Belém é um município brasileiro do estado da Paraíba. Pertence à Região Geográfica Intermediária de João Pessoa e está inserido na Região Metropolitana de Guarabira. Localiza-se a 123 quilômetros da capital João Pessoa e a 17 quilômetros do município Guarabira. Sua fundação ocorreu em 6 de setembro de 1957.
Conhecida por ter o maior e melhor festejos de São Pedro da Paraíba, evento popular realizado anualmente no primeiro final de semana do mês de julho, a cidade também é uma das mais importantes rotas de ligação entre diversos municípios da Paraíba ao estado do Rio Grande do Norte, através da PB-073 .
Geografia O município de Belém possui uma área territorial de 100,153 km², estando subdividido em cerca de 54 comunidades rurais, e um distrito (distrito de Rua Nova) e o distrito-sede.
Relevo thumb|left|esquerda|230 px|Relevo, sítio Mufumbo. Vista do Terreno José Leonel. Localizado na Zona Fisiográfica do Piemonte da Borborema, o município de Belém apresenta um relevo caracterizado por uma superfície de pediplanação bastante monótona, relevo predominantemente suave-ondulado, cortada por vales estreitos, com vertentes dissecadas elaborada em rochas cristalinas.
As principais serras são: Suspiro, Jenipapo, Lagoa da Serra, Angelim, Camucá e Baiano.
Clima thumb|direita|200px|Pôr do sol em Belém. Ao fundo a Pedra do Cordeiro. thumb|direita|200 px|Macambira. thumb|direita|200 px|Rio Curimataú. thumb|direita|200 px|Lagoa do Umari.
O clima do município de Belém é do tipo tropical quente e úmido (As’) com chuvas concentradas de outono a inverno, influenciado por localizar-se numa área de transição entre o clima úmido do litoral e o semiárido do sertão. De acordo com o levantamento cartográfico do estado da Paraíba, realizado pela Sudema, a temperatura média anual do município de Belém está em torno de 26 a 27 graus celsius, com pluviosidade média anual de 1000 a 1200 milímetros, e uma insolação média de 2600 a 2700 horas anuais.
Vegetação Por estar na região geográfica da Depressão Sublitorânea a vegetação do município é do tipo catingado, classificada como Agreste e originalmente constituída por uma mata caducifólia de transição, com espécies xerófilas da caatinga e algumas espécies da mata úmida, e ainda, com cobertura de gramíneas rasteiras e espécies arbóreas primitivas como o juazeiro.
Hidrografia O município de Belém está inserido em duas bacias hidrográficas, sendo uma de domínio federal, por ultrapassar as fronteiras do estado da Paraíba, e a outra de domínio estadual, devido à área estar completamente no território paraibano.
Segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) o território belenense pertence às seguintes bacias:
A bacia hidrográfica do Rio Curimataú, pelas regiões norte/oeste do município. Em direção ao estado vizinho do Rio Grande do Norte. Tendo como principais riachos belenenses desaguando nessa bacia hidrográfica os riachos da Picada, Gameleira e do Meio;
E a bacia hidrográfica do Rio Mamanguape, pelas regiões sul/leste do município. Com os riachos desaguando inicialmente na micro-bacia do Rio do Pirpirituba. Esta grande bacia do Rio Mamanguape está incluída no conjunto de bacias hidrográficas do litoral norte paraibano.
Os principais reservatórios d'água são os açudes Tribofe, Picada, Saboeiro, Camucá do meio, Santo Antônio e Nica. E ainda algumas lagoas naturais, como a lagoa da Serra, do Umari e a lagoa do Curimataú.
Geologia Belém pertence à unidade geomorfológica conhecida como Escarpa Oriental da Borborema, caracterizado por morros, serras que avançam da depressão formando os primeiros contrafortes orientais da Borborema, constituídas de rochas do Complexo Presidente Juscelino com embasamento cristalino, com intercalações gnáissicas datadas do Pré-Cambriano e restos do capeamento sedimentar do Grupo Barreiras.
Fonte: Atlas Geográfico da Paraíba, 2003.
Demografia De acordo com a o Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município é de 17.093 habitantes, com uma densidade populacional de 170,67 habitantes por km². Observando o gráfico abaixo, percebe-se que desde a década de 1950 a população do município de Belém continuou sempre crescendo, atingindo o número de 17.093 (Censo 2010):
<small>Fonte: IBGE
Urbana e rural Em relação à situação de domicílio, a população residente na zona urbana é muito superior a população residente na zona rural.
Urbana e RuralPorcentagemUrbana79,49%Rural20,51% Fonte: IBGE(censo 2000)
Sexo Observa-se no município que, a população feminina é superior à população masculina.
SexoPorcentagemMasculino48,81%Feminino51,19% Fonte: IBGE(censo 2000)
Raça ou cor Ainda, segundo os dados do censo 2000 do IBGE, em relação à cor ou raça, a maior parte da população belenense se declara parda, e a menor da cor negra.
Raça ou CorPorcentagemBranca33,22%Negra3,93%Parda62,25%
Idosos Nota-se, também, pelo censo 2000 do IBGE que, o município possui uma elevada população de idosos, ultrapassando a população relativa (percentagem) do estado da Paraíba e do Brasil.
IdososPorcentagemBrasil8,56%Paraíba10,2%Belém13,6%
História Período da colonização da Paraíba thumb|200 px|Inscrições rupestres na Serra da Copaoba (Borborema).
A história do município de Belém pode ser compreendida a partir de três períodos históricos distintos.
O primeiro período confunde-se com o início da colonização da Paraíba quando no final do século XVI, entre os anos de 1587 e 1592, nas administrações do Ouvidor Geral do Brasil, Martim Leitão, e do capitão-mor da Paraíba, Feliciano Coelho de Carvalho, aconteceram sangrentas batalhas na região da Serra da Copaoba, na qual está inserida grande parte do município de Belém, entre os Índios Potiguaras aliados dos franceses que exploravam o Pau-Brasil da região, e os portugueses, aliados com os índios Tabajaras do litoral paraibano. Os Potiguaras, primeiros nativos do município de Belém, sob a liderança dos caciques Pao-Seco e Zorobabé, tentaram resistir aos ataques dos colonizadores e dos Tabajaras, porém foram derrotados e os Potiguaras tiveram que fugir para o Estado do Rio Grande do Norte. Segundo historiadores, essa batalha sangrenta na região da Serra da Copaóba dizimou cerca de 20 mil índios Potiguaras.
Fim do século XIX e início do século XX thumb|200 px|left|esquerda|Igreja Nossa Senhora da Conceição.
O segundo período histórico do município de Belém remonta a segunda metade do século XIX quando de acordo com uma certidão datada de janeiro de 1935 do tabelião e oficial do registro de imóveis do Termo de Guarabira, Joel Baptista da Fonseca, o padre José Tavares Bezerra doou em 1871 uma parte de terras para a Capela Nossa Senhora da Conceição do povoado de Belém. Este pequeno povoado em formato de uma cruz, onde as primeiras residências e casebres foram se amontoando ao lado da estrada de barro que ligava-o a povoados mais próximos, foi denominado pelos seus moradores de Gengibre. Possivelmente pela abundância e cultivo dessa leguminosa pelos índios Potiguaras que habitavam a região a fim de fazerem escambo com os franceses que eram seus aliados.
No final do século XIX, missionários católicos que realizavam as chamadas Missões populares pela região da Serra da Borborema observaram que no lugarejo de Gengibre havia muitas brigas e confusões entre os habitantes. Foi quando o Frei Herculano, ou em outra versão corrente, o Padre Ibiapina, sugeriu que a mudança do nome povoado talvez fosse a solução, pois Gengibre se tratava de uma raiz ardente, e com um nome mais suave poderia mudar o comportamento agressivo dos habitantes. Daí surgiu o nome de Belém, que significa “casa de pão”, termo considerado manso e pacífico por ser o nome da cidade onde Jesus nasceu. E também, contam alguns, devido o povoado estar bem próximo de uma serra chamada Pedra do Cordeiro, fazendo assim uma analogia à figura de Jesus nascido em Belém da Judéia.
No início do século XX, chegou ao povoado um migrante, de nome ainda desconhecido, que se estabeleceu com um pequeno hotel para servir como hospedaria para as pessoas que se deslocavam periodicamente em direção às feiras dos povoados vizinhos. Já por volta do ano de 1914 teve início a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, tendo sido inaugurada oficialmente em 24 de fevereiro de 1934.
São lembrados ainda, como pioneiros da colonização de Belém, isto é, como os primeiros moradores da vila, os senhores Antônio da Cunha Rego, José Tomás Pedrosa, João Fernandes Madruga e Antônio Targino Pessoa.
700px|thumb|center|Vista das primeiras ruas de Belém.
Período da emancipação Política O terceiro período histórico município de Belém dar-se com o desenvolvimento econômico e o movimento pró-emancipação política e administrativa do município. 250px|thumb|Prefeitura de Belém.
Até o final da metade do século XX, Belém era apenas um distrito de Caiçara, sem muita importância, contando apenas com quatro ruas que se cruzavam entre si formando a configuração de uma cruz. Eram elas: Rua do Sossego, Rua Paraguai, Rua Gameleira e Rua da Empresa.
Nas divisões administrativas do Brasil de 1936 a 1938, Belém figurou como Distrito de Caiçara, e modificado anos depois para Belém de Guarabira. Mas com o Decreto Lei Estadual nº 520 de 31 de dezembro de 1943 que estabeleceu a divisão administrativa para o quinquênio 1944-48, modificou o nome de Belém para Curimataú, permanecendo até o ano de 1949, quando através da Lei nº 318 de 7 de janeiro, fixou-se à divisão 49-53, mudando novamente sua denominação para Belém de Caiçara.
A partir de 1945, com o surgimento da rodovia PB-073 ligando os estados da Paraíba e o Rio Grande do Norte pela Microrregião de Guarabira, Belém tornou-se ainda mais importante como base de apoio para viajantes que utilizavam a referida estrada. Surgindo em consequência, inúmeras casas comerciais, postos de gasolina, hotéis etc.
Em 1953, no governo de José Américo de Almeida, Belém foi contemplada com verbas emergenciais para a construção do Açude Tribofe, devido a grande seca que assolava a região. É desse governante a doação e instalação em 1955 do grupo escolar Felinto Elísio. Com o crescimento do Distrito de Belém de Caiçara, em 1954 os habitantes iniciaram um movimento pró-emancipação liderado por um grupo de cidadãos, José Tomás Emiliano, José Brasiliano da Costa, Henrique Rodrigues, Cláudio Cantalice Viana, Luís Gomes de Lima, Vicente Cadó, Manuel Miguel de Azevedo, e Manuel Xavier de Carvalho, que liderava o movimento.
Esses cidadãos elaboraram um abaixo assinado no qual continha 2.120 assinaturas. O mesmo foi entregue a um dos Deputados Estadual da época, Humberto Lucena, que elaborou um projeto de lei reivindicando a emancipação política de Belém que até o momento pertencia a Caiçara. O projeto foi encaminhado a mesa diretora da Assembleia Legislativa em 2 de abril de 1956, sendo o mesmo derrotado por apenas um voto, devido uma articulação política tendo a frente o deputado Severino Ismael da Costa que tinha ligações políticas e familiares com a cidade de Caiçara, ressaltando que o Deputado colocava-se radicalmente contra a emancipação política de Belém.
Após o projeto ser votado, pressões e perseguições foram feitas, transferências de funcionários públicos, comerciantes foram perseguidos pelo fisco, através de cobranças irregulares, mas o espírito de luta e o desejo de ver Belém emancipado foi maior, e outro abaixo assinado foi feito e entregue ao Deputado Humberto Lucena por ocasião de sua visita aos seus amigos em Belém.