thumb|Bush se reúne com estudantes Os ataques de 11 de setembro de 2001 coincidiram com a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à Escola Primária Emma E. Booker em Sarasota, Flórida. Enquanto lia o livro The Pet Goat, de Siegfried Engelmann, diante de uma turma de estudantes, Bush foi informado por Andrew Card que um segundo avião havia colidido com a Torre Sul do World Trade Center. A decisão de Bush de continuar lendo por sete minutos antes de uma entrevista coletiva marcada na escola foi objeto de análise. A coletiva de imprensa marcou os primeiros comentários públicos de Bush sobre o ataque.

Contexto Ele visitou a escola como parte de um esforço para promover a política educacional de sua administração, a Lei No Child Left Behind ("Nenhuma Criança Deixada para Trás"). A escola Booker foi escolhida por apresentar melhorias nos resultados de testes de leitura com o uso do método de instrução direta, defendido por Bush quando ele era governador do Texas, e devido ao seu perfil socioeconômico: na época, 79% dos alunos eram afro-americanos e 87% provinham de famílias de baixa renda elegíveis para merenda escolar gratuita ou a preço reduzido.

Relato dos ataques thumb|O presidente Bush sai da visita à sala de aula na escola primária Booker e entra na sala de espera reservada à sua equipe, enquanto a televisão exibe imagens das torres em chamas. right|thumb|O presidente Bush fala ao telefone seguro STU-III enquanto assiste à cobertura televisiva dos ataques. A colisão do primeiro avião contra o World Trade Center ocorreu cerca de dez minutos antes de o presidente chegar à escola. Um fotógrafo do grupo de imprensa ouviu uma mensagem de rádio informando que o Porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, seria necessário para responder a perguntas sobre uma "colisão" e que havia uma ligação em espera de Condoleezza Rice. Bush entrou na sala de aula da segunda série de Sandra Kay Daniels, onde apresentou o Secretário de Educação, Rod Paige, à turma e cumprimentou Daniels. Em seguida, ele e a professora sentaram-se de frente para os alunos para ler a história infantil The Pet Goat.

Por volta das 9h05, o Chefe de Gabinete da Casa Branca, Andrew Card, sussurrou no ouvido de Bush: "Um segundo avião atingiu a segunda torre. A América está sob ataque." Bush parecia tenso, mas permaneceu sentado por cerca de sete minutos, continuando a ouvir enquanto as crianças liam a história em uníssono e, por vezes, repetiam frases para atender às exigências de Daniels. A leitura terminou com a expressão "mais por vir", e Bush perguntou à turma: "O que isso significa — 'mais por vir'?". Após a resposta de um aluno, ele elogiou a habilidade de leitura da turma e incentivou-os a continuar praticando; em seguida, despediu-se e saiu da sala.

Segundo Bill Sammon, em Fighting Back: The War on Terrorism from Inside the White House, Ari Fleischer estava no fundo da sala de aula segurando um bloco de notas no qual havia escrito: "Não diga nada ainda". Sammon sustenta que, embora Bush não estivesse usando seus óculos, ele conseguiu ler a mensagem, a qual passou despercebida pela mídia. Sammon afirmou ainda: Bush se perguntava se deveria pedir licença e retirar-se para a sala de espera, onde talvez conseguisse descobrir que diabos estava acontecendo. Mas que tipo de mensagem isso transmitiria — o presidente levantando-se abruptamente e abandonando um grupo de alunos da segunda série de uma escola de bairro carente justamente no momento em que estavam sob os holofotes nacionais?

Coletiva de imprensa thumb|Bush fala aos repórteres sobre os ataques thumb|Bush fala aos repórteres sobre os ataques Bush tinha uma breve coletiva de imprensa agendada na biblioteca da escola, após passar cerca de 20 minutos, no total, na sala de aula. O evento sofreu um atraso de alguns minutos. Quando Bush apareceu, anunciou: "Este é um momento difícil para a América"; em vez de abordar o tema planejado, ele falou ao país por vários minutos sobre as quedas dos aviões e a resposta imediata do governo. Em seguida, deixou a escola rumo ao Aeroporto Internacional de Sarasota-Bradenton.

Consequências A biblioteca da escola abriga um pequeno memorial que inclui um exemplar de The Pet Goat, livro que o presidente Bush leu para a turma da segunda série da professora Daniels. Posteriormente, foi instalada na escola uma placa em memória da ligação especial do local com os ataques de 11 de setembro, contendo a seguinte inscrição: "This Plaque Designates the Site Where President George W. Bush Learned Of The Terrorist Attacks On Our Country" ("Esta placa assinala o local onde o presidente George W. Bush tomou conhecimento dos ataques terroristas contra o nosso país").

Os críticos de Bush, notadamente Michael Moore em seu filme Fahrenheit 9/11, argumentaram que o fato de Bush ter continuado a ler o livro após ser informado de que o ataque estava em andamento demonstra indecisão. Um relatório da equipe da Comissão do 11 de Setembro, intitulado Improvising a Homeland Defense (Improvisando uma Defesa Interna), afirmou: "O presidente sentiu que deveria transmitir força e calma até que pudesse compreender melhor o que estava acontecendo".

Uma semana depois, Bush escreveu à diretora da escola, pedindo desculpas por não ter podido permanecer mais tempo.

Osama bin Laden fez referência à história em um discurso gravado em vídeo, cuja autenticidade não foi confirmada, divulgado pouco antes da eleição presidencial americana de 2004; ele afirmou que o fato de Bush ter lido o livro deu aos sequestradores tempo mais do que suficiente para realizar os ataques. Sua declaração completa foi: Mas, como lhe pareceu que ocupar-se conversando com a garotinha sobre a cabra e suas cabeçadas era mais importante do que ocupar-se com os aviões e suas cabeçadas contra os arranha-céus, foi-nos dado três vezes o tempo necessário para executar as operações — todo louvor seja dado a Alá. Nos anos que se seguiram ao incidente, professores e alunos da escola saíram em defesa das atitudes de Bush. A diretora Gwendolyn Tose-Rigell, falecida em 2007, declarou: "Não acho que alguém pudesse ter lidado melhor com a situação. De que teria adiantado se [Bush] tivesse saltado da cadeira e saído correndo da sala?"

Ao serem questionados sobre o incidente pela revista Time, pouco depois da morte de Bin Laden em 2011, dois dos alunos presentes na sala de aula, Lazaro Dubrocq e Mariah Williams, atribuíram a Bush o mérito de ter mantido a calma no ambiente ao terminar a história. Williams disse: "Sempre vou me lembrar de ver o rosto dele ficar vermelho. Ele ficou muito sério de repente. Mas eu não fazia ideia do que estava acontecendo; eu tinha apenas sete anos. Fico feliz que ele não tenha se levantado e ido embora, porque, se tivesse feito isso, eu teria ficado mais assustada e confusa". Chantal Guerrero concordou: "Acho que o presidente estava tentando evitar que descobríssemos, para que não entrássemos em pânico".

Referências

Categoria:Ataques de 11 de setembro de 2001 Categoria:2001 na Flórida Categoria:Sarasota