A catelicidina constitui uma das famílias mais proeminentes de péptidos antimicrobianos presentes nos mamíferos, desempenhando um papel crucial na primeira linha de defesa do sistema imunitário inato. No ser humano, o único membro desta família identificado é codificado pelo gene CAMP e sintetizado inicialmente sob a forma de uma pró-proteína inativa conhecida como hCAP18; esta molécula é posteriormente clivada por proteases específicas para libertar o péptido biologicamente ativo, denominado LL-37. Devido à sua estrutura anfipática e carga elétrica nitidamente positiva (catiónica), o LL-37 é fortemente atraído pelas membranas celulares dos agentes patogénicos, que possuem carga negativa, ligando-se a elas e provocando a formação de poros microscópicos que culminam na lise celular e na consequente eliminação de uma vasta gama de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, vírus com envelope lipídico e fungos. Para além desta ação microbicida direta, a catelicidina funciona como um agente imunomodulador multifuncional, atuando como quimiotático para recrutar neutrófilos, monócitos e linfócitos T para os locais de infeção, e exibindo a capacidade de neutralizar lipopolissacáridos (LPS) bacterianos, o que previne respostas inflamatórias exacerbadas e o risco de choque sético. Adicionalmente, este péptido estimula a angiogénese e a proliferação das células epiteliais, assumindo uma função preponderante na cicatrização e regeneração de tecidos cutâneos e mucosas. A regulação da sua expressão está intrinsecamente ligada à vitamina D, cuja forma ativa se liga ao recetor VDR para induzir diretamente a transcrição do gene CAMP, justificando-se assim a correlação clínica entre a hipovitaminose D e a maior suscetibilidade a infeções respiratórias. Na medicina contemporânea, a desregulação dos níveis de catelicidina está associada a várias patologias dermatológicas: enquanto o seu défice na dermatite atópica predispõe os pacientes a infeções secundárias por Staphylococcus aureus, a sua expressão excessiva ou o seu processamento anómalo estão diretamente implicados na fisiopatologia da rosácea e da psoríase, onde atua como um gatilho para a inflamação crónica e respostas autoimunes. Face ao crescimento alarmante da resistência bacteriana aos antibióticos convencionais, a catelicidina e os seus derivados sintéticos representam atualmente uma das vias de investigação biotecnológica mais promissoras para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas antimicrobianas.
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