As ordens de grandeza da temperatura permitem comparar temperaturas que vão da proximidade do zero absoluto às escalas de energia da física de partículas. O kelvin, de símbolo K, é a unidade do Sistema Internacional de Unidades para a temperatura termodinâmica.

As tabelas reúnem exemplos de medições, pontos de calibração e estimativas teóricas. Os pontos fixos da ITS-90 têm valores convencionais atribuídos nessa escala, que se aproxima da temperatura termodinâmica. Os pontos de fusão e ebulição dependem da pressão. Quando a ebulição é chamada de normal, a pressão é de 101,325 kPa.

Em física de partículas, uma escala de energia pode ser expressa como temperatura equivalente pela relação , em que é a constante de Boltzmann. Isso não implica que uma colisão individual forme um sistema em equilíbrio termodinâmico. Para a energia cinética translacional média de uma partícula de um gás ideal monoatômico, a relação é .

As temperaturas médias planetárias são aproximadas. Para Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, os valores referem-se a um nível da atmosfera com pressão próxima à pressão atmosférica terrestre ao nível do mar, não a uma superfície sólida.

Lista de ordens de grandeza da temperatura Fator Múltiplo Exemplo 0 0 K Zero absoluto, que não pode ser alcançado por uma sequência finita de processos termodinâmicos, pela formulação de inacessibilidade da terceira lei da termodinâmica. 10−12 1 pK 38+6−7 pK, temperatura efetiva de expansão de um condensado de Bose-Einstein de rubídio, obtida por focalização de ondas de matéria. A energia cinética interna por partícula corresponde a . 450 pK, temperatura alcançada em 2003 em um condensado de sódio no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. 10−9 1 nK Cerca de 50 nK, temperatura de um gás de moléculas de potássio e rubídio produzido no JILA em 2019, abaixo de sua temperatura de Fermi. Faixa de temperaturas alcançada em gases atômicos ultrafrios e condensados de Bose-Einstein. 10−6 1 μK Temperaturas alcançadas por desmagnetização nuclear. Faixa de temperaturas de gases atômicos submetidos a resfriamento a laser, incluindo técnicas usadas em armadilhas magneto-ópticas. 10−3 1 mK Até cerca de 2,5 mK, temperatura de transição do hélio-3 para o estado superfluido, dependente da pressão. Dezenas de milikelvins em sistemas paramagnéticos resfriados por desmagnetização adiabática. Cerca de 300 mK, temperatura alcançável por resfriamento evaporativo de hélio-3. Abaixo de cerca de 800 mK, misturas de hélio-3 e hélio-4 podem separar-se em duas fases líquidas, conforme sua composição. 1 1 K Cerca de 1 K no gás da Nebulosa do Bumerangue. 2,1768 K, ponto lambda do hélio-4 sob pressão de vapor saturado. Cerca de 2,725 K, temperatura da radiação cósmica de fundo. Cerca de 4,2 K, transição para a supercondutividade do mercúrio. Cerca de 4,22 K, ponto de ebulição normal do hélio-4. Cerca de 5,2 K, temperatura crítica do hélio. Cerca de 7,2 K, transição supercondutora do chumbo. Cerca de 9,3 K, transição supercondutora do nióbio. 101 10 K 13,8033 K, ponto triplo do hidrogênio em equilíbrio, na ITS-90. Cerca de 14 K, ponto de fusão do hidrogênio. Cerca de 20,3 K, ponto de ebulição normal do hidrogênio. 24,5561 K, ponto triplo do neônio na ITS-90. Cerca de 33 K, temperatura crítica do hidrogênio. Cerca de 48 K, temperatura média de Plutão. 54,3584 K, ponto triplo do oxigênio na ITS-90. Cerca de 63 K, ponto de fusão do nitrogênio. Cerca de 73 K, temperatura atmosférica média de Netuno. Cerca de 77,35 K, ponto de ebulição normal do nitrogênio. Cerca de 78 K, temperatura atmosférica média de Urano. 83,8058 K, ponto triplo do argônio na ITS-90. Cerca de 90,19 K, ponto de ebulição normal do oxigênio. Cerca de 92 K, transição supercondutora do YBCO, dependente de sua composição. 102 100 K Cerca de 134 K, transição supercondutora do composto HgBa2Ca2Cu3O8+δ à pressão ambiente. Cerca de 165 K, um dos valores propostos para a transição vítrea da água. A interpretação dessa transição é discutida. 183,95 K, −89,2 °C, menor temperatura do ar reconhecida pela Organização Meteorológica Mundial. Cerca de 192 K, valor usado para a temperatura de Debye do gelo. 234,3156 K, ponto triplo do mercúrio na ITS-90. Cerca de 250 K, temperatura estimada da anã marrom WISE 0855−0714. Cerca de 273,15 K, 0 °C, ponto de fusão da água sob pressão atmosférica. 273,16 K, 0,01 °C, ponto triplo da água na ITS-90. Cerca de 293 K, temperatura ambiente. 302,9146 K, ponto de fusão do gálio na ITS-90. Cerca de 373,124 K, 99,974 °C, ebulição normal da água na ITS-90. 429,7485 K, congelamento do índio na ITS-90. 505,078 K, congelamento do estanho na ITS-90. 647,096 K, temperatura crítica da água, à pressão crítica de 22,064 MPa. 692,677 K, congelamento do zinco na ITS-90. Cerca de 737 K, temperatura média na superfície de Vênus. 933,473 K, congelamento do alumínio na ITS-90. Ver a lista detalhada abaixo. 103 1 kK Cerca de 1.043 K, temperatura de Curie do ferro. Cerca de 1.170 K em algumas chamas de madeira. 1.234,93 K, congelamento da prata na ITS-90. Cerca de 1.300 K em fluxos de lava e em chamas abertas. 1.337,33 K, congelamento do ouro na ITS-90. 1.357,77 K, congelamento do cobre na ITS-90. Cerca de 1.500 K em lava basáltica. Cerca de 1.670 K em regiões quentes de uma chama de vela. Cerca de 1.811 K, ponto de fusão do ferro. Cerca de 1.830 K em uma chama de bico de Bunsen. Cerca de 1.900 K em partes do revestimento térmico do ônibus espacial durante a reentrada. Cerca de 2.022 K, ponto de ebulição normal do chumbo. Cerca de 2.075 K, temperatura próxima ao limite empírico entre estrelas e anãs marrons encontrado junto à posição de 2MASS J0523-1403. Cerca de 2.230 K, valor de temperatura de Debye para o diamante. Cerca de 2.320 K em uma chama de hidrogênio no ar. Cerca de 2.150–2.450 K em chamas de hidrocarbonetos, conforme o combustível e as condições de combustão. Cerca de 2.900 K, temperatura de cor de algumas lâmpadas halógenas. Cerca de 3.000 K no Universo durante a recombinação, aproximadamente 380.000 anos após o Big Bang. Cerca de 3.695 K, ponto de fusão do tungstênio. Cerca de 3.900 K, escala de temperatura de sublimação do carbono sob pressão próxima à atmosférica. Cerca de 4.232 K, temperatura de fusão medida para uma amostra de carbeto de háfnio HfC0,98. Cerca de 4.800 K e 10 MPa, estimativa do ponto triplo entre grafite, líquido e vapor de carbono. Cerca de 5.000 K a 12 GPa, ponto de fusão calculado do diamante. Aproximadamente 5.000–7.000 K, faixa de estimativas para o limite do núcleo interno da Terra. 5.772 K, temperatura efetiva nominal do Sol. Cerca de 5.933 K, ponto de ebulição normal do tungstênio. Cerca de 7.020,5 K e 797 MPa, estimativa teórica do ponto crítico líquido–vapor do carbono. Cerca de 7.445 K e 850 GPa, ponto triplo calculado entre diamante, carbono de estrutura BC8 e líquido. Cerca de 7.736 K, temperatura em que a energia cinética translacional média por partícula de um gás ideal monoatômico é de 1 elétron-volt. Cerca de 8.000 K em um plasma indutivamente acoplado usado em análise química. Cerca de 8.755 K e 630 GPa, máximo da curva de fusão do diamante calculada por dinâmica molecular em 2005. Cerca de 8.801 K e 10,56 GPa, ponto crítico de uma transição líquido–líquido previsto por um modelo de carbono em 1999. 104 10 kK Cerca de 10 kK, temperatura efetiva de Sirius A. Cerca de 15,5 kK, estimativa da temperatura crítica do tungstênio. Cerca de 26 kK, temperatura efetiva de Sirius B. Cerca de 29 kK na superfície de Alnitak. Aproximadamente 4–200 kK nas superfícies de anãs brancas. Dezenas a centenas de quilokelvins em estrelas centrais de nebulosas planetárias. Cerca de 46 kK na estrela Wolf-Rayet R136a1. Cerca de 54,5 kK na estrela ON2 III(f*) LH64-16. Mais de 200 kK na estrela central da NGC 6302. 106 1 MK Cerca de 1–3 MK em grande parte da coroa solar. Cerca de 2,5 MK, temperatura a partir da qual a destruição de lítio se torna eficiente em interiores estelares. Cerca de 15,7 MK no núcleo do Sol. Aproximadamente 10–100 MK em plasmas de erupções estelares. Da ordem de 100 MK em gás aquecido por choques em algumas novas. Da ordem de 100 MK na combustão estelar de hélio. Cerca de 500 MK, temperatura de ignição da combustão de carbono em estrelas massivas. Cerca de 510 MK, temperatura iônica alcançada no Tokamak Fusion Test Reactor. 109 1 GK Da ordem de 1 GK no Universo cerca de 100 segundos após o Big Bang. Da ordem de 1 GK na combustão estelar de neônio. Da ordem de 2 GK na combustão estelar de oxigênio. Mais de 2 GK, temperatura iônica obtida em experimentos na Máquina Z dos Sandia National Laboratories. Da ordem de 5 GK na combustão estelar de silício. Da ordem de 10 GK no Universo aproximadamente um segundo após o Big Bang. Dezenas de gigakelvins em matéria aquecida durante o colapso e o rebote do núcleo de uma supernova. 1012 1 TK Da ordem de 0,1 TK no interior de uma estrela de nêutrons recém-formada. Aproximadamente 1,8 TK, temperatura pseudocrítica da transição quiral contínua da cromodinâmica quântica a potencial químico bariônico nulo, correspondente a 156,5 ± 1,5 MeV. Alguns trilhões de kelvins em plasma de quarks e glúons produzido por colisões de íons pesados no Grande Colisor de Hádrons. Condições dessa ordem existiam no Universo em seus primeiros microssegundos. 1027 1 RK Aproximadamente 1027–1028 K, escala teórica de modelos de grande unificação para o Universo primordial, dependente do modelo. 1032 100 QK 141,6784 ± 0,0016 QK, com a incerteza-padrão indicada, ou aproximadamente 1,4168 × 1032 K, temperatura de Planck no ajuste CODATA de 2022. É uma escala construída a partir de constantes fundamentais, não uma temperatura medida. 10290 10260 QK Escala formal de temperatura equivalente ao polo de Landau da eletrodinâmica quântica em uma extrapolação perturbativa. Fica muito acima da energia de Planck e não constitui uma previsão de temperatura fisicamente alcançável.

Lista detalhada de 100 K a 1000 K As linhas sombreadas delimitam aproximadamente o intervalo de estabilidade da água pura líquida sob pressão atmosférica. Água salgada pode congelar abaixo desse intervalo, e a pressão altera as temperaturas de mudança de fase.

Óleos vegetais são misturas. Os valores calorimétricos abaixo referem-se a amostras específicas e variam com a composição e o método de medição.