É a Maior! é um álbum ao vivo da cantora brasileira Marlene, lançado pela Fermata do Brasil em 1970. O disco foi gravado a partir do espetáculo homônimo, apresentado no Teatro Sérgio Porto, que contava a história da própria Marlene e da Rádio Nacional, e marcou uma nova fase da carreira da cantora, que vinha renovando seu repertório e incluindo canções de compositores mais jovens, como Caetano Veloso e Chico Buarque.
O álbum recebeu avaliações favoráveis de parte da crítica, que destacou a interpretação e a capacidade de comunicação de Marlene, embora alguns veículos apontassem diferenças entre a gravação e o espetáculo. É a Maior! também teve repercussão comercial, sendo descrito na imprensa como um disco de "enorme sucesso", e posteriormente foi relançado em compact disc (CD) pela Som Livre, em 2006, na série RGE Clássicos.
Antecedentes e contexto No final dos anos de 1960, Marlene passou por uma fase de retomada de sua atividade artística, com participações em espetáculos e projetos que atualizaram seu repertório e sua atuação nos palcos. Entre esses trabalhos esteve Carnavália: Eneida Conta a História do Carnaval, espetáculo de Paulo Afonso Grisolli e Sidney Miller apresentado no Rio de Janeiro em 1968, no qual a cantora participou ao lado de outros intérpretes. O projeto posteriormente foi registrado em dois LPs pelo Museu da Imagem e do Som.
Em outubro de 1969, o espetáculo É a Maior já estava em fase de ensaios no Teatro Sérgio Porto, meses antes do lançamento do álbum. Os ensaios seguiam com cerca de apenas três horas de sono por dia para Marlene. A montagem tinha direção de Hermínio Bello de Carvalho e Fauzi Arap, direção musical de Arthur Verocai, programação visual de Carlos Filho, produção de Brigitte Blair e direção geral de Fauzi Arap. O título recuperava uma expressão que havia sido associada a Marlene desde 1959, quando, durante um programa de auditório da Rádio Nacional, a passista Regina Silva gritou "É a Maior" após uma apresentação da cantora.
O show A concepção do espetáculo era centrada na própria trajetória artística da cantora, e na história da Rádio Nacional, deixando de fora outros episódios de sua carreira, como apresentações para o Duque e a Duquesa de Windsor, uma temporada em Chicago e sua participação em um filme realizado na Argentina. Fauzi Arap e Hermínio Bello de Carvalho pesquisaram os arquivos da emissora para compor a montagem, que utilizava jingles, gravações e slides referentes aos vinte anos de atuação da cantora. A retrospectiva também apresentava, em voz e imagem, artistas ligados à história da rádio, entre eles Carmen Miranda, Aracy de Almeida e Angela Maria. Cartas de fãs eram incorporadas à apresentação, que também abordava a relação entre Marlene e o público dos programas de auditório da Rádio Nacional.
Marlene era acompanhada pelo Grupo Mineiro e por um conjunto formado especialmente para o espetáculo, com Helvius ao piano, Novelli no contrabaixo e Gegê na bateria. Ao todo, a artista interpretava cinco de seus sucessos e outras quarenta e cinco canções que eram composições da geração mais jovem da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Jorge Ben e Marcos Valle, além de músicas associadas ao repertório de Carmen Miranda. Entre as canções apresentadas estavam "O Velho", de Chico Buarque, "Irene" e "Coração Vagabundo", de Caetano Veloso, "Mustang Cor de Sangue", de Marcos e Paulo Sérgio Valle, e "Novo Rumo", de Arthur Verocai. Marlene também apresentava trechos de Carnavália, espetáculo do ano anterior. A montagem incluía ainda duas canções inéditas compostas especialmente para o espetáculo, uma de Mário Lago e outra de Hermínio Bello de Carvalho e Maurício Tapajós, intitulada "Com o Diabo no Corpo".
Um dos quadros do espetáculo era dedicado aos festivais de música e incluía a declamação de um poema de Carlos Drummond de Andrade. A montagem também apresentava um momento dedicado a Edith Piaf, no qual Marlene relembrava sua passagem pelo Olympia, em Paris, sob a proteção da cantora francesa.
Detalhes do álbum e lançamento É a Maior! foi concebido a partir do espetáculo homônimo, após longa carreira nos palcos. A produção procurou transportar para o LP elementos da apresentação teatral, incluindo diálogos e outros recursos utilizados para compor sua ambientação. A gravação marcou a reaparição da cantora em um LP solo desde Sa-Sa-Ruê (1963) e foi associada ao momento de renovação de sua carreira, então apresentada em um novo estilo. O álbum não reúne o show completo da artista, apenas vinte e cinco canções foram incluídas, algumas dentro de pot-pourris.
O álbum foi lançado em 9 de março de 1970 no Coit 45, com a presença de artistas, jornalistas e produtores.
Relançamento Em 2006, a gravadora Som Livre relançou o álbum em compact disc (CD), como parte da série RGE Clássicos, que reuniu discos do catalogo da gravadora RGE.
Recepção crítica
O Correio Braziliense destacou o "poder de comunicação" de Marlene e seu esforço para "se aproximar realmente do público e se fazer compreender por ele". Sobre o LP, afirmou que a cantora "é versátil" e que, "por ter talento", "supera qualquer 'onda' que se queira provocar em torno de sua figura". Segundo o jornal, o disco traduzia "aquele espírito da cantora que não pára, que procura estar sempre evoluindo dentro de sua carreira". O Jornal do Maranhão elogiou a atuação de Marlene, afirmando que sua "voz pequena" deixou de ser um defeito quando amparada por uma interpretação "vibrátil e nervosa", "cheia de 'garra'", e, ao comentar o álbum ao vivo, observou que ela "canta vivendo, sentindo, dizendo cada palavra como se fosse a última"; considerou que as qualidades da cantora foram "muito bem conservadas" na gravação e destacou sua versatilidade do repertório, concluindo que ela apresentou "um disco da melhor qualidade". O Diario de Pernambuco, escreveu que "o disco é um autêntico "show", desses que só Marlene sabe fazer".
O Correio da Manhã afirmou que, com É a Maior, Marlene "confirma o que durante muito tempo só as macacas sabiam: que Marlene é a maior". Para o jornal, a cantora, cuja "virtualidade não é exatamente o registro vocal", conseguia "transmitir toda a síntese do binômio melodia-letra", com "intensa carga de emoção" e "ternura". Entre as interpretações destacadas, citou "Lata d'água", na qual Marlene "supera a si mesma", e "Irene", em que "atinge um dos pontos mais altos de sua interpretação". Ao final, classificou o LP como "o maior acontecimento em disco de 70" e concluiu: "Faltam palavras". O Diário da Manhã observou que Marlene havia recebido "adjetivos másculos da crítica carioca" por seu espetáculo, contudo, considerou que a gravação ao vivo ficava "muito a dever ao show em si", pois a presença da cantora, somada à sua voz, descrita como "apenas regular", contribuía para a dimensão de sua apresentação no palco. Ainda assim, avaliou que o disco "agrada", destacando tanto a seleção de músicas, quanto a capacidade da gravação de captar "a emoção do show".
A Tribuna da Imprensa considerou que Marlene se apresentava no disco "em plena forma" e "quentíssima", afirmando que "mexe com a gente" e que, embora alguém pudesse não gostar dela, "não pode ficar indiferente à sua comunicação". O jornal destacou sua "sensibilidade" tanto nas músicas antigas quanto nas modernas e afirmou que a cantora podia orgulhar-se de continuar sendo "a maior", por possuir "calor", "humanidade" e aquela "centelha" que "marca a presença do verdadeiro artista". A gravação foi considerada "muito boa", assim como os acompanhamentos. O Jornal do Brasil considerou que a transposição do show para o disco apresentava limitações, pois "uma coisa é ouvi-la cantar no palco" e outra "é ouvi-la no disco". Segundo o jornal, a tentativa de recriar a atmosfera do espetáculo "só fez complicar" a audição, e o LP "como realização artística ficou a dever e como motivo comercial ficou a dever". Ainda assim, afirmou que "tais reparos não invalida o disco" e reconheceu sua importância como registro do "relançamento da artista em novo estilo".
Listas Embora não tenha integrado a lista de 10 melhores discos de 1970, do Diario de Pernambuco, álbum figurou como "registro especial" dos melhores daquele ano.
+Classificações de É a Maior! (1979) em listas. Publicação Lista Classificação Diario de Pernambuco Melhores LPs de 1970 Registro especial
Desempenho comercial Em reportagem ao jornal Diario de Pernambuco, Washington França, divulgador de gravadoras como RGE, Fermata e Som Maior, informou que o LP de Marlene estava fazendo "um enorme sucesso".
Lista de faixas Créditos adaptados do LP É a Maior, de 1970.
Ficha técnica Créditos adaptados dos LPs É a Maior!, de 1970.
Gravado ao vivo Show de Fauzi Arap e Herminio Bello de Carvalho Direção musical: Arthur Verocai Gravação: Jorge Keran Layout: Walter Wendhausen Fotos: Carlos Filho
Músicos Violão Arthur Verocai Piano: Helvius Vilela Baixo: Novelli Bateria: Gegê: Bateria Participação: Grupo Mineiro (Fotote, Lilito, Daltoni e Bahiano)
Categoria:Álbuns de 1970 Categoria:Álbuns de música popular brasileira Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1970