O Mocambo de João Martins foi um mocambo dos Palmares, documentado no início do século XVIII no sertão do rio Coruripe e associado à liderança de João Martins. O assentamento pertenceu à fase posterior à destruição da Cerca do Barriga, em 1694, e à morte de Zumbi, em 1695, quando grupos palmarinos menores e territorialmente dispersos continuaram ativos na região.

O historiador Marc A. Hertzman situa a atividade do mocambo aproximadamente entre 1702 e 1705. Silvia Hunold Lara, com base na documentação administrativa colonial, situa sua destruição por volta de 1705.

Contexto

A destruição da Cerca do Barriga e a morte de Zumbi não encerraram a existência dos assentamentos associados aos Palmares. Nas primeiras décadas do século XVIII, a documentação continua a registrar mocambos formados ou mantidos por grupos que permaneciam nos sertões de Pernambuco. Lara identifica três assentamentos desse período que podem ser localizados cartograficamente de forma aproximada: os comandados por Camuanga, João Martins e Mouza, situados respectivamente nos sertões de Porto Calvo, do rio Coruripe e de Sirinhaém. Segundo a historiadora, foram destruídos aproximadamente em 1704, 1705 e 1714.

Hertzman insere esses mocambos numa rede de fugas e formação de comunidades que continuou depois de 1695. Os assentamentos de Camuanga, João Martins e Mouza ocupavam territórios menores que aqueles controlados pelos palmarinos nas décadas anteriores, mas demonstram a permanência dessas redes no século XVIII.

Localização

Lara situa o Mocambo de João Martins no sertão do rio Coruripe. A indicação corresponde a uma localização regional aproximada, uma vez que a reconstrução cartográfica dos mocambos posteriores a 1695 baseia-se nas referências geográficas e itinerários presentes na documentação colonial, e não na identificação arqueológica de coordenadas precisas.

Cronologia e destruição

Hertzman situa o período conhecido de atividade do Mocambo de João Martins entre aproximadamente 1702 e 1705. Lara situa sua destruição por volta de 1705, entre a destruição do Mocambo do Camuanga, aproximadamente em 1704, e a do Mocambo do Mouza, em 1714.

A documentação disponível é mais limitada que a relativa a alguns dos grandes assentamentos palmarinos do século XVII. Ainda assim, a presença do mocambo na documentação das primeiras décadas do século XVIII constitui parte da evidência de que a história dos Palmares continuou para além da queda da Cerca do Barriga e da morte de Zumbi.

Nome

O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo de João Martins como forma normalizada do nome do assentamento.

O nome corresponde à liderança João Martins, identificada pelas fontes como chefe desse mocambo.

Bibliografia

Categoria:Quilombo dos Palmares