Clean é um documentário australiano de 2022 que retrata a trajetória de Sandra Pankhurst, mulher trans que se tornou conhecida pelo trabalho como profissional especializada na limpeza de cenas de crimes e de locais marcados por situações traumáticas. A narrativa percorre diferentes momentos de sua vida, desde uma infância conturbada, marcada pela adoção e, posteriormente, pela expulsão de casa durante a adolescência, até o casamento e as experiências relacionadas à identidade de gênero.
Ao longo da produção, são apresentadas as dificuldades enfrentadas no início da trajetória profissional, culminando na criação da Specialist Trauma Cleaning Services. A empresa reúne uma equipe especializada na higienização de cenas de crimes, locais de suicídio e ambientes afetados pelo acúmulo compulsivo de objetos. Além de coordenar e participar diretamente das atividades, compartilham-se experiências pessoais e desafios relacionados ao setor. Com o decorrer do documentário, observa-se a deterioração da saúde de Pankhurst, possivelmente associada à exposição prolongada a produtos químicos utilizados na limpeza. Apesar disso, mantém-se ativa profissionalmente, participando também de eventos e palestras públicas.
O elenco é composto por Pankhurst, que interpreta a si mesma, e por seus funcionários. A produção ficou a cargo de David Elliot-Jones e Charlotte Wheaton, da Walking Fish Productions, enquanto a direção foi assumida por Lachlan Mcleod. O cineasta teria se interessado pela história após assistir a uma participação de Pankhurst na televisão. Lançado em 2022, Clean foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Melbourne e no de Edimburgo. No mesmo ano, recebeu duas indicações ao Australian Film Institute Awards. Tanto o público quanto a crítica apresentaram uma recepção positiva à obra.
Produção David Elliot-Jones e Charlotte Wheaton, da Walking Fish Productions, foram responsáveis pela produção do documentário. O interesse do diretor Lachlan Mcleod pela trajetória de Pankhurst surgiu após assistir a uma entrevista concedida por ela à emissora australiana SBS, durante uma reportagem sobre o acúmulo compulsivo de objetos. Na ocasião, ainda não havia tido contato com The Trauma Cleaner, obra publicada em 2017 por Sarah Krasnostein, na qual é documentada a vida de Pankhurst. O trabalho desenvolvido na limpeza de ambientes afetados por situações traumáticas despertou sua atenção. Ao longo de três anos de produção, estabeleceu-se uma relação de proximidade entre o diretor e a personagem.
Em entrevista à Screen Australia, Mcleod relatou que Pankhurst precisou de algum tempo para desenvolver confiança na equipe responsável pelas filmagens. Entretanto, sua disposição e satisfação em estar diante das câmeras contribuíram para o andamento do projeto. Inicialmente, os registros eram realizados de maneira não sistemática, acompanhando diferentes aspectos de seu trabalho considerados relevantes para a construção da narrativa. Segundo o diretor, a intensidade das filmagens aumentou significativamente durante os seis meses finais da produção. A primeira cena registrada durante a realização de Clean também correspondeu ao último trabalho desempenhado por Pankhurst. Pouco tempo depois, adoeceu e precisou ser hospitalizada, vindo a falecer antes do lançamento do documentário. Posteriormente, a obra foi apresentada na 70.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Melbourne e também no Festival de Edimburgo.
Premissa Clean concentra-se na trajetória de Pankhurst, desde a infância até os últimos anos de sua vida. Ainda criança, foi entregue para adoção por sua mãe, que se viu obrigada a tomar essa decisão. Posteriormente, passou a viver com uma família pouco acolhedora e, aos dezessete anos, foi expulsa de casa. Designada como do sexo masculino ao nascer, casou-se posteriormente com uma mulher e teve filhos. A união chegou ao fim quando reconheceu o desejo de realizar a transição de homem para mulher. Ao longo do documentário, relata a mudança de seu nome, de Peter para Sandra, além das diferentes atividades profissionais exercidas antes de ingressar no setor funerário, entre elas o trabalho como profissional do sexo e drag queen.
A maior parte da produção concentra-se na fase posterior de sua vida, marcada pela atuação como proprietária e administradora da Specialist Trauma Cleaning Services, empresa especializada na limpeza de cenas de crimes e na recuperação de ambientes ocupados por pessoas em situação de acúmulo compulsivo de objetos. Acompanhada pela equipe, atende a diferentes ocorrências em Melbourne, apresentando e discutindo as particularidades e os desafios envolvidos tanto na higienização de locais onde ocorreram crimes quanto no atendimento a indivíduos que vivem em condições insalubres e de extrema desorganização. Durante a narrativa, revela sofrer de uma doença terminal, possivelmente relacionada à exposição prolongada a produtos químicos utilizados nos primeiros anos de funcionamento da empresa. Também é retratada em eventos e palestras realizados em Melbourne. Próximo ao encerramento, os funcionários recebem a notícia de seu falecimento em decorrência da enfermidade.
Ficha técnica Lachlan Mcleod (direção e roteiro) David Elliot-Jones (produção) Charlotte Wheaton (produção) Louis Dai (cinematografia e edição) Patrick Grigg (música)
Recepção Crítica No Rotten Tomatoes, o documentário apresenta índice de aprovação de 100%, com base em 15 avaliações. De maneira geral, recebeu críticas favoráveis, embora a utilização de cenas de reconstituição tenha sido apontada como um aspecto negativo por diversos avaliadores. Em crítica publicada no The Guardian, Cher Tang descreveu a abordagem visual como simples e desprovida de grandes floreios. Apesar disso, considerou a inclusão de reconstituições de acontecimentos da vida de Pankhurst um "grande erro desnecessário". Em sentido semelhante, Jessica Kiang, da Variety, também julgou tais sequências dispensáveis. Ainda assim, observou que "continua sendo um filme envolvente e cheio de energia, concebido menos para provocar do que para inspirar". Fionnuala Halligan, da Screen Daily, igualmente identificou as reconstituições como um ponto negativo, classificando-as como uma "decepção para um elenco de personagens tão decididamente reais". Embora tenha ressalvado que a produção "não seja um filme completo", reconheceu que constitui "certamente [...] uma homenagem a Pankhurst". John Noonan, da FilmInk, atribuiu à obra 17 pontos em 20. Apesar da avaliação predominantemente positiva, também criticou as reconstituições, definindo-as como "histriônicas".
David Rooney, do The Hollywood Reporter, caracterizou a produção como uma "homenagem calorosa às muitas vidas de Pankhurst". Assim como outros críticos, porém, considerou que "poderia ter dispensado as recriações dramáticas". Ao final, definiu como "um estudo de personagem extraordinário, com um capítulo final que deixará você profundamente emocionado". Stephen Russell, da Time Out, classificou a obra como "recomendada" e a descreveu como uma "homenagem apropriada a uma vida bem vivida" de Pankhurst. Também elogiou a direção por "sabiamente reduzir o documentário ao essencial", concentrando a narrativa na trajetória da protagonista e em sua determinação de estabelecer ordem em meio ao caos.
Prêmios e indicações Prêmio Categoria Receptor Resultado Australian Film Institute AwardsMelhor DocumentárioLachlan Mcleod, David Elliot-Jones e Charlotte WheatonMelhor Montagem em um DocumentárioLouis Dai e Lachlan Mcleod
Ligações externas
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