Panteão () é um edifício em Roma, Itália, encomendado por Marco Vipsânio Agripa durante o reinado do imperador Augusto e reconstruído por Adriano por volta de 126.

Sua planta é circular com um pórtico de grandes colunas coríntias de granito (oito na primeira fila e dois grupos de quatro na segunda) suportando um frontão. Um vestíbulo retangular liga o pórtico à rotunda, que está coberta por uma enorme cúpula de caixotões de concreto encimada por uma abertura central (óculo) descoberta. Quase dois mil anos depois de ter sido construído, esta cúpula é ainda hoje a maior cúpula de concreto não armado do mundo. A altura até o óculo e o diâmetro da circunferência interior são idênticos, 43,3 metros.

É uma das mais bem preservadas estruturas romanas antigas e permaneceu em uso por toda a sua história. Localizado na Piazza della Rotonda, o Panteão tem sido utilizado como uma igreja, dedicada à "Santa Maria e os Mártires" chamada oficialmente de Santa Maria dei Martiri () e informalmente de Santa Maria Rotonda desde o . É uma basílica menor da Igreja Católica e foi uma diaconia até 1929.

Etimologia

O termo latino "pantheon" é derivado do grego antigo "pantheon" (), que significa "'de', 'relativo a' ou 'comum a' todos os deuses" ("pan/"–"todos" + "theon/"–"deuses"). Dião Cássio, um senador romano que escrevia em grego, especulou que o nome teria vindo ou da estátua dos muitos deuses que ficavam à volta do edifício ou da semelhança entre a cúpula e os céus.Dião Cássio, História romana 53.27, citado em Esta incerteza sugere fortemente que pantheon era apenas um apelido e não o nome real do edifício e o próprio conceito de um "panteão", um templo dedicado a todos os deuses, é questionável. O único panteão anterior ao de Agripa relatado nas fontes é o de Antioquia, na Síria romana, ainda assim, um edifício citado apenas em uma única fonte do . Ziegler tentou obter mais evidências de outros panteões, mas sua lista consiste unicamente de dedicações simples "a todos os deuses" ou "aos doze deuses", que não necessariamente representam evidências de verdadeiros panteões no sentido de "um templo dedicado ao culto de todos os deuses".

Godfrey e Hemsoll lembram que os autores antigos jamais fazem referência ao Panteão de Adriano utilizando a palavra aedes, como fazem com outros templos, e que a inscrição severiana gravada na arquitrave utiliza unicamente o termo pantheum e não aedes panthei ("templo de todos os deuses"). É também bastante importante o fato de Dião Cássio não ter citado a mais simples explicação para o nome do edifício, a de que ele seria um templo dedicado a todos os deuses. Na realidade, Tito Lívio escreveu que templos (ou talvez apenas suas celas) só poderiam ser dedicados a uma divindade por vez para que ficasse claro qual delas estaria ofendida se, por exemplo, o edifício fosse atendido por um raio e por que havia sacrifícios e ritos específicos para uma ou outra (27.25.7-10). Godfrey e Hemsoll defendem que a palavra pantheon "não precisa denotar um grupo de deuses em particular e, na verdade, nem todos os deuses, pois ela pode muito bem ter tido outros significados... Certamente a palavra 'pantheus' ou 'pantheos' poderia ser aplicada a divindades individuais... Lembrando ainda que a palavra grega ('theios') não necessariamente significa 'de um deus', mas pode ser ainda 'super-humano' ou mesmo 'excelente'".

Desde a Revolução Francesa, quando a igreja de Santa Genoveva (Sainte-Geneviève) em Paris foi desconsagrada e transformada no monumento secular chamado Panthéon, o termo genérico pantheon (panteão) tem sido aplicado a outros edifícios nos quais os mortos mais ilustres de uma comunidade são homenageados ou sepultados.

História Antiga

thumb|esquerda|upright=1.3|Planta do Panteão. Em vermelho, o Panteão de Agripa e em preto, o Panteão de Adriano. Neste diagrama fica evidente a mudança na orientação do edifício com a mudança de posição do pórtico de entrada.

Depois da Batalha de Áccio (), Marco Vipsânio Agripa deu início a um impressionante programa de obras: o Panteão era parte de um complexo criado por ele em suas próprias terras no Campo de Marte entre 29 e , que incluía ainda três edifícios alinhados do sul para o norte, os Banhos de Agripa, a Basílica de Netuno e o Panteão. É provável que os dois últimos fossem os edifícios religiosos de uso exclusivo de Agripa (sacra privata) e não templos públicos (aedes publicae). Esta designação menos solene ajuda a explicar o motivo pelo qual o edifício perdeu tão facilmente seu nome e objetivo originais (Ziolkowski refuta essa ideia e defende que ele era originalmente o Templo de Marte no Campo) em tão pouco tempo.

Por muito tempo se acreditou que o edifício atual tenha sido construído por Agripa e que teria apenas sofrido algumas alterações posteriores, uma crença decorrente, pelo menos em parte, da inscrição no frontão, "M·AGRIPPA·L·F·COS·TERTIVM·FECIT" ou M[arcus] Agrippa L[ucii] F[ilius] co[n]s[ul] tertium fecit ("Marcos Agripa, filho de Lúcio, fez [este edifício] quando cônsul pela terceira vez"). Porém, escavações arqueológicas revelaram que o Panteão de Agripa foi completamente demolido, com exceção da fachada. Lise Hetland defende que a construção moderna começou em 114, no reinado de Trajano, quatro anos depois de ter sido destruído num incêndio pela segunda vez (Oros. 7.12). Ela reexaminou o trabalho de Herbert Bloch (1959), que propôs a data adriânica geralmente defendida, e afirma que ele não deveria ter excluído todos os tijolos trajânicos de seu estudo dos selos de olaria. Este argumento é reforçado pelo argumento de Heilmeyer, baseado em evidências estilísticas, de que Apolodoro de Damasco, o arquiteto de Trajano, teria obviamente sido o arquiteto do Panteão.

A forma do Panteão de Agripa ainda é discutida. Como resultado das escavações do final do , o arqueólogo Rodolfo Lanciani concluiu que ele estava de frente para o sul, ao contrário do edifício atual, que está de frente para o norte, e que ele tinha uma planta em forma de um "T" encurtado, com a entrada na base do "T". Esta descrição foi amplamente aceita até o final do . Apesar de as mais recentes escavações arqueológicas sugerirem que o edifício de Agripa possa ter sido circular com um pórtico triangular e com a fachada voltada para o norte, muito parecido com as reconstruções posteriores, Ziolkowski reclama que estas conclusões são conjecturais. As escavações não encontraram nenhum material datável e, ainda assim, atribuíram todos os achados à fase de Agripa sem levar em conta que Domiciano, conhecido por seu entusiasmo em construir e que certamente restaurou o Panteão depois de 80 pode muito bem ter sido o responsável por tudo o que foi encontrado. Segundo ele, a opinião original de Lanciani ainda é sustentada por todos os achados até o momento, inclusive o destas escavações. Além disso, ele se mostra cético por que o edifício descrito recentemente, "um único edifício composto por um enorme pronau e uma cela circular de mesmo diâmetro unidas por uma relativamente estreita e muito curta passagem (muito mais estreita que o atual bloco intermediário) não tem nenhum paralelo conhecido na arquitetura clássica e iria contra tudo o que conhecemos sobre os princípios do design romano em geral e da arquitetura augustana em particular". upright|Diagrama da igreja no início do .|thumb

As únicas passagens que fazem referência à decoração do Panteão de Agripa escritas por uma testemunha ocular estão na História Natural de Plínio. Através dela, sabemos que "os capiteis, também, dos pilares, que foram colocados por M. Agrippa no Panteão, são feitos de bronze siracusano", que "o Panteão de Agripa foi decorado por Diógenes de Atenas e as cariátides, dele, que formam as colunas do templo, são consideradas obras-primas da excelência: o mesmo, também, para as estátuas colocadas no teto" e que uma das pérolas de Cleópatra foi partida ao meio para que cada metade "pudesse servir como pingentes nas orelhas da Vênus no Panteão de Roma". O Panteão de Agripa foi destruído juntamente com muitos outros edifícios num gigantesco incêndio em 80 Domiciano reconstruiu o edifício, que queimou de novo em 110.

Terminado por Adriano, mas não reivindicado como uma de suas obras, o novo edifício reutilizou o texto da inscrição original na nova fachada (uma prática comum nos projetos de reconstrução de Adriano em toda Roma; o único edifício no qual ele pôs seu próprio nome foi o Templo do Divino Trajano). Não se sabe para quê o edifício era utilizado. A História Augusta relata que Adriano dedicou o Panteão (entre outros edifícios) em nome do patrono original (Hadr. 19.10), mas a atual inscrição não pode ser uma cópia da original, pois ela não informa a quem o templo de Agripa era dedicado e, na opinião de Ziolkowski, seria extremamente improvável, em , Agripa ter se apresentado como consul tertium. Em moedas, as mesmas palavras, "M. Agrippa L.f cos. tertium", foram utilizadas para fazer referência a ele depois de morto; consul tertium servindo como "uma espécie de 'cognomen ex virtude', uma lembrança do fato de que, de todos os homens de sua geração, com exceção do próprio Augusto, foi o único a ser cônsul por três vezes". Seja qual tenha sido a causa da alteração da inscrição, a nova inscrição reflete o fato de que houve uma mudança no objetivo do edifício.

Dião Cássio, escrevendo aproximadamente 75 anos depois da reconstrução do Panteão, atribuiu erroneamente o edifício a Agripa e não a Adriano, apesar de ser o único autor quase-contemporâneo a citar o Panteão. Já em 300 havia incerteza sobre a origem do edifício e seu objetivo:

Em 202, o edifício foi restaurado pelos imperadores conjuntos Sétimo Severo e Caracala, seu filho, motivo pelo qual há mais uma inscrição, menor, na arquitrave da fachada, pouco abaixo da anterior. Quase ilegível atualmente, diz: IMP·CAES·L·SEPTIMIVS·SEVERVS·PIVS·PERTINAX·ARABICVS·ADIABENICVS·PARTHICVS·MAXIMVS·PONTIF·MAX·TRIB·POTEST·X·IMP·XI·COS·III·P·P·PROCOS  ET ("Imp[erador] Caes[ar] L[ucius] Septimius Severus Pius Pertinax, vitorioso na Arabia, vencedor de Adiabene, grande vitorioso da Pártia, Pontífi[ce] Máx[imo], dez vezes tribuno, onze vezes imperador, três vezes cônsul, P[ater] P[atriae], procônsul) IMP·CAES·M·AVRELIVS·ANTONINVS·PIVS·FELIX·AVG·TRIB·POTEST·V·COS·PROCOS·PANTHEVM·VETVSTATE·CORRVPTVM·CVM·OMNI·CVLTV·RESTITVERVNT ("Imp[erador] Caes[ar] M[arcus] Aurelius Antoninus Pius Felix Aug[ustus], cinco vezes tribuno, cônsul, procônsul, restauraram cuidadosamente o Panteão, arruinado pela idade")

Medieval thumb|esquerda|Panteão e a Fontana del Pantheon Em 609, o imperador bizantino Focas deu o edifício ao papa Bonifácio IV , que a converteu em uma igreja cristã e consagrou-a a "Santa Maria e os Mártires" em 13 de maio de 609.João, o Diácono, Monumenta Germaniae Historia (1848) 7.8.20, citado em Vinte e oito carregamentos de relíquias de mártires foram removidos das catacumbas de Roma e colocados num recipiente de pórfiro abaixo do altar-mor.

A consagração do edifício como igreja salvou-o do abandono, destruição e do pior da espoliação que acometeram a maioria dos edifícios da Roma Antiga durante os primeiros séculos da Idade Média. Paulo, o Diácono relata a espoliação do edifício pelo imperador Constante II, que visitou Roma em julho de 663:

Muito do fino mármore externo foi removido ao longo dos séculos e, por exemplo, os capiteis de algumas pilastras estão no Museu Britânico.British Museum Highlights Duas colunas foram engolidas por edifícios medievais que se apoiaram no Panteão pelo leste e se perderam.

Renascimento thumb|upright|Interior do Panteão no século XVIII por Giovanni Paolo Pannini