A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (abreviada como FFLCH-USP, ou ainda, como FFLCH) é uma unidade pública de ensino, pesquisa e extensão universitária sediada na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, responsável pelas áreas de Filosofia, Letras, História, Geografia e Ciências Sociais. Em 2023, era o instituto com maior número de estudantes da USP a qual oferece os cursos descritos em graduação e pós-graduação.
Possui uma importante tradição de formação intelectual no Brasil, e seus frutos podem ser conferidos pelo conjunto de contribuições para os pensamentos político, social e artístico brasileiros de seus alunos e professores. Entre as figuras ilustres que já passaram pela instituição, destacam-se: Antônio Candido, Aziz Ab'Saber, Eurípedes Simões de Paula, Fernando Henrique Cardoso, Florestan Fernandes, Gilda de Mello e Souza, João Cruz Costa, Lourival Gomes Machado, Maria Isaura Pereira de Queiroz, Marilena Chauí, Milton Santos, Roberto Schwarz, Ruth Cardoso, Sérgio Buarque de Holanda, entre outros.
Durante o período de redemocratização do país, alguns professores ganharam papel destacado dentro da esfera governamental. Os professores Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes foram deputados constituintes no período 1987–1988, sendo que o primeiro também ocupou os postos de Ministro de Estado da Fazenda e das Relações Exteriores no governo de Itamar Franco, e a presidência da República entre 1994 e 2002. No campo da cultura, a professora Marilena Chauí foi secretária de Cultura da Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Luiza Erundina e o professor Francisco Weffort foi Ministro de Estado da Cultura na gestão de Fernando Henrique.
História Origens na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL)
miniaturadaimagem|236x236px|Primeira sede da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), no distrito da Sé, em São Paulo.O instituto originou-se a partir da extinta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). Foi fundado em 1934 com a finalidade de ser o polo centralizador das atividades da recém-criada Universidade de São Paulo e da formação de um núcleo de pesquisadores brasileiros em diversas áreas do conhecimento. Seus primeiros anos foram marcados pela multidisciplinaridade, oferecendo cursos de ciências exatas, humanas e biológicas, e pela atuação da missão de professores europeus, em sua maioria franceses. O objetivo prático de sua criação era a preparação de docentes especializados para o ensino secundário e superior. À medida que a universidade se expandia, muitos departamentos ligados principalmente às ciências exatas e biológicas ganharam autonomia, formando institutos ou escolas próprias, como o Instituto de Física (IF) ou o Instituto de Matemática e Estatística (IME).
Na década de 1960, a faculdade esteve localizada na rua Maria Antônia, no distrito da Consolação, e foi foco de um intenso movimento estudantil, político e intelectual de oposição à ditadura militar brasileira. Muitos dos professores do instituto, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni e José Arthur Giannotti, foram aposentados compulsoriamente e obrigados a exilar-se, ou a continuar suas atividades intelectuais fora da universidade. Batalha da Maria Antônia e transferência para a Cidade Universitária
esquerda|miniaturadaimagem|272x272px|Prédio da FFCL incendiado após a batalha da Maria Antônia. Na época, a proximidade entre a FFCL e a Universidade Presbiteriana Mackenzie foi motivo para um confronto aberto entre correntes políticas distintas na rua Maria Antônia. A Faculdade reunia grande parte de estudantes de esquerda de São Paulo, em oposição à Universidade Mackenzie, que possuía, à época, um grupo de estudantes de direita que pertencia ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC). A proximidade entre os dois grupos estudantis criou uma tensão que culminou em um sangrento confronto o qual matou o estudante secundarista de 20 anos, José Carlos Guimarães, do Colégio Marina Cintra, que fora apenas ver o que estava ocorrendo, sendo atingido e morto por uma bala perdida. O conflito acelerou o processo de transferência, já previsto, realizado pelo governo militar, da FFCL para a atual Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, localizada no distrito do Butantã.
Greve estudantil de 2002
miniaturadaimagem|251x251px|Prédio dos cursos de Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH-USP, 2023. Em 29 de abril de 2002, uma assembleia de alunos do curso de Letras aprovou a decretação de uma greve por tempo indeterminado. Eles reivindicaram a contratação de professores para minimizar a superlotação de salas de aulas, alguns docentes chegavam a trabalhar com turmas de 200 alunos.
Depois de 104 dias, em 15 de agosto, a greve terminou após votação feita pelos estudantes, que pediam a contratação de 259 docentes, enquanto a reitoria propôs contratar 92, proposta aceita por alguns professores.
Histórico de diretoria
Primeiras direções O primeiro diretor da Faculdade foi o professor Teodoro Augusto Ramos, matemático da Escola Politécnica, encarregado de viajar para a Europa e trazer para a Universidade de São Paulo os professores estrangeiros nas chamadas "Missões Francesas e Italiana". Ramos, no entanto, permaneceu pouco tempo no cargo, sendo então substituído pelo professor Antônio de Almeida Prado, da Faculdade de Medicina, ainda no ano de 1934.
No período de 1934 até 1969, ano da Reforma Universitária que dividiu a FFCL em FFLCH e outros institutos (IME, IF, Instituto de Psicologia, Instituto de Química, Instituto de Geociências e a Faculdade de Educação), os diretores estiveram assim divididos: cinco deles eram professores de outras unidades (Teodoro Augusto Ramos e Luís Anhaia Mello, da Escola Politécnica; Antônio de Almeida Prado e Ernesto de Sousa Campos, da Faculdade de Medicina; e Alexandre Corrêa, da Faculdade de Direito) e sete da própria FFCL. Desses, três eram do curso de História (Alfredo Ellis Júnior, Astrogildo Rodrigues de Mello e Eurípedes Simões de Paula), um da Sociologia (Fernando Azevedo) e três da Biologia (Paulo Sawaya, André Dreyfus e Mário Guimarães Ferri). O professor Eurípedes Simões de Paula, que era diretor quando a FFCL foi dividida, continuou como diretor da nova unidade, a FFLCH, até 1972.
Relação de diretores e vice-diretores Segundo o sítio oficial da unidade: +Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP) [1934 — 1968]PeríodoDiretorVice-diretor1934Teodoro Augusto Ramos—1934 – 1937Antônio de Almeida Prado—1937 – 1938Ernesto de Sousa Campos—1938 – 1939Alexandre Corrêa—1939 – 1941Alfredo Ellis Júnior—1941Luís Anhaia Mello—1941 – 1943Fernando de Azevedo—1943 – 1947André Dreyfus—1947 – 1950Astrogildo Rodrigues de Mello —1950 – 1958Eurípedes Simões de Paula —1959 – 1960Paulo Sawaya—1961 – 1968Mário Guimarães Ferri— +Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) [1968 — 1985]PeríodoDiretorVice-diretor1968 – 1972Eurípedes Simões de Paula—1972 – 1974Eduardo d'Oliveira França—1974 – 1977Eurípedes Simões de Paula—1977 – 1981Erwin Theodor Rosenthal—1982 – 1984Ruy Galvão de Andrada Coelho— +Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) [1985 — 2025]Período de direçãoDiretor(a)Período de vice-direçãoVice-diretor(a)16 de maio de 1985 – 21 de maio de 1989João Baptista Borges Pereira21 de junho de 1985 – 20 de junho de 1989João Paulo Gomes Monteiro22 de maio de 1989 – 26 de abril de 1990João Alexandre Costa Barbosa 7 de agosto de 1989 – 17 de junho de 1990Adilson Avansi de Abreu18 de junho de 1990 – 17 de junho de 1994Adilson Avansi de Abreu25 de junho de 1990 – 24 de junho de 1994Izidoro Blikstein27 de junho de 1994 – 26 de junho de 1998João Baptista Borges Pereira22 de agosto de 1994 – 23 de julho de 1998Francis Henrik Aubert24 de julho de 1998 – 23 de julho de 2002Francis Henrik Aubert25 de agosto de 1998 – 24 de agosto de 2002Renato da Silva Queiroz24 de julho de 2002 – 20 de dezembro de 2005Sedi Hirano25 de agosto de 2002 – 24 de agosto de 2003Eni de Mesquita Samara24 de março de 2006 – 25 de setembro de 2008Gabriel Cohn22 de março de 2004 – 21 de março de 2008Sandra Margarida Nitrini26 de setembro de 2008 – 25 de setembro de 2012Sandra Margarida Nitrini18 de dezembro de 2008 – 17 de dezembro de 2012Modesto Florenzano26 de setembro de 2012 – 25 de setembro de 2016Sérgio França Adorno de Abreu4 de fevereiro de 2013 – 25 de setembro de 2016João Roberto Gomes de Faria26 de setembro de 2016 – 25 de setembro de 2020Maria Arminda do Nascimento Arruda26 de setembro de 2016 – 25 de setembro de 2020Paulo Martins26 de setembro de 2020 – 25 de setembro de 2024Paulo Martins26 de setembro de 2020 – 25 de setembro de 2024Ana Paula Megiani26 de setembro de 2024 – 25 de setembro de 2028Adrián Pablo Fanjul26 de setembro de 2024 – 25 de setembro de 2028Silvana de Souza Nascimento
Periódicos A FFLCH-USP publica mais de quarenta periódicos. Cada um está associado a um dos doze departamentos da unidade.
Titulações O título de "Professor Emérito" é dado a docentes aposentados com destacados serviços prestados à Faculdade e com elevada qualidade acadêmica. A proposta de concessão do título parte do Conselho Departamental onde o professor estava lotado, deve ser apreciada pela Congregação, e depois aprovada por dois terços de seus membros. +