"Bart the Genius" (no Brasil, "Bart, o Gênio"; em Portugal, "Bart, o Génio") é o segundo episódio da primeira temporada da série de televisão animada norte-americana The Simpsons. Foi exibido originalmente nos Estados Unidos em 14 de janeiro de 1990 pela Fox Broadcasting Company. Na trama, Bart troca seu teste de inteligência pelo de Martin Prince e passa a ser considerado um gênio. Transferido para uma escola de alunos superdotados, inicialmente aproveita a atenção recebida, mas logo enfrenta dificuldades para acompanhar as aulas e conviver com os novos colegas.

Escrito por Jon Vitti e dirigido por David Silverman, o episódio marcou a estreia do roteirista na série e introduziu o bordão de Bart "Eat my shorts". Foi também o primeiro a apresentar a sequência completa de abertura, concebida por Matt Groening para reduzir a quantidade de animação inédita necessária a cada semana. Na transmissão original, registrou 12,7 pontos de audiência e foi o segundo programa mais assistido da Fox naquela semana. As avaliações destacaram o humor e a abordagem do ambiente escolar, embora também tenham apontado limitações na animação e no desenvolvimento dos personagens.

Enredo Após ser denunciado por Martin Prince por vandalizar a escola, Bart se vinga trocando seu teste de inteligência pelo do colega. Convencido de que o menino é um gênio, o psicólogo escolar, Dr. Pryor, recomenda sua transferência para uma instituição voltada a crianças superdotadas. Homer passa a tratá-lo com maior atenção, mas Bart não consegue acompanhar as atividades e se sente excluído pelos novos colegas. Ao visitar a antiga escola, descobre que seus amigos também o rejeitam por acreditarem em sua inteligência excepcional. Depois de provocar uma explosão durante uma experiência de química, confessa a fraude a Pryor e consegue retornar para a escola anterior. Em casa, revela a verdade ao pai e afirma ter gostado da proximidade entre os dois. Furioso por ter sido enganado, Homer o persegue, e Bart se refugia no quarto.

Produção miniatura|esquerda|180px|David Silverman dirigiu o episódio. Jon Vitti desenvolveu a ideia a partir de uma lista de atitudes que Bart poderia tomar para chamar atenção e de suas possíveis consequências. Entre as propostas, a fraude em um teste de inteligência foi a que considerou mais promissora. A situação remetia a uma experiência de sua infância, quando colegas que não levaram uma avaliação a sério passaram a receber um tratamento escolar desfavorável. O roteirista inverteu essa circunstância, fazendo com que Bart fosse considerado excepcionalmente inteligente. Seu primeiro roteiro para um programa televisivo de meia hora chegou a 71 páginas, acima das cerca de 45 previstas. A expressão "Eat my shorts" deveria sugerir que o personagem repetia bordões ouvidos na televisão, conforme a orientação da equipe para evitar a criação de frases próprias.

A animação teve importância decisiva para a continuidade da série: James L. Brooks havia se mostrado insatisfeito com o resultado de "Some Enchanted Evening", mas aprovou o trabalho apresentado em "Bart the Genius". Silverman se inspirou parcialmente na obra de Saul Steinberg para a sequência em que Bart imagina um problema de matemática; cada cena foi reduzida em um quadro em comparação com a anterior, acelerando progressivamente o ritmo. Em contraste, a confissão escrita pelo menino foi animada por Dan Haskett em um único plano longo. A cena final na banheira exigiu várias tentativas devido a dificuldades de sincronização entre as falas e os movimentos da boca.

Matt Groening concebeu uma abertura extensa para diminuir o volume de material inédito necessário a cada episódio. Para variar a sequência semanalmente, introduziu as piadas do quadro-negro e do sofá. Posteriormente, a equipe criou versões mais curtas para preservar o tempo reservado ao desenvolvimento das histórias. O episódio também apresentou Martin Prince e seus pais, Richard, Edna Krabappel e o Dr. Pryor. Marcia Wallace interpretou Edna e a professora da escola de superdotados, sendo identificada nos créditos como Marsha Wallace.

Referências culturais A partida de Scrabble disputada pela família foi inspirada no curta-metragem canadense The Big Snit (1985). Nessa sequência, Maggie organiza blocos com as letras "EMCSQU", em uma representação da equação de equivalência massa–energia de Albert Einstein, cujo retrato também aparece no consultório do Dr. Pryor. O psicólogo compara a proposta de Bart de observar crianças comuns aos estudos de Jane Goodall sobre chimpanzés. A primatóloga agradeceu a menção por carta e enviou a Vitti um exemplar autografado de seu livro; o roteirista posteriormente afirmou que deveria tê-lo entregue a Al Jean, autor da fala.

A família assiste a uma apresentação da ópera Carmen, de Georges Bizet, durante a qual Bart ridiculariza a conhecida canção do toreador. O maestro recebe o nome de Boris Csupowski, em referência ao animador Gábor Csupó. Na escola de superdotados, as lancheiras dos alunos apresentam imagens relacionadas ao romance Brideshead Revisited (1945) e ao enxadrista Anatoly Karpov.

Repercussão Audiência e análise da crítica Em sua transmissão original nos Estados Unidos, "Bart the Genius" registrou 12,7 pontos de audiência, segundo a Nielsen, e ocupou o 47.º lugar entre os programas mais assistidos na semana de 8 a 14 de janeiro de 1990. Foi a segunda maior audiência da Fox naquele período.

Warren Martyn e Adrian Wood elogiaram o roteiro e a direção, destacando a representação da educação pelo olhar infantil e a sátira aos métodos das escolas de ensino intensivo. Consideraram especialmente bem-sucedida a sequência em que Bart imagina o problema de matemática e avaliaram que a história contribuiu para torná-lo uma referência para alunos com dificuldades escolares. David B. Grelck atribuiu 2,5 de cinco pontos ao episódio, que descreveu como divertido e centrado em Bart, observando que seu comportamento ajudava a explicar a popularidade do personagem entre os alunos mais irreverentes. Colin Jacobson, do DVD Movie Guide, considerou o resultado satisfatório, mas pouco marcante, e apontou a animação desajeitada e o desenvolvimento insuficiente dos personagens como sinais de que a série ainda estava em sua fase inicial.

Legado Em entrevista publicada em fevereiro de 1991, Vitti afirmou que "Bart the Genius" era seu episódio favorito entre os que havia escrito até então. James L. Brooks também o apontou como um de seus preferidos, destacando que as técnicas de animação empregadas permitiram explorar novas possibilidades na série. Alguns espectadores enviaram cartas de reclamação por considerarem uma forma de censura a cena em que uma revista em quadrinhos é jogada fora. A palavra "kwyjibo", inventada por Bart durante a partida de Scrabble, também teve repercussões fora da televisão: serviu de inspiração para o criador do vírus de computador Melissa e deu nome a uma jazida mineral no Quebec.

Lançamentos No Reino Unido, o episódio foi lançado em VHS na coleção The Simpsons Collection, junto de "The Call of the Simpsons", e voltou a integrar o conjunto da primeira temporada, disponibilizado em novembro de 1999. Nos Estados Unidos, foi incluído no DVD da temporada, lançado em 25 de setembro de 2001, com comentários em áudio de Groening, Brooks, Silverman e Vitti. Uma edição digital chegou ao mercado norte-americano em 20 de dezembro de 2010, por meio do Amazon Video e do iTunes.

Ligações externas "Bart the Genius" no The Simpsons Archive

Categoria:Episódios da 1.ª temporada de The Simpsons Categoria:Episódios de 1990 Categoria:Episódios de televisão dirigidos por David Silverman Categoria:Episódios de televisão escritos por Jon Vitti