Milton Dornellas Bezerra Júnior (Rio de Janeiro, 10 de março de 1959) é um cantor, compositor, violonista e gestor cultural brasileiro radicado em João Pessoa, na Paraíba, desde a adolescência. Um dos fundadores do Musiclube da Paraíba, é apontado como um dos principais compositores da cena musical paraibana, com oito álbuns lançados entre 1986 e 2019. Foi diretor da Fundação Cultural de João Pessoa, gestor do programa estadual Prima e, desde abril de 2026, é secretário executivo da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba.
Biografia Formação Filho de pai paraibano e mãe fluminense, Milton Dornellas mudou-se para João Pessoa em 1973, aos catorze anos. Seu avô, José Fernandes, foi saxofonista da banda da Polícia Militar da Paraíba. Teve contato com a música na infância pelo rádio e pelos discos e começou a estudar violão e a compor em 1975, aos dezesseis anos. Cursou Educação Artística e História, sem concluir, e formou-se sobretudo na prática, com referências que vão da folia de reis aos Beatles, acompanhando em João Pessoa shows de Os Mutantes, O Terço, Belchior, Lenine e Elba Ramalho no Teatro Piollin. Estreou nos palcos em 1980, em João Pessoa, com repertório inteiramente autoral.
Musiclube, Assaltarte e Etnia No início da década de 1980 foi um dos fundadores do Musiclube da Paraíba, ao lado de Pedro Osmar e outros músicos, coletivo que debatia a produção musical, a comunicação, as políticas públicas de cultura, a democratização cultural e a sindicalização dos músicos, e do qual participou até 1995. No mesmo período fez intervenções de rua com o Grupo Assaltarte, com Marcos Fonseca e Xisto Medeiros, que gravou o disco Assaltarte (1994), e integrou o Grupo Etnia, com Paulo Ró, Alice Lumi e Fernando Pintassilgo, dedicado à pesquisa de músicas folclóricas andinas e celtas, que lançou o LP Canto Cereal (1992) pelo selo Musiclube. Em 1983 sua canção "Ancestrais", defendida por Paulinho Ditarso, ficou entre as três primeiras colocadas do festival Canta Nordeste, da Rede Globo Nordeste, em Recife.
Carreira fonográfica Seu primeiro registro foi o compacto duplo No Ventre da Besta (1986), pelo selo Musiclube, com João Linhares, Paulo Ró, Chiquinho Mino e Luceni Caetano. Em 1993 lançou o LP Mandrágora, também pelo Musiclube, gravado no SG Studio com arranjos de Sérgio Galo e participações de Archidy Picado Filho, Dida Vieira e Adeildo Vieira; o disco reúne quatro parcerias com Pedro Osmar e a faixa-título, com o escritor alagoano Ronaldo Monte, e tornou-se item de colecionador, com exemplares negociados acima de mil reais. Seguiram-se Ancestrais (1998), gravado com o Quinteto da Paraíba, arranjos e direção musical de Sérgio Galo e participações de Chico César, Xangai, Soraia Bandeira e do saxofonista Roberto Sion; Sete Mares (2000), com mais de 25 músicos e parcerias com Pedro Osmar, Chico César e Totonho; Alinhavo (2002), em formação enxuta com Betinho Muniz (acordeom), Tatá Vaz (baixo acústico) e Beto Preá (percussão); e O Gargalhar da Invernada (2006), inspirado em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, gravado no Estúdio Peixe Boi por Marcelo Macêdo.
Em 3 de julho de 2012 lançou na Estação Cabo Branco o álbum Bom Mesmo é a Gargalhada no Final, cujo título nasceu de uma conversa com Pedro Osmar; de caráter predominantemente instrumental e acústico, com cinco faixas instrumentais e três cantadas, tem Marcelo Macedo (violão de aço), Helinho Medeiros (acordeom), Chico Limeira (baixo) e Paulinho Tazz (percussão), além de participação de Pedro Osmar. Seu álbum mais recente é Senderos (2019). Em 2025 toda a sua obra foi disponibilizada nas plataformas de streaming pelo selo paraibano Taioba Music.
Seus parceiros mais frequentes foram Ronaldo Monte, falecido em 2018, com quem escreveu cinco canções, Pedro Osmar, Paulo Ró, Totonho, Adeildo Vieira e o poeta paraense Joãozinho Gomes. Suas composições foram gravadas por Soraia Bandeira, Gláucia Lima, Ana Salvagni, Isa Talbe, Escurinho, o Coral Voz Ativa e Paulinho Ditarso. Com Ronaldo Monte musicou ainda dezessete textos sobre os direitos da criança e do adolescente para o projeto Eu me Declaro Criança, concebido como livro acompanhado de CD. Participou também das coletâneas Cantata Popular e Coletânea Musiclube e de discos de outros artistas paraibanos, como o Jaguaribe Carne e Lâminas de Black Tie, de Paulinho Ditarso. Participou dos projetos Pixinguinha, Seis e Meia e Circuito Universitário e de festivais do Sesc, com apresentações no Nordeste e no Sudeste. Em 4 de junho de 2025 a Editora A União lançou o Songbook Milton Dornellas – Música Artesanal, livro de partituras e cifras com catorze composições suas, arranjadas por Uaná e Sérgio Gallo. Em 11 de setembro de 2026 celebrou os cinquenta anos de carreira com o show Música Artesanal, no Café da Usina, em João Pessoa, acompanhado por Dudu Campos e Eduardo Brito (guitarras), Eliza Sonoriosa (bateria) e Ingrid Simplício (baixo).
Gestão cultural Milton Dornellas foi diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), onde descentralizou as ações culturais para os bairros e ampliou a diversidade da programação oficial. Em 2011 presidiu a comissão deliberativa do Fundo Municipal de Cultura, que definiu como "mais um passo para a democratização da cultura em João Pessoa", e em março de 2012 foi eleito presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Cultura das Capitais e Regiões Metropolitanas, passando a integrar o Conselho Nacional de Política Cultural e a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura. Em abril de 2012 foi nomeado diretor executivo adjunto da Funjope pelo prefeito Luciano Agra. Posteriormente assumiu a coordenação-geral do Prima (Programa de Inclusão Social Através da Música e das Artes), programa do governo estadual de ensino de música com núcleos em diversos municípios paraibanos, que resume no lema "a música como meio, o futuro como fim". Em 6 de abril de 2026 tomou posse como secretário executivo da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba, no governo de Lucas Ribeiro.
Homenagens Em 2015 recebeu da Câmara Municipal de João Pessoa o título de Cidadão Pessoense, por proposta da vereadora Sandra Marrocos (PSB), em sessão solene realizada em conjunto com a sessão especial alusiva ao Dia do Músico, com apresentação do Coral Voz Ativa. Na ocasião, resumiu sua relação com a cidade: "Me sinto totalmente inserido no modo de vida e cultura desta cidade, minha ligação é orgânica, não estamos de passagem, temos compromisso".
Discografia Álbuns 1986 – No Ventre da Besta (compacto duplo, Musiclube) 1993 – Mandrágora (LP, Musiclube) 1998 – Ancestrais, com o Quinteto da Paraíba 2000 – Sete Mares 2002 – Alinhavo 2006 – O Gargalhar da Invernada 2012 – Bom Mesmo é a Gargalhada no Final 2019 – Senderos
Com grupos 1992 – Canto Cereal, com o Grupo Etnia (LP, Musiclube) 1994 – Assaltarte, com o Grupo Assaltarte
Participações 1997 – Coletânea Musiclube (CD, Musiclube) 2000 – Adeildo Vieira – Diário de Bordo Paulinho Ditarso – Lâminas de Black Tie 2003 – Jaguaribe Carne – Vem no Vento
Livros Songbook Milton Dornellas – Música Artesanal (Editora A União, 2025)
Ligações externas Milton Dornellas no Discogs Milton Dornellas no site da Taioba Music
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