo António, no município do Sabugal, distrito da Guarda, na província histórica da Beira Alta. com cerca de 64 habitantes.
Historicamente reconhecida como uma "anexa" (localidade dependente) da antiga freguesia de Aldeia de Santo António, a povoação destaca-se a nível regional pela riqueza arqueológica da época romana e pelos seus antigos recursos hídricos que abasteceram a sede do concelho durante décadas. A aldeia tem como principal eixo rodoviário de comunicação a sede de concelho e ao concelho vizinho do Penamancor a Estrada Nacional N 233.
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Geografia e Demografia Localizada numa zona de transição montanhosa da Beira Interior, Alagoas situa-se a uma elevada altitude de 865 metros. O topónimo "Alagoas" deriva diretamente das características originais do seu terreno declivoso e propício à acumulação de águas pluviais e nascentes superficiais. A nível demográfico, e em consonância com o fenómeno de desertificação humana que afetou o interior da Região Centro na segunda metade do século XX, o lugar apresenta uma população residente muito reduzida e predominantemente envelhecida, fortemente marcada pelos fluxos de emigração internacional.
História e Arqueologia A ocupação humana do território das Alagoas remonta, pelo menos, ao período da romanização. Em termos arqueológicos, a localidade assume particular relevância na carta arqueológica do concelho do Sabugal devido à descoberta, em 1980, de um importante marco miliário romano. O Miliário de Alagoas O achado arqueológico foi documentado e integrado nos circuitos científicos em 1987 pelo prestigiado arqueólogo Fernando Patrício Curado. O monumento apresenta as seguintes especificidades técnicas: Cronologia: Datado com precisão entre os anos 275 e 276 d.C., correspondendo ao curto reinado do imperador Marco Cláudio Tácito (ou do seu sucessor Floriano), durante o período de instabilidade conhecido como a Crise do Terceiro Século. Epigrafia: Esculpido em pedra granítica local, o marco apresenta uma leitura epigráfica complexa devido à erosão secular natural, estando catalogado cientificamente sob a referência FE 22:102. Função Rodoviária: A presença deste padrão miliário atesta a existência de uma estrada romana secundária na Idade Antiga que ligava as rotas militares vindas do sul (da capital provincial Augusta Emerita, atual Mérida) em direção à Guarda e ao eixo raiano de Civitas Cobelcorum (Almofala).Correia, Joaquim Manuel (1946). Terras de Riba-Côa: Memórias Históricas. Lisboa: Composto e impresso na Tipografia Ramos, Afonso & Moita.
Cultura e Tradição Oral No campo literário, o lugar das Alagoas foi imortalizado na poesia beirã pelo escritor bismulense Manuel Leal Freire. Na sua coluna dominical "Poetando", o autor dedicou um soneto homónimo à aldeia, iniciando-o com uma alusão metafórica à fertilidade das suas águas: "Do tempo em que a vara de Abraão / Fendendo a dura rocha a volveu fonte (...)". A nível de património imaterial e tradição oral, os relatos dos habitantes locais preservam memórias do período do contrabando raiano do século XX, dada a proximidade geográfica com a fronteira com Espanha, onde o transporte clandestino de bens (como gado e café) moldou a economia de subsistência local.
Referências
Ligações externas Município do Sabugal - Sítio Oficial Museu do Sabugal - Espólio Arqueológico
Categoria:Sabugal Categoria:Aldeias do Distrito da Guarda