Os utaibaítas ou Banu Utaiba () são uma tribo árabe tradicionalmente vinculada aos juxamitas, ramo dos hauazinitas pertencente ao conjunto tribal dos caicitas. Sua genealogia tradicional remonta ao epônimo Utaiba ibne Gazia ibne Juxame ibne Moáuia ibne Becre ibne Hauazine e, por meio de Caice Ailane e Modar, a Adenane. Dividem-se principalmente em dois grandes agrupamentos, os ruacaítas e os barcaítas, subdivididos por sua vez em numerosos ramos e clãs. Seus membros são conhecidos pela nisba Alutaibi. Historicamente associados às regiões montanhosas situadas entre Négede e o Hejaz, os utaibaítas ocuparam uma extensa área que alcançava Taife e as proximidades de Meca, a oeste, e Alcacim, a leste. Durante muito tempo conservaram um modo de vida predominantemente pastoril e tornaram-se especialmente conhecidos pela criação de camelos.

Embora as informações sobre sua história anterior à Idade Moderna sejam escassas, no constituíam uma das grandes forças tribais da Arábia Central e participaram das disputas envolvendo os sauditas, os raxídidas de Hail e os xerifes de Meca. No início do , os utaibaítas desempenharam papel importante nas transformações políticas que culminaram na formação da Arábia Saudita. Grupos da tribo apoiaram Abedalazize ibne Saúde em suas campanhas, e posteriormente numerosos utaibaítas integraram o movimento Icuane e participaram do processo de sedentarização promovido pelo governante saudita. , um dos principais chefes utaibaítas, tornou-se uma das lideranças do Icuane e participou de sua rebelião contra Abedalazize no final da década de 1920. Ao longo do século XX, a sedentarização transformou progressivamente a organização econômica e social da tribo, cujos membros permanecem concentrados sobretudo em Négede e Alcacim, com grupos também presentes em outros países da Península Arábica.

Genealogia

250px|thumb|miniatura|Árvore genealógica dos juxamitas

Os utaibaítas constituem uma tribo árabe tradicionalmente vinculada aos juxamitas, ramo dos hauazinitas pertencente aos caicitas. Segundo a genealogia registrada pela tradição, seu epônimo era Utaiba ibne Gazia ibne Juxame ibne Moáuia ibne Becre ibne Hauazine ibne Mançor ibne Icrima ibne Caçafa ibne Caice Ailane ibne Modar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. O nome Utaiba, diminutivo de Oteba, aparece na literatura árabe aplicado também a outros grupos e indivíduos, razão pela qual nem todas as ocorrências antigas do nome podem ser associadas à tribo. Kindermann e Bosworth observam que os utaibaítas reivindicavam descendência de Modar através de Caice Ailane, enquadrando-se assim entre os caicitas.

Os utaibaítas dividiam-se em dois grandes agrupamentos, os ruacaítas e os barcaítas. Os ruacaítas subdividiam-se em diferentes ramos, entre os quais os mazaimitas e os talhaítas, enquanto os Barca compreendiam igualmente numerosas subdivisões. A composição interna da tribo era complexa e variava conforme as fontes, que registravam numerosos clãs e linhagens menores. No início do , estimativas ocidentais atribuíam aos utaibaítas uma força considerável. Alguns autores calcularam que poderiam reunir milhares de cavaleiros e dezenas de milhares de combatentes a pé, embora as estimativas variassem amplamente. A importância demográfica e militar da tribo tornou-se proverbial entre os árabes, sendo associada à ideia de que os utaibaítas não podiam ser facilmente enfrentados.

História

Os utaibaítas compartilhavam com os saditas áreas de harra da Arábia Central, sobretudo a região montanhosa situada a leste do Hejaz. Em época mais recente, seu território pastoril estendia-se por uma extensa faixa da Arábia Central, desde Taife, no Hejaz, a oeste, até Alcacim, em Négede, a leste. Ao sul, suas áreas alcançavam as terras dos catanitas, dos e dos , enquanto ao norte seus vizinhos incluíam os harbitas. Os utaibaítas penetravam também nas proximidades de Meca, embora apenas uma pequena parte da tribo permanecesse estabelecida nas montanhas próximas de Meca e Taife. A região ocupada pela tribo possuía fontes abundantes e, no inverno e no início do outono, recebia chuvas relativamente regulares. Apesar disso, os utaibaítas conservaram durante muito tempo um modo de vida predominantemente pastoril. A criação de camelos constituía uma de suas principais atividades econômicas, e a tribo tornou-se particularmente conhecida pela criação de camelos negros.

As informações sobre a história dos utaibaítas anteriores à Idade Moderna são escassas. Há registros de ataques realizados por membros da tribo contra caravanas de peregrinos e de incidentes durante as temporadas do haje, mas pouco se conhece acerca de sua organização e de seu papel político antes do . A partir desse período, grupos utaibaítas dispersaram-se por diferentes regiões da península, concentrando-se particularmente em Négede e ocupando uma área que se estendia das regiões orientais do Hejaz até Alcacim. No , os utaibaítas tornaram-se um dos principais elementos tribais das disputas políticas de Négede e do Hejaz. Durante a campanha de Ibraim Paxá contra o Primeiro Estado Saudita, membros da tribo integraram as forças otomanas e participaram do Cerco de Daria em 1818. Nas décadas seguintes, os utaibaítas envolveram-se repetidamente nas disputas entre os poderes que procuravam controlar a Arábia Central. Quando combateu as forças egípcias em 1838, os utaibaítas orientais encontravam-se na região de , enquanto o xerife de Meca Maomé ibne Aufe reuniu os utaibaítas ocidentais e grupos dos sob sua proteção.

Entre 1872 e o final do século, a tribo participou repetidamente dos conflitos envolvendo a Casa de Saúde, os raxídidas de Hail e os xerifes de Meca. Em 1872, seu principal chefe, , saqueou assentamentos situados a oeste de Riade, provocando uma expedição de retaliação saudita. Em 1881 e 1882, grupos utaibaítas atacaram acampamentos dos harbitas, então subordinados aos raxídidas, mas foram derrotados. Novos confrontos ocorreram nos anos seguintes e, em 1893, os raxídidas impuseram à tribo uma cobrança de milhares de camelos a título de dízimo e zacate. A rivalidade entre os raxídidas e os sauditas continuou a envolver os utaibaítas no início do . Em 1907, combateram ao lado de Abedalazize ibne Saúde contra os raxídidas e contribuíram para a vitória saudita. Embora continuassem posteriormente a cooperar com os sauditas, mantiveram também vínculos com Huceine ibne Ali, xerife de Meca, por quem demonstravam considerável simpatia. Durante algum tempo apoiaram o xerife, mas acabaram passando para o lado dos sauditas e participaram das lutas que conduziram à formação da Arábia Saudita.

A política de sedentarização tribal promovida por Abedalazize ibne Saúde também afetou profundamente os utaibaítas. A tribo tornou-se um dos principais componentes do movimento Icuane, e numerosos grupos estabeleceram-se nas colônias agrícolas e religiosas conhecidas como hijra. Entre os principais assentamentos utaibaítas estava , associado a , um dos mais destacados chefes do Icuane. As relações entre o Icuane e Abedalazize deterioraram-se no final da década de 1920. Sultão ibne Bijade figurou entre os chefes tribais que se opuseram ao governante saudita, ao lado de , dos mutairitas. A rebelião terminou em 1929 com a derrota das forças do Icuane, após a qual o poder dos grandes chefes tribais foi reduzido e o processo de sedentarização dos utaibaítas passou a desenvolver-se sob controle saudita mais direto. Ao longo do , a sedentarização modificou progressivamente a organização econômica e social da tribo. Muitos utaibaítas passaram a viver em aldeias e centros urbanos, embora grupos continuassem dedicados ao pastoreio e preservassem elementos da organização tribal. A tribo permaneceu concentrada sobretudo em Négede e Alcacim, mas seus ramos também passaram a ser encontrados em outros países da Península Arábica, entre eles Barém, Cuaite e Catar. Seus membros são conhecidos pela nisba Alutaibi.

Bibliografia

Categoria:Juxamitas (hauazinitas)