Libéria (em inglês: Liberia), oficialmente República da Libéria (em inglês: Republic of Liberia), é uma república presidencialista localizada na África Ocidental. Faz fronteira ao norte com a Serra Leoa e Guiné, a leste com a Costa do Marfim e a sul e oeste com o Oceano Atlântico. Segundo o censo de 2008, a população do país é de habitantes, divididos em uma área de km2. A cidade de Monróvia é sua capital. A Libéria possui um clima quente equatorial, com chuvas intensas na estação chuvosa e ventos na estação seca. A vegetação é composta, na maior parte, por florestas de mangue, enquanto o interior é escassamente povoado de florestas, com predominância de pastagens secas.

A história da Libéria é única entre as demais nações africanas. É um dos dois únicos países da África Subsaariana, juntamente com a Etiópia, sem raízes na colonização europeia. Foi fundada e colonizada por escravos americanos libertos com a ajuda de uma organização privada chamada American Colonization Society, entre 1821 e 1822, na premissa de que os ex-escravos americanos teriam maior liberdade e igualdade nesta nova nação.

Escravos libertos dos navios negreiros também foram enviados para a Libéria, em vez de serem repatriados para seus países de origem. Estes colonos criaram um grupo de elite da sociedade da Libéria, e, em 1847, fundaram a República da Libéria, que instituiu um governo inspirado nos Estados Unidos, nomeando Monróvia como sua capital, homenageando James Monroe, o quinto presidente dos Estados Unidos e um proeminente defensor da colonização.

Um golpe militar liderado em 1980 derrubou o então presidente William Richard Tolbert, Jr., marcando o início de um período de instabilidade que levou a duas guerras civis no país, entre 1989 e 1996 e 1999 e 2003, deixando milhares de mortos e devastando a economia do país. Hoje, a Libéria está a recuperar dos efeitos nefastos da guerra civil e as perturbações económicas conexas, e que está rapidamente se recuperando como Mali e Etiópia.

Etimologia O nome Libéria significa "liberdade". Os colonos recém-chegados formaram um novo grupo étnico chamado américo-liberianos. No entanto, a introdução de uma nova mistura étnica resultou em tensões étnicas com as outras dezesseis principais etnias que já residiam na Libéria.Dorling, Kindersley - Financial Times Reference Desk Mundial (2004); pg 368 A partir do século XVI até 1822, exploradores e comerciantes europeus tinham vários nomes para a Libéria, variando pela linguagem.

Durante o comércio de especiarias, a Libéria foi chamada de Costa da Pimenta Malagueta ou Costa da Pimenta. Ganhou seu nome de "Pimenta Malagueta" devido a esta especiaria encontrada na área rural do território, apelidada de "grãos do paraíso", já que era uma especiaria rara e em alta demanda em toda a Europa. No século XVIII, exploradores ingleses referiram-se ao país como a "Costa do Barlavento" por notoriamente inavegável, as águas agitadas ao largo da costa de Cabo Palmas, na ponta do sul da Libéria, que eram de difícil navegação para os navios europeus.Prima, Espérides - Europeus na África Ocidental; 1450-1560 (1943) página 175

História

O nascimento da Libéria ocorreu no século XIX em resultado da ação da Sociedade Americana de Colonização, organização criada por Robert Finley nos Estados Unidos em 1816, cujo objetivo era levar para a África negros livres ou negros que tinham sido libertos da escravatura. De acordo com uma opinião prevalecente em alguns setores da população dos Estados Unidos da época, os negros não seriam nunca capazes de se integrar na sociedade do país. O regresso a África seria uma solução para evitar certos "perigos" imaginados como resultado da presença negra, como o casamento interracial ou a criminalidade.

Em 1821, a Sociedade Americana de Colonização conseguiu adquirir uma parcela de terra perto da área do Cabo Mesurado, onde se fixariam os primeiros colonos negros oriundos dos Estados Unidos. Em 1824 a colónia recebeu o nome de Libéria (do latim, "terra livre").

thumb|150px|esquerda|Joseph Jenkins Roberts, primeiro presidente da Libéria.

Em 26 de julho de 1847 a Libéria declarou a sua independência, tornando-se o primeiro país da África a se tornar independente. O país dotou-se de uma constituição decalcada da Constituição dos Estados Unidos, adoptando símbolos nacionais (bandeira, brasão de armas e lema) que reflectem a origem e experiência dos fundadores do país nos Estados Unidos. O primeiro Presidente do país foi Joseph Jenkins Roberts, um negro natural do estado da Virginia. O partido True Whig dominou a vida política desde o nascimento do país até 1980.

O estabelecimento dos colonos americanos no território não se fez pacificamente, tendo sido contestado pelas populações negras autóctones, que foram excluídas da cidadania até 1904. A soberania do Estado sobre o interior foi difícil devido à contestação destas populações, para além do facto de o país se ter confrontado com as ambições territoriais do Reino Unido e da França. Com estes países a Libéria assina em 1892 e 1911 respetivamente tratados que definiram as fronteiras atuais. A Libéria enfrentou também dificuldades financeiras que foram atenuadas por empréstimos concedidos pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.

Durante a Primeira Guerra Mundial a Libéria declarou guerra à Alemanha (agosto de 1917). Na década de 1920 o país atravessou uma crise financeira que foi mitigada graças a um empréstimo de cinco milhões de dólares por parte da empresa Firestone em troca de uma concessão de terras para as plantações de seringueiras para extração do látex destinado a procuração de borracha da companhia.

Em 1943, a Libéria elegeu como presidente William V. S. Tubman, reeleito em sucessivas sete eleições e que morreu no exercício do mandato em 1971. Este período foi marcado por uma aproximação com os Estados Unidos e pelas tentativas de proporcionar à população um melhor nível de vida, utilizando os rendimentos proporcionados pela exploração do minério de ferro para construir novas escolas, hospitais e estradas.

O sucessor de Tubman, William Tolbert Jr., governou o país até 1980, quando foi deposto e executado a mando do sargento Samuel Kanyon Doe. Nas eleições de 1985, os candidatos da oposição foram impedidos de participar do pleito e Doe é eleito presidente.

Em 1989, guerrilheiros da Frente Patriótica Nacional da Libéria iniciaram uma rebelião para derrubar o governo. No ano seguinte, o presidente Doe é preso e executado por guerrilheiros de uma fação rival da NPFL.

Geografia

A Libéria é um país basicamente plano, com altitudes fracas, sendo o seu ponto mais elevado o Monte Wuteve com m. A região costeira é baixa e arenosa, possuindo lagunas. Nas proximidades do Cabo Monte (305 m), a noroeste, a costa é mais recortada. No interior da Libéria situam-se densas florestas tropicais (o país possui 40% da floresta tropical da África Ocidental).

O clima da Libéria é o clima equatorial, com temperaturas médias de 25 °C em Monróvia. No interior e no norte do país registram amplitudes térmicas significativas. A estação seca decorre entre novembro e abril. Já a estação chuvosa ocorre entre maio e outubro. A chuva é mais intensa junto à costa, diminuindo para o interior.

Os principais problemas de meio ambiente que a Libéria atravessa são o desflorestamento, a erosão do solo e a poluição da costa.

Demografia

thumb|Mulheres negras indígenas em 1910

Segundo dados de julho de 2006 a população da Libéria era de habitantes. Em resultado dos conflitos recentes no país, estima-se que vivam 238 500 refugiados liberianos nos países vizinhos.

A maioria dos habitantes da Libéria pertence a um dos 16 grupos étnicos indígenas. O mais significativo destes grupos é o dos Kpelle que habita na região central e ocidental do país. Estes 16 grupos podem ser enquadrados em quatro grandes grupos linguísticos: mendetan, mande-fu, africano ocidental e kru.

Cerca de 2,5% dos habitantes são descendentes dos negros dos Estados Unidos que se fixaram no país no século XIX, sendo conhecido como américo-liberianos (americo-liberians). Outros 2,5% descendem de negros das Caraíbas que foram escravos.

A Libéria possui comunidades de indianos, libaneses e naturais de outros estados da África Ocidental.

Apesar de o inglês ser a língua oficial, esta não é a língua habitual da maior parte da população.

Cidades mais populosas

Religião

esquerda|thumb|Mesquita em Voinjama, cidade ao nordeste do país

De acordo com o censo de 2008, promovido pelo CIA World Factbook, 85,6% da população declara-se como sendo cristã, 12,2% declaram-se muçulmanos, 0,6% seguem religiões tradicionais, 0,2% têm outras religiões e 1,4% não possuem religião.População - Libéria Acessado em 1 de março de 2011 Uma multidão de diversas confissões protestantes como as denominações Luterana, Batista, Episcopal, Presbiteriana, Pentecostal, Metodista Unida, Episcopal Metodista Africana (Em inglês:AME) e Sião Episcopal Metodista Africano (AME Sião) formam a maior parte da população cristã, seguida por adeptos da Igreja Católica Romana e outros cristãos não protestantes.

A maioria dessas denominações cristãs foi trazida por colonos afro-americanos que se mudaram dos Estados Unidos para a Libéria através da Sociedade Americana de Colonização (American Colonization Society), enquanto alguns são indígenas — especialmente pentecostais e evangélicos protestantes. O protestantismo era originalmente associado a colonos negros americanos e seus descendentes américo-liberianos, enquanto os povos nativos mantinham suas próprias formas animistas de religião tradicional africana. Os povos indígenas foram submetidos a missionários cristãos, bem como aos esforços américo-liberianos para fechar a lacuna cultural por meio da educação. Isto provou ser bem-sucedido, deixando os cristãos uma maioria no país.

Os muçulmanos compreendem 12,2% da população, amplamente representada pelos grupos étnicos Mandingo e Vai. Sunitas, Xiitas, Ahmadiyas, Sufis e muçulmanos não confessionais constituem a maior parte dos muçulmanos liberianos.Pew Forum on Religious & Public life. 9 de agosto de 2012. Recuperado em 29 de outubro de 2013

As religiões indígenas tradicionais são praticadas por 0,5% da população, enquanto 1,5% não tem religião. Um pequeno número de pessoas é bahá'í, hindu, sikh ou budista. Enquanto cristãos, muitos liberianos também participam de sociedades secretas indígenas tradicionais baseadas em gênero, como Poro para homens e Sande para mulheres. A sociedade feminina Sande pratica a circuncisão feminina.

A Constituição prevê a liberdade de religião, e o governo geralmente respeita esse direito. Embora a separação entre igreja e o Estado seja determinada pela Constituição, a Libéria é considerada um Estado cristão na prática. As escolas públicas oferecem estudos bíblicos, embora os pais possam optar por seus filhos. O comércio é proibido por lei aos domingos e feriados cristãos importantes. O governo não exige que empresas ou escolas desculpem os muçulmanos pelas orações de sexta-feira.

Idiomas

Os quatro milhões de habitantes da Libéria falam um total de 31 idiomas. A única língua oficial é o inglês, dividido em quatro ou cinco dialetos. O inglês e seus dialetos são as únicas línguas faladas na Libéria que não pertencem ao ramo de línguas nigero-congolesas. Os idiomas da Libéria pertencem a quatro famílias linguísticas: coroa, länsiatlanttinen, mandês e indo-europeia.

Em 2006, 70 mil pessoas falavam inglês na Libéria. As línguas mais faladas são o kpelle (487 000 falantes em 1991), Bassa (406 000 falantes em 2006), Klao (213 000 falantes em 2006) e mano (188 000 falantes em 2006). O dialeto oriental de Mandinka é uma língua imigrante e é falada por 38 000 pessoas.

Política

thumb|Capitólio da Libéria em Monróvia. A Libéria é uma república governada pela Constituição de 6 de Janeiro de 1986, que substituiu a constituição de 1847.