Gouveia é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado na Região Geográfica Imediata de Diamantina. Sua população recenseada em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística era de habitantes.
História esquerda|miniaturadaimagem|180x180px|Quintiliano Alves Ferreira, o Barão de São Roberto. Gouveia foi fundada por Maria Gouveia, peça fundamental na história gouveiana, mas só prosperou após o Barão de São Roberto chegar à cidade.
Existia nesse território, uma pensão pertencente a Maria Gouveia, de origem portuguesa, devota de Santo Antônio. Tanto que certo dia, numa noite enquanto o arraial dormia, ela mandou um de seus escravos, para roubar a imagem de Santo Antônio que ali era venerada e o colocou sobre uma grande pedra salientada dentro de sua propriedade. No dia seguinte por sua ordem, espalhavam a notícia de que o santo fugira à noite. E assim se fez sucessivamente até que o povo finalmente acreditasse que Santo Antônio queria que construísse para ele uma igreja naquele arraial. Foi então que se ergueu uma capela dedicada a Santo Antônio e o novo arraial que agora se formara, ganhou o nome de Arraial de Santo Antônio.
Em 7 de abril de 1841 o curato torna-se freguesia, com a fundação da Paróquia Santo Antônio da cidade de Gouveia. Nos primeiros anos, a paróquia pertenceu ao Arcebispado primaz de Mariana; até que no ano de 1854, foi desmembrada para o recém criado Bispado de Diamantina.
Pouco se sabe sobre esses fatores, porém, em princípio, foi sem dúvida pelos que fixaram-se ali para o cultivo da terra fértil e, sobretudo, pelos garimpeiros aventureiros em busca de ouro e diamante, já que a área de Gouveia estava na "Demarcação Diamantina", determinada pela Real Coroa em 1731. Dona Maria de Gouveia, uma das primeiras habitantes, foi crucial para o desenvolvimento da povoação. Com aptidão comercial e habilidade política, ela trouxe progresso ao Arraial, atraindo mais famílias, fazendo crescer a população e transformando o povoado em uma vila.
A industrialização de Gouveia começou por volta de 1850, com a ida do Barão de São Roberto, para realizar a instalação de diversos empreendimentos, começando com uma casa de "negócios de secos, molhados e gêneros, depois passando a atuar em diversos outros segmentos, inaugurando uma fábrica de tecidos em 1888.
A fábrica de tecido então passou a chamar fábrica de São Roberto, que foi durante muito tempo a principal fonte econômica da cidade. (Também nome da pequena vila, próxima e pertencente à Gouveia).
A construção da fábrica de tecidos teve início em agosto de 1886, com a compra do maquinário e início das instalações no terreno doado por Antônio José Ribas. O transporte das máquinas de Gouveia até São Roberto, um trecho de 2 km, durou 5 dias em razão da complexidade do transporte e atoleiros ocorridos.
O Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, de 8 de agosto de 1887, reproduzindo matéria do Jornal "Sete de Setembro" de Diamantina, colocou uma nota em seu setor de "Notícias Várias" a seguinte manchete: "Mais uma fábrica de tecidos vai se fundar em nosso município.; as bases estão assentadas e brevemente começará a construção. O florescente Arraial de Gouvêa, distante desta cidade 35 km, que vai possuir mais este importante estabelecimento industrial, por iniciativa da importante e prestimosa família Alves, que de tempos a tempos aumenta a prosperidade daquele arraial com mais um elemento de vida e riqueza. Vai ser levantado por meio de ações de $200 cada uma, as quais já estão todas passadas, o capital que é de 120:000$000. Girará a associação sob a firma de Alves, Ribas, Ribeiro e Cia., e o estabelecimento com a denominação de Fábrica de Fiação e Tecidos São Roberto. O diretor, gerente e mais empregados desta importante empresa nada perceberão de remuneração, enquanto não começar a trabalhar a fábrica, cujo futuro próspero é de se esperar à vista desta e de outras grandes economias postas em prática pelos seus dignos fundadores.".Jornal do Commercio (RJ), segunda-feira, 08 de agosto de 1887.
A primeira produção da fábrica aconteceu em 28 de dezembro de 1889, quando, sob a presidência do Barão de São Roberto (principal acionista), foi tecido o primeiro metro de pano.
A fábrica possui até hoje uma vila operária e atualmente opera sob o nome "Companhia Industrial Estamparia São Roberto S/A".
O Barão de São Roberto instalou sua casa no centro de Gouveia, uma casa pequena, pois ele guardava seu dinheiro, porque naquela época estavam falando da abolição da escravatura, e sem escravos, ele não conseguiria dinheiro. Então, o Barão virou abolicionista e foi construindo pequenas casas e doando à seus escravos e à familiares. E, assim, povoando o pequeno povoado. O Barão morreu em 14 de junho de 1895 aos 73 anos, e seu jazigo se encontra na entrada do cemitério da cidade, o Cemitério de São Miguel.
Em 13 de novembro de 1873, pela Lei nº 1.994, Gouveia foi elevada a município. No entanto, não houve instalação oficial devido a caprichos políticos, segundo os historiadores. Seus habitantes, sempre idealistas e amantes da terra, lutaram por sua independência político-administrativa; em 1923, a emancipação foi novamente pleiteada e negada. Em 1947, os gouveianos reivindicaram novamente, com o apoio de Juscelino Kubitschek, então Prefeito de Belo Horizonte, mas sem sucesso. Somente em 1953, quando a realidade superou os caprichos políticos, Gouveia se emancipou pela Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, sendo instalado o município em 1º de janeiro de 1954, graças à incansável luta de seus filhos, que nunca se sentiram derrotados pelas derrotas anteriores.
Geografia
Clima Gouveia apresenta clima tropical de altitude, influenciado por sua localização na Serra do Espinhaço Meridional e pela elevada altitude do município. Segundo a classificação climática de Köppen–Geiger, predomina o clima Cwb, caracterizado como mesotérmico de inverno seco e verão ameno a quente. O município possui duas estações bem definidas: um verão chuvoso e um inverno seco, com temperaturas mais baixas.
O verão ocorre entre dezembro e março, período em que as temperaturas máximas situam-se geralmente entre 25 °C e 30 °C, concentrando também os maiores volumes de precipitação, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro.
O inverno estende-se de junho a setembro, caracterizando-se por baixa pluviosidade. Nesse período, as temperaturas mínimas ficam em torno de 10 °C, podendo ocasionalmente registrar valores inferiores, enquanto as máximas alcançam cerca de 25 °C, com noites mais frias.
Vegetação A cobertura vegetal do município de Gouveia integra o bioma Cerrado e apresenta ampla variedade de fisionomias, condicionadas pela altitude, pelo relevo e pelas características do solo. Predominam formações campestres e savânicas, como o campo limpo em áreas mais elevadas (acima de 1200 m) , onde a pouca profundidade do solo restringe o desenvolvimento de árvores.
Em áreas com afloramentos rochosos, como na face norte da Serra de Santo Antônio, predominam os campos rupestres, caracterizados por vegetação mais aberta e dominada por espécies herbáceas adaptadas a condições ambientais severas, como alta incidência de radiação solar, solos pobres e baixa disponibilidade de água . Nesses ambientes, destacam-se plantas como canela-de-ema, bromélias, orquídeas e cactáceas, muitas delas endêmicas. O cerrado rupestre ocorre de forma mais restrita no município, aparecendo apenas em alguns trechos, onde há a presença de arbustos e pequenas árvores sobre solos rasos e pedregosos.
O Cerrado típico (cerrado sensu stricto) também ocorre no município, sendo composto por árvores de pequeno porte, espaçadas, com troncos retorcidos e cascas espessas, além de arbustos e gramíneas. Essas características refletem adaptações a solos pobres em nutrientes e à ocorrência frequente de queimadas naturais.
De modo geral, a vegetação de Gouveia expressa a diversidade ambiental da Serra do Espinhaço, destacando-se pela presença de espécies exclusivas e por sua importância para a conservação da biodiversidade regional.
Relevo
O município de Gouveia insere-se na Serra do Espinhaço Meridional, apresentando morfologia ondulada a fortemente dissecada, controlada por litologias resistentes do embasamento cristalino e do Supergrupo Espinhaço. Predominam planaltos dissecados, cristas quartzíticas, morros residuais e vales encaixados, resultantes de longos processos de intemperismo químico, erosão diferencial e controle estrutural. A altitude varia aproximadamente de 650 m nas áreas mais rebaixadas a cerca de 1560 m nos pontos culminantes, com a sede municipal situada em torno de 1 113 m. Essa variação altimétrica reflete a compartimentação geomorfológica típica do Espinhaço, associada à evolução tectono-erosiva de terrenos proterozoicos.
Hidrografia
A hidrografia do município é caracterizada por uma rede de drenagem composta por diversos ribeirões, cachoeiras e lagoas, que desempenham um papel fundamental na dinâmica ambiental e no turismo local. Dentre os cursos d'água mais expressivos destaca-se o Ribeirão do Chiqueiro, cuja bacia hidrográfica abrange uma área de aproximadamente 507,73 km², com uma rede de drenagem moderadamente desenvolvida, e que se estende por diversas áreas do território municipal. Esse ribeirão possui sua nascente localizada na Serra do Juá, e deságua no Rio Paraúna que é sua referência de base fluvial regional e que incorpora a porção hidrográfica do Rio das Velhas dentro da extensa bacia do São Francisco, e por sua vez, desempenha um papel indispensável no escoamento superficial da região e na manutenção da biodiversidade local. Outro curso d'água importante é o Ribeirão de Areia, que, assim como o Ribeirão do Chiqueiro, colabora para a recarga hídrica e o abastecimento de áreas rurais.
Além dos ribeirões, Gouveia abriga diversas cachoeiras (como a Cachoeira do Barão de Guaicuhy, Cachoeira do Novato, Cachoeira de Santo Antônio e a Cachoeira de São Roberto), que também servem de fomento para o desenvolvimento do turismo, e contribui para a preservação da biodiversidade da região.
Bairros A área urbana de Gouveia divide-se entre a região central e bairros distribuídos pelos setores norte, sul, leste e oeste do município, acompanhando a expansão urbana ao longo das encostas e vias de acesso da cidade.
Região Central
Centro Capelinha
Região Norte
Jardim da Serra
Maria Gouveia
Residencial Santo Antônio (em construção)
Residencial Villa da Serra
Serra Verde
Região Leste
Adjacências Eldorado
Nações Unidas
Serrinha
Região Oeste
Bela Vista (Bairro do Sol)
Progresso
Região Sul
Novo Horizonte
Residencial São Geraldo
Veredas da Serra
Economia
Gouveia é a terceira cidade mais populosa da pequena região de Diamantina, contando com 11,3 mil habitantes. O PIB do município alcança aproximadamente R$ 198,9 milhões, sendo que 38,7% desse valor é gerado pelo setor de serviços. Em seguida, destacam-se as contribuições da administração pública (32,1%), da indústria (24,3%) e da agropecuária (4,9%).
Com essa configuração, o PIB per capita de Gouveia é de R$ 16,8 mil, um valor inferior à média estadual (R$ 40,1 mil) e à média da pequena região de Diamantina (R$ 17,7 mil), mas superior à média das cidades da grande região de Teófilo Otoni (R$ 14,9 mil).
Turismo O município integra o circuito turístico dos Diamantes.
Monumentos e igrejas