alt=Placas anecoicas no casco do HMS Triumph. Seções com placas ausentes são visíveis próximo à borda dianteira da vela.|miniaturadaimagem|350x350px|Placas anecoicas no casco do HMS Triumph. Seções com placas ausentes são visíveis próximo à borda dianteira da vela. As placas anecoicas são revestimentos de borracha ou polímeros sintéticos contendo milhares de pequenas cavidades, aplicados ao casco exterior de navios militares e submarinos, bem como em câmaras anecoicas. Sua função é dupla: Absorver as ondas sonoras do sonar ativo, atenuando e distorcendo o sinal de retorno, reduzindo assim o seu alcance efetivo de detecção. Atenuar os sons emitidos pela própria embarcação — tipicamente de seus motores e maquinários internos —, diminuindo a distância na qual ela pode ser detectada por sonar passivo.

Desenvolvimento no Terceiro Reich esquerda|Visão em primeiro plano de uma placa Alberich, ilustrando os padrões de múltiplos orifícios com diâmetros distintos.|alt=Visão em primeiro plano de uma placa Alberich, ilustrando os padrões de múltiplos orifícios com diâmetros distintos.|miniaturadaimagem|450x450px

A tecnologia das placas anecoicas foi desenvolvida pela Kriegsmarine durante a Segunda Guerra Mundial, recebendo o codinome Alberich, em referência a Alberich, o anão guardião invisível do tesouro do ouro do Reno da tetralogia de dramas musicais Der Ring des Nibelungen, de Richard Wagner. O revestimento consistia em placas de aproximadamente 1 m² por 4 mm de espessura, dotadas de fileiras de orifícios em dois tamanhos: 4 mm e 2 mm de diâmetro.

Fabricado pela IG Farben como uma placa moldada de borracha sintética, o material utilizava um homopolímero estabilizado e apolar de poliisobutileno de alto peso molecular com elasticidade a baixas temperaturas; a borracha em si era comercializada sob a marca registrada Oppanol.

O material não era homogêneo, mas repleto de cavidades de ar que degradavam a reflexão das emissões do ASDIC. O revestimento reduzia os ecos em 15% na faixa de frequências de 10 a 18 kHz. Essa faixa coincidia com o espectro operacional dos primeiros sonares ativos ASDIC utilizados pelos Aliados — os modelos ASDIC 123, 123A, 144 e 145 operavam todos entre 14 e 22 kHz. Contudo, essa atenuação do eco não era uniforme em todas as profundidades de imersão, visto que as cavidades de ar eram progressivamente comprimidas pela pressão hidrostática. Uma vantagem adicional do revestimento era atuar como amortecedor acústico, contendo os ruídos produzidos pelo próprio sistema de propulsão do submarino. alt=Placas Alberich aplicadas no casco do U-480.|miniaturadaimagem|250x250px|Placas Alberich aplicadas no casco do U-480. O revestimento realizou seus primeiros testes marítimos em 1940, a bordo do U-11, um submarino do Tipo IIB. O U-67, do Tipo IX, tornou-se o primeiro U-boot operacional equipado com a tecnologia. Após sua primeira patrulha de combate, a embarcação aportou em Wilhelmshaven, provavelmente por volta de abril de 1941, onde recebeu o revestimento cobrindo a torre de comando e as laterais do casco, com exceção do convés. Em 15 de maio de 1941, o U-67 encontrava-se em Kiel realizando testes operacionais no mar Báltico. Em julho daquele ano, as placas foram retiradas de quase todo o navio, permanecendo apenas na proa e na torre de comando. Ensaios acústicos complementares foram executados no estreito de Pequeno Belt, mas revelaram-se insatisfatórios, culminando na remoção completa do material remanescente. Desde o início surgiram dificuldades com a durabilidade do adesivo, que não apresentava resistência suficiente para fixar a borracha sintética ao casco de pressão e ao chapeamento externo. Com isso, as placas descolavam-se e provocavam turbulências hidrodinâmicas, facilitando a localização acústica da embarcação. Ademais, verificou-se que o atrito gerado pelo revestimento reduzia significativamente a velocidade de navegação.

Os problemas de adesão só foram superados no final de 1944, com a formulação de uma cola especial e um processo de fixação minucioso, demandando milhares de horas de colagem e rebitagem manual sobre a estrutura do submarino. O primeiro U-boot a homologar o novo adesivo com sucesso foi o U-480, do Tipo VIIC. Satisfeito com os resultados, o Oberkommando der Marine planejou equipar em larga escala as novas frotas dos Tipos XXI e XXII. No entanto, a guerra chegou ao fim antes que a produção em massa fosse viabilizada. No encerramento do conflito, apenas um submarino operacional do Tipo XXIII, o U-4709, contava com o revestimento anecoico instalado. Entre os U-boots que receberam as placas Alberich constam: U-11, U-480, U-485, U-486, U-1105, U-1106, U-1107, U-1304, U-1306, U-1308, U-4704, U-4708 e U-4709.

Revestimentos anecoicos desenvolvidos a partir de pesquisas e dados técnicos transferidos pela Alemanha também foram instalados nos submarinos japoneses da classe I-400, embora utilizassem formulações químicas distintas das placas de borracha alemãs Alberich ou Tarnmatte.

Uso moderno Após o término do conflito, o conceito permaneceu em desuso até o final dos anos 1960, momento em que a União Soviética passou a revestir seus submarinos nucleares com placas de borracha sintética, a começar pela classe Victor. Inicialmente, essas placas também apresentavam propensão ao desprendimento; contudo, à medida que os processos de adesão evoluíram, constatou-se uma redução drástica nas assinaturas acústicas das embarcações. As placas russas modernas têm aproximadamente 100 mm de espessura e foram responsáveis por reduzir os níveis de ruído dos submarinos da classe Akula entre 10 e 20 decibéis (o que representa uma diminuição para entre 10% e 1% da potência sonora original).

As placas contemporâneas são frequentemente compostas por múltiplas camadas poliméricas com cavidades de diferentes calibres, projetadas para absorver e dispersar frequências sonoras selecionadas em profundidades variadas. Materiais de naturezas distintas são dispostos por engenheiros navais de forma setorial pelo casco, de modo a atenuar frequências específicas irradiadas por maquinários internos situados em cada compartimento.

A Marinha Real Britânica iniciou o emprego operacional de placas anecoicas em 1980, instalando-as no HMS Churchill durante sua segunda modernização periódica.

A Marinha dos Estados Unidos também adotou o revestimento em 1980, introduzindo-o na frota por meio do USS Batfish.

Atualmente, quase todas as classes modernas de submarinos militares utilizam revestimentos anecoicos em seus cascos exteriores.

Ver também Material absorvedor de radiação — revestimentos antirradar para submarinos compostos de borracha sintética e pó de óxido de ferro (Tarnmatte) ou lâminas condutoras separadas por materiais dielétricos (absorvedores de Jaumann).

Referências

Categoria:Tecnologia stealth Categoria:Componentes de submarinos Categoria:Invenções e descobertas alemãs