São João de Meriti é um município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Localiza-se a 22º48'14" de latitude sul e 43º22'20" de longitude oeste, a uma altitude de dezenove metros. O município possui uma população de habitantes de acordo com o Censo Demográfico 2022 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com estimativa de 466.503 habitantes em 2025.

Foi um dos distritos iguaçuanos (ao lado de Vila da Estrela) mais importantes no , porém só tornou-se município no ano de 1947, quatro anos após a emancipação de Duque de Caxias da cidade de Nova Iguaçu. Localiza-se na região da Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ocupa 34,838 km² de área.

Topônimo

"Meriti" é oriundo do termo da língua tupi antiga meriti'yba, que significa "pé de buriti", através da junção de meriti (buriti) e 'yba (pé).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 278, 587.

História Origem religiosa e formação da freguesia (séculos XVII–XIX) Segundo o histórico da Igreja Matriz de São João Batista, em 1645 o padre Antônio Marins Loureiro (ligado à Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá) teria fundado, próximo ao rio Meriti, na localidade de Trairaponga, uma igreja dedicada a São João Batista; em 1647, a igreja teria sido "colada" e a localidade teria se tornado sede de freguesia (com possibilidade de administração dos sacramentos). Ainda segundo essa mesma fonte, haveria registro de doação de terras em 1873; por volta de 1875 teria iniciado a construção de uma capela, com participação de famílias locais e com doação atribuída à princesa Isabel (incluindo recursos e pia batismal); a capela teria sido inaugurada em 1878, com novas doações de terras em 1891. A região já era ocupada por sesmarias desde o século XVII para produção de açúcar. O rio Meriti, de águas rasas (daí o nome “miriti” = rio de água pequena), servia como passagem obrigatória de tropeiros. Em 1829 foi inaugurado o Canal da Pavuna, obra do Visconde de Jurumirim, que ligava o rio Meriti ao porto de Irajá e ajudou a reduzir as epidemias de febres palustres na área.

Século XIX: povoação e contexto regional No século XIX, a freguesia de Meriti aparece em descrições de viajantes e memorialistas. Guilherme Peres, em obra de história local, cita Milliet de Saint-Adolphe ao referir-se à povoação formada junto à igreja matriz, com casas telhadas e pequeno comércio. A família Telles de Menezes construiu o mais imponente solar da Baixada Fluminense à margem da atual Avenida Comendador Telles. O comendador Pedro Antônio Telles Barreto de Menezes (nascido em 1816) foi proprietário do Engenho Barbosa, com 30 escravos e produção média de onze caixas de açúcar.

Administração territorial e distritos No período em que o território integrava o município de Nova Iguaçu (antiga Iguaçu), a organização distrital foi alterada diversas vezes. De acordo com Braz e Almeida, o território de Meriti integrou arranjos administrativos e reconfigurações territoriais no contexto da Baixada Fluminense. Em 1943, Duque de Caxias emancipou-se de Nova Iguaçu, e a localidade passou a integrar o novo município como distrito; em 1947, ocorreu a emancipação de São João de Meriti como município.

Educação: iniciativas locais no século XX Braz e Almeida registram a criação da Escola Regional de Merity (1921) e do Grupo Escolar Alberto Torres (1925), além de iniciativas educacionais vinculadas a instituições religiosas, como a Escola Paroquial (1925) e escolas mantidas por congregações e associações locais ao longo do século XX.

Eixos de circulação e urbanização (século XX) A abertura e melhoria de vias de circulação contribuiu para a transformação urbana na Baixada Fluminense. Em Um lugar no passado, Guilherme Peres menciona a construção da "Estrada do Automóvel Club" e a conexão até Pavuna como parte de um processo de melhoramentos viários na década de 1920.

Geografia O município localiza-se na Baixada Fluminense, com relevo predominantemente plano e altitude média de 19 m. É cortado pelo rio Meriti e pelo histórico Canal da Pavuna (aberto em 1829). Sua posição geográfica é estratégica, fazendo divisa com cinco municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nilópolis, Belford Roxo e Mesquita.

Demografia e identidade urbana São João de Meriti destaca-se pela elevada densidade populacional no contexto da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. "Cidade das Crianças" A expressão "Cidade das Crianças" foi atribuída ao município em décadas passadas e tem sido associada, em relatos e na imprensa, à alta natalidade em determinados períodos. "Formigueiro das Américas" A expressão "Formigueiro das Américas" é usada em referência à alta densidade populacional do município (uma das maiores da América Latina historicamente, e ainda a maior do estado do Rio de Janeiro segundo o Censo 2022), aparecendo também em menções comparativas com municípios vizinhos, como Nilópolis.

Economia e urbanização Meriti é cortada pela Rodovia Presidente Dutra, que interliga a cidade a outros pontos do estado do Rio de Janeiro. Formada basicamente por zonas residenciais, a cidade possui centros comerciais no Centro, em Vilar dos Teles (associado ao comércio de confecções e citado nos anos 1990 como "Capital do Jeans"), no entorno do Shopping Grande Rio, além de áreas de comércio em bairros como Coelho da Rocha e São Mateus. A principal atividade econômica concentra-se no setor de comércio e serviços.

Cultura O município abriga instituições como o SESC de São João de Meriti e o IPAHB. Também é a cidade natal do escritor Lasana Lukata e do jogador de voleibol André Nascimento. No cenário televisivo nacional, Meriti é lembrada através do personagem humorístico Paulinho Gogó, fictício morador do bairro da Venda Velha (atual Fonte Carioca), criado pelo ator carioca Mauricio Manfrini, que já residiu na região.

Vida noturna, música e sociabilidade (década de 1950) Em Reportagens fluminenses, Arlindo de Medeiros descreve aspectos da sociabilidade local na década de 1950, mencionando conflitos e movimentação noturna, com presença recorrente de militares e referência à "marujada". Ainda conforme o mesmo autor, havia clubes e salões de baile destacados, como o 11 Irmãos (administrado por José de Souza, conhecido como "Zé Grosso") e o Orgulho da Divisa (associado a Mário Fontoura, citado também por iniciativas cívicas na Praça da Matriz). No campo musical, Medeiros menciona a presença de seresteiros e violinistas, destacando Djalma de Souza e citando nomes como Juca de Freitas (da Rádio Vera Cruz), Onésimo Gomes e Mariana de Almeida. Os salões de baile mais famosos eram o “11 Irmãos” (Zé Grosso) e o “Orgulho da Divisa” (Mário Fontoura), este último responsável pela primeira solenidade cívica com bandeira nacional na Praça da Matriz. Violinistas de destaque incluíam Joaquim Correa da Cruz, Luís e José dos Santos.

Vultos históricos e personagens locais Em Perfis meritienses, Guilherme Peres reúne verbetes biográficos sobre figuras ligadas à história local. Dr. Walter Magalhães: médico mencionado por Peres em contexto de atendimento à população em período de infraestrutura urbana e sanitária limitada. Frei Félix Adjuto: religioso citado por Peres como liderança com atuação social e comunitária no município. Padre Paul Jean Guerry: referido por Peres no âmbito de atividades religiosas e educacionais (incluindo menção a iniciativas de ensino). Manoel Antônio Sendas: Peres registra a trajetória do comerciante e o crescimento das Casas Sendas como referência econômica e simbólica local. Aníbal Viriato de Azevedo: citado por Peres no contexto de organização política e administrativa do município no período de emancipação. Christovam Corrêa Berbereia (1897–1959): médico, vereador, provedor da Associação de Caridade, candidato a deputado e prefeito. Conhecido pelo cavalheirismo e campanhas cívicas. Família Telles de Menezes: construtores do solar mais imponente da Baixada Fluminense e donos do Engenho Barbosa.

Crônica policial e folclore urbano Em Reportagens fluminenses, Medeiros descreve a morte do criminoso conhecido como "Azurém" em Agostinho Porto, em 24 de abril de 1952, em episódio de confronto armado descrito como intenso (com referência a "mais de duzentos tiros"). O autor também registra narrativa folclórica associada à "Bruxa da Itinga", relacionada a boatos, medo coletivo e menções a imprensa local (como o jornal A Crítica). A lenda da Bruxa da Itinga conta que ela andava com um galo preto que soltava brasas e um moleque de uma perna só; após sua morte o bairro mudou de nome para Éden.

Patrimônio religioso e ação social A Igreja Matriz de São João Batista, localizada no centro do município, passou por reformas e ampliações ao longo do século XX. Segundo o histórico institucional, a chegada de frades franciscanos na década de 1930 teria contribuído para a reformulação do templo; a reinauguração, com festa, teria ocorrido em 24 de julho de 1938 com a presença do interventor Amaral Peixoto. Ainda conforme a mesma fonte, a paróquia teria organizado iniciativas de educação e assistência, com registro de ambulatório (1952) e criação/apoio a escolas e capelas em diferentes bairros e distritos ao longo das décadas seguintes. No bairro de Coelho da Rocha encontra-se a Casa de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá.

Subdivisões São João de Meriti é administrativamente dividido em 21 bairros e 3 distritos. Bairros Agostinho Porto Centro Coelho da Rocha Éden Engenheiro Belford Grande Rio Jardim Meriti Jardim Metrópole Jardim Sumaré Parque Alian Parque Analândia Parque Araruama Parque Novo Rio Parque Tietê São Mateus Tomazinho Venda Velha Vila Norma Vila Rosali Vilar dos Teles Vila Tiradentes Distritos Coelho da Rocha São João de Meriti São Mateus

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Infraestrutura Saneamento básico Parcela da população sem coleta de esgoto: 39,5% Esgoto tratado: 0% Perdas na distribuição de água: 39,5% Perda no faturamento: 62,3% A população não dispõe de tratamento de esgoto e há lançamento de esgoto não tratado nos rios locais.

Transportes São João de Meriti liga municípios da Baixada Fluminense ao Rio de Janeiro, com circulação de linhas de ônibus por eixos como a Via Light e a Rodovia Presidente Dutra. O município é cortado por duas ferrovias: o Ramal Belford Roxo da Supervia (remanescente da antiga Estrada de Ferro Rio d'Ouro) e a Linha Auxiliar da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, atualmente voltada ao transporte de cargas e com trecho concedido à MRS Logística.

Linha Auxiliar e estações históricas Em Perfis meritienses, Guilherme Peres descreve a implantação da Linha Auxiliar e menciona estações associadas ao território do município e do entorno, incluindo Pavuna, São Matheus, Éden, Vila Rosali, Coelho da Rocha e Agostinho Porto.

Principais acessos rodoviários RJ-085 — Avenida Automóvel Clube RJ-081 — Via Light RJ-071 — Linha Vermelha BR-116 — Rodovia Presidente Dutra

Trem Há quatro estações na cidade, todas do Ramal Belford Roxo da Supervia. Pavuna/São João de Meriti (no limite com o município do Rio de Janeiro) Vila Rosali Agostinho Porto Coelho da Rocha

Educação O município conta com rede pública e privada de ensino. Segundo o IDEB 2023, o desempenho da rede pública municipal nos anos finais do ensino fundamental foi de aproximadamente 3,8 pontos, abaixo da meta nacional, refletindo desafios estruturais de uma cidade superadensada. Destaques históricos incluem o Grupo Escolar Alberto Torres (1925) e iniciativas paroquiais. A escolarização de 6 a 14 anos atinge 98,42% (2022).

Saúde A rede de saúde do município inclui unidades públicas e privadas (clínicas, postos e hospitais). Emergências 24 horas Centros de Saúde (atendimento ambulatorial) Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Unidades mistas (ambulatorial e PSF) Programa de Saúde da Família (PSF)