Maomé ibne Abedalá ibne Saíde (; m. 1755/6) foi um xarife dos Du Zaíde e emir de Meca em dois períodos, de 1731 a 1733 e de 1733 a 1734. Era filho de Abedalá ibne Saíde e sobrinho de Maçude ibne Saíde, com quem disputou o controle do emirado. Maomé sucedeu ao pai em 1143 A.H. (1731), mas foi deposto por Maçude em 1145 A.H. (1733). Recuperou Meca cerca de três meses depois e governou até 1146 A.H. (1734), quando foi novamente derrotado pelo tio. Após alguns anos entre tribos beduínas, reconciliou-se com Maçude em 1151 A.H. (1738–1739), por mediação do emir do haje sírio , e retornou a Meca, onde permaneceu até morrer em 1169 A.H. (1755–1756).
Vida
Maomé era filho do emir de Meca Abedalá ibne Saíde e pertencia aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas, que dominou o emirado durante grande parte do . Sua linhagem era Maomé ibne Abedalá ibne Saíde ibne Sade ibne Zaíde ibne Mucine. Quando seu pai morreu, em 1143 A.H. (1731), Maomé encontrava-se no Iêmem. Seu tio Maçude ibne Saíde apoiou sua sucessão e Maomé foi proclamado emir durante sua ausência. Após retornar do Iêmem, assumiu pessoalmente o governo em 29 de Dulcada. Em 1145 A.H. (1733), as relações entre Maomé e Maçude deterioraram-se, e este retirou-se para Taife, onde reuniu numerosos xarifes e obteve o apoio dos taquifitas e de outras tribos. Maçude então marchou contra Meca, sendo enfrentado pelo sobrinho nas proximidades do , situado à esquerda da estrada que conduzia ao monte Arafate. Os dois exércitos travaram uma batalha em 7 de Jumada Aluala, na qual Maomé foi derrotado e retirou-se para , enquanto suas tropas passaram para o lado de Maçude, que assumiu o emirado de Meca. Seu primeiro governo havia durado um ano, cinco meses e doze dias.
O primeiro governo de Maçude durou cerca de três meses. Maomé deixou Alhusseinia e seguiu para o sul, alcançando , antes de atravessar as montanhas em direção a Taife, onde reuniu partidários entre os taquifitas e outras tribos. Ao saber de seus preparativos, Maçude marchou contra ele, enquanto Maomé recuou para Almátena, nos arredores de Taife, e estabeleceu suas forças em posições elevadas. Quando as tropas de Maçude avançaram pela planície abaixo delas, os homens de Maomé abriram fogo e infligiram-lhes pesadas perdas. Maçude foi derrotado e fugiu, perseguido pelo sobrinho, que retornou vitorioso a Meca e foi novamente proclamado emir em Xabã de 1145 A.H. (1733). Algumas fontes resumem essa restauração como ocorrida em 1146 A.H.
O segundo governo de Maomé permaneceu relativamente estável pelo restante de 1145 A.H., mas uma nova crise começou em 20 de Rabi Alaual de 1146 A.H. (1733), quando uma altercação entre um soldado iemenita pertencente às forças do emir e um janízaro terminou com a morte do primeiro. Soldados iemenitas reuniram-se para vingá-lo e cercaram o jardim onde se encontrava o comandante dos janízaros. Durante o confronto, este foi atingido por um disparo e morreu pouco depois. Os janízaros rebelaram-se e receberam o apoio das tropas egípcias estacionadas em Meca, fortificando-se no bairro de Suaica. Maomé tentou negociar com eles e posteriormente recorreu ao governador de Gidá, mas os revoltosos deixaram Meca e seguiram para aquela cidade, onde proclamaram a deposição do emir e reconheceram Maçude em seu lugar.
Maçude, que se encontrava em , recebeu dinheiro e provisões dos revoltosos e, depois de reunir partidários entre as tribos, avançou em direção a Meca. Acampou inicialmente em Hudaibia, onde recebeu o reforço das tropas de Gidá, mas suas forças foram dispersadas por Maomé. Este dirigiu-se depois pessoalmente a Gidá e, mediante pagamentos, conseguiu afastar vários dos partidários do tio. Também enviou a Maçude mil aḥmar na tentativa de obter sua reconciliação. Maçude aceitou o dinheiro, mas utilizou seus recursos para seguir a Taife e reunir novas forças. De lá marchou novamente contra Meca e, após intensos combates nos arredores da cidade, derrotou o sobrinho. Maomé fugiu para Alhusseinia, enquanto Maçude entrou em Meca e foi proclamado emir pela segunda vez em 7 Ramadã de 1146 A.H. (1734).
Após sua segunda deposição, Maomé permaneceu durante vários anos entre as tribos beduínas. Em 1151 A.H. (1738–1739), encontrou-se com , então emir do haje sírio, e procurou obter seu apoio para recuperar o emirado. Solimão recusou-se a auxiliá-lo na retomada do poder, mas, ao chegar a Meca, mediou uma reconciliação entre tio e sobrinho. Maomé, que então se encontrava em Culais, retornou à cidade e foi recebido honrosamente por Maçude. Maomé permaneceu desde então em Meca sob a autoridade do tio. Em 1157 A.H. (1744–1745), quando membros da tribo de interromperam as rotas e cometeram ataques na região, Maçude enviou o sobrinho à frente de uma força contra eles. Maomé surpreendeu-os, apoderou-se de seus rebanhos e matou vários de seus homens. Maomé morreu em 1169 A.H. (1755–1756), alguns anos depois da morte de Maçude.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Zaídidas Categoria:Xarifes de Meca