Figueirense Futebol Clube, conhecido popularmente como Figueirense, é um clube de futebol brasileiro da cidade de Florianópolis, Santa Catarina. Fundado em 12 de junho de 1921, no antigo bairro da Figueira, na região central da capital catarinense, suas cores são o preto e o branco.
O Furacão do Estreito, como também é conhecido, é um dos clubes mais bem-sucedidos no futebol de Santa Catarina, com 18 títulos do Campeonato Catarinense e o maior número de participações de um clube catarinense no Campeonato Brasileiro da Série A, tendo disputado a competição em 17 oportunidades. É, também, o primeiro representante catarinense a participar da elite nacional, estreando na edição de 1973. Além disso, é o único clube do estado a terminar mais de uma vez entre os 7 primeiros colocados da Série A, e detém o melhor aproveitamento, com 50,9%, e a maior série invicta de um clube de Santa Catarina na competição, ficando 14 jogos seguidos sem perder - ambos os feitos alcançados no Campeonato Brasileiro de 2011. Possui também, de forma isolada, o maior número de vitórias e a maior pontuação acumulada por um clube catarinense na história do Campeonato Brasileiro, somando quase o dobro de pontos do segundo colocado. No âmbito estadual, é o maior vencededor e pontuador do Campeonato Catarinense neste milênio.
Firmou-se nos principais campeonatos de futebol do Brasil no início do Século 21, período em que se consolidou na disputa da Série A, foi vice-campeão da Copa do Brasil de 2007 e revelou uma série de talentos para o futebol brasileiro e mundial, como Filipe Luís, Roberto Firmino, André Santos, Henrique, Felipe Santana, Juninho, Bruno Alves entre outros. Nesse período, consolidou a fama de ser um time muito difícil de ser batido em seu estádio, vencendo frequentemente clubes de muito maior orçamento no Orlando Scarpelli.
O Figueirense possui a maior média histórica de público de um time catarinense em campeonatos nacionais. Além disso, possui a maior média de público já registrada em um único ano por um clube do estado, com 16.696 torcedores por partida, no Campeonato Brasileiro de 1975.
É o clube mais antigo de Florianópolis em atividade. Fundado no coração da capital catarinense, mudou-se para a região continental da cidade em 1945, estabelecendo-se, a partir de então, no maior bairro daquela região, o Estreito, local em que mais tarde construiria o Estádio Orlando Scarpelli. Antes disso, já na década de 1930, atingira o seu primeiro auge, com a conquista de cinco títulos do Campeonato Catarinense — incluído o primeiro tricampeonato de um clube do estado —, feito repetido nos anos 2000.
O Figueirense é considerado pela imprensa catarinense como um dos cinco grandes clubes do estado, junto com o Criciúma, o Joinville, a Chapecoense e o Avaí, com o qual disputa o Clássico de Florianópolis, a maior e mais antiga rivalidade de Santa Catarina.
Seu maior ídolo é o meio-campista Fernandes, maior artilheiro da história do clube, com 108 gols, e terceiro jogador com mais partidas, tendo disputado 403 jogos pelo Figueira entre os anos de 1999 e 2012. Com o camisa do alvinegro, obteve 6 títulos do Campeonato Catarinense, 2 vice-campenatos da Série B e 1 vice-campeonato da Copa do Brasil.
História
Década de 1920 - O início de tudo A ideia de fundar um clube esportivo para a capital de Santa Catarina surgiu a partir de um jovem desportista chamado Jorge Albino Ramos. Seu primeiro passo foi angariar a simpatia de seus conterrâneos, igualmente apaixonados pelo futebol. Assim, Balbino Felisbino da Silva, Domingos Joaquim Veloso e João Savas Siridakis (vulgo Janga) também abraçaram a ideia, iniciando uma série de conversas na Praça XV de Novembro, que serviu de cenário para as discussões sobre o nome para a futura agremiação, suas cores, sede, bem como os nomes e cargos da primeira diretoria.
O nome Figueirense foi sugerido por Janga, uma vez que a maioria das reuniões que tratavam da fundação da nova agremiação esportiva ocorreu no então Bairro da Figueira, localizado na orla da Baía Sul, nas adjacências das ruas Conselheiro Mafra, Felipe Schmidt e Francisco Tolentino, no centro de Florianópolis.
Após algumas reuniões preparatórias, iniciadas em maio, o Figueirense Foot Ball Club foi fundado no dia 12 de junho de 1921, na residência do Sr. Ulisses Carlos Tolentino, localizada na rua Padre Roma, nº 27. (A casa foi demolida em meados da década de 1990, e, no local - hoje nº 119 -, funciona um estabelecimento comercial.) Na reunião que marcou a fundação do clube Alvinegro, presidida pelo Sr. Jorge Albino Ramos, foram escolhidos, por aclamação, os seguintes nomes para compor a primeira diretoria do Alvinegro:
Presidente: João dos Passos Xavier; Vice-Presidente: Heleodoro Ventura; Primeiro-Secretário: Balbino Felisbino da Silva; Segundo-Secretário: Jorge Felisbino da Silva; Primeiro-Tesoureiro: Jorge Albino Ramos; Segundo-Tesoureiro: Jorge Araújo Figueiredo; Orador: Trajano Margarida; e Guarda-Esporte: Higino Ludovico da Silva.
Seguem os nomes de todos os fundadores: Alberto Moritz, Agenor Dutra, Balbino Felisbino da Silva, Bruno José Ventura, Carlos Honório da Silva, Dario Silva, Dilgidio Dutra Filho, Domingos Veloso, Heleodoro Ventura, Higino Ludovico da Silva, João dos Passos Xavier, João Lobo, João Savas Siridakis, João Soares, Joaquim Manoel Fraga, Jorge Albino Ramos, Jorge Araújo Figueiredo, Jorge Silva, Leopoldo Silva, Manoel Noronha, Manuel Xavier, Pedro Francisco Neves, Pedro Xavier, Raymundo Nascimento, Trajano Margarida, Walfrido Silva e Wlisses Carlos Tolentino.
A primeira partida do clube de que se tem registro aconteceu no dia 14 de agosto de 1921, em que o Figueirense venceu o Rio Branco, do bairro Coqueiros, pelo placar de 3 a 2.
No dia 31 de maio de 1924, o Figueirense conquistou o seu primeiro título ao vencer a final do Torneio Início contra o Avahy por 1 a 0, no campo do Gymnasio Catharinense, em jogo que marcou a primeira final decidida pelo Clássico de Florianópolis. Ao vencer esse título, o Figueirense tornou-se o primeiro campeão de uma competição oficial de futebol em Santa Catarina.
Década de 1930 - Os anos dourados A década de 1930 é lembrada como uma das melhores décadas da história do Figueirense, com o maior número de títulos conquistados em um espaço de dez anos.
Em 1932, o Alvinegro tornou-se campeão de todos os campeonatos de que participou: o Torneio Início, o Campeonato Citadino de Florianópolis e o Campeonato Catarinense.
Em 1933, alcançou novamente o título máximo da cidade.
Em 1935, tornou-se mais uma vez campeão citadino e estadual.
Em 1936, galgou o seu terceiro campeonato estadual.
Em 1937 conquistou novamente o campeonato citadino, bem como o inédito tricampeonato estadual, feito que voltaria a repetir no início dos anos 2000, com os campeonatos de 2002, 2003 e 2004.
Em 1939, novamente, obteve os títulos de campeão citadino e estadual. No jogo decisivo do campeonato estadual, venceu o Pery Ferroviário, de Mafra, por 5 a 3. Curiosamente, quatro irmãos atuaram pelo Figueirense naquele dia — os irmãos Moritz: Calico, Décio, Nery e Sidney.
Ao todo, ao longo da década de 1930, o clube de calções negros, como era conhecido, conquistou cinco títulos estaduais, cinco citadinos e um Torneio Início.
Um jogador esteve presente em todas as conquistas dessa década: Carlos Moritz,, conhecido como Calico. Ponta-esquerda habilidoso, ele foi o jogador que vestiu a camisa do Figueirense por mais tempo, acumulando dezesseis anos de serviços prestados ao clube — o único pelo qual atuou. É, também, o recordista de títulos do clube e o segundo maior artilheiro de sua história, sendo considerado, portanto, uma lenda alvinegra.
Década de 1940 A década de 1940 também foi marcante na história do Alvinegro, o clube passou a ser reconhecido também por "Esquadrão de Aço" e "Furacão do Estreito", apelidos estes a serem incorporados futuramente no Hino Oficial do Figueirense.
Em 1941 o clube repetiu o feito de 1932 sagrando-se campeão do Torneio Início, Campeonato da Cidade e Campeonato Estadual.
Em 1945, o empresário e desportista Orlando Scarpelli, durante a vigência de seu mandato como presidente do clube, doava oficialmente ao Figueirense a área de terra onde hoje encontra-se construído o Estádio que leva seu nome.
Em 1949, começaram os trabalhos da construção da praça de esportes do alvinegro. Em setembro daquele ano, foram lançados títulos patrimoniais com vistas à arrecadação de recursos destinados ao início das obras. Um ano depois, em setembro de 1948, tiveram início as obras de construção do Estádio do Figueirense.
Década de 1950 Nos anos de 1950, o Figueirense conquistou três torneios inícios (1950, 1951 e 1959) e cinco campeonatos da cidade (1950, 1954, 1955, 1958 e 1959), além do vice-campeonato estadual de 1950. A falta de conquista de títulos estaduais nesta década está diretamente vinculada à escassez de recursos financeiros. A prioridade era a construção do estádio. Neste período, as obras de implantação da praça de esportes entraram em ritmo acelerado. Em 20 de julho de 1951, o Figueirense venceu seu maior rival, o Avaí por 1 a 0 no jogo que marcou a inauguração do sistema de iluminação do Estádio Adolfo Konder. Bráulio foi o autor do gol que entrou para a história. Também em 1951, o Figueirense tornou-se campeão invicto em uma série de amistosos com clubes paranaenses, o Torneio de Paranaguá.
Década de 1960 A década de 1960 iniciou-se com boas notícias. Em 12 de junho de 1960, no aniversário de trinta e nove anos do clube, acontecia a inauguração parcial do Estádio do Figueirense, com a realização do primeiro jogo: Figueirense 1 a 1 Clube Atlético Catarinense (São José).
Os resquícios de dívidas financeiras de 10 anos de construção do Orlando Scarpelli prejudicaram a performance nos campeonatos da década de 1960. Neste período, o Alvinegro já apostava nas divisões de base, e formava um bom elenco juvenil e o Furacão do Estreito sagrou-se campeão de dois Torneios Início (1961 e 1962) e de um campeonato da cidade (1965). As divisões de base obtiveram excelente performance neste período.
Década de 1970 Em 1970, na administração de José Nilton Szpoganicz, a Figueira foi incorporada ao distintivo do clube. Em 1973, o Figueirense conquistou a vaga para o campeonato nacional de clubes, tornando-se o primeiro clube catarinense a representar Santa Catarina na competição. Em 15 de agosto de 1973, num jogo festivo contra o Vitória, da Bahia, foram entregues as obras de expansão e melhoramentos do Estádio Orlando Scarpelli, capacitando-o a sediar os jogos válidos pelo Campeonato Nacional. Na década de 1970 o Figueirense conquistou dois títulos estaduais (1972 e 1974) e obteve, em 1975, a melhor performance de um clube catarinense em Campeonato Brasileiro naquela década, passando para a segunda fase e terminando a competição em 21º lugar.
Década de 1980 Durante esta década, o Figueira obteve dois vice-campeonatos estaduais (1983 e 1985), tendo conquistado as taças Mané Garrincha (Primeiro Turno do Campeonato Estadual de 1983) e José Leal Meirelles (Segundo Turno do Campeonato Estadual de 1985). Em 1987, disputou o campeonato estadual da Segunda Divisão. Tendo se destacado muito nos anos 80 o atacante Albeneir, ídolo do clube.
Em 1985, o "Furacão do Estreito" disputou a Taça de Prata, e obteve uma das melhores performances dentre as suas participações em campeonatos nacionais, classificando-se para o triangular final, terminando na terceira colocação do certame.
Década de 1990 Após o vice-campeonato de 1993, o Figueirense, sagrou-se campeão catarinense de 1994.
Em 1995, o Figueirense foi campeão do Torneio Mercosul em cima do Joinville.