A classe Nimitz é constituída por dez super porta-aviões, movidos por energia nuclear, ao serviço da Marinha dos Estados Unidos. Com um deslocamento aproximado de cem mil toneladas, são os maiores navios de guerra da atualidade. O uso da energia nuclear proporciona uma autonomia ilimitada, entre reabastecimentos a cada 20 a 25 anos de vida útil operacional, permite ainda pela libertação de espaço outrora utilizado pelo combustível de origem fóssil usado na propulsão do navio, uma maior e melhor organização e gestão do armazenamento de outros consumíveis, como combustível para aviação e ou munições, espaçando assim a necessidade deste tipo de suprimentos.

Todos os navios da classe foram construídos nos estaleiros Northrop Grumman Newport News, os únicos no mundo ocidental providos de espaço e tecnologia para tal. Os navios possuem uma vida operacional expectável superior a cinquenta anos e necessitam, de aproximadamente cinco a seis anos desde o assentamento da quilha até ao seu comissionamento provisório, para serem completados, incluindo neste período a instalação de equipamentos e os testes de mar, por um custo médio de seis mil milhões (seis bilhões) de dólares (preços de 2006).

O líder da classe USS Nimitz (CVN-68), assim nomeado em homenagem ao comandante da frota do Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial Chester W. Nimitz, foi comissionado durante o ano de 1975. Seguiram-se o USS Dwight D. Eisenhower (CVN-69) e o USS Carl Vinson (CVN-70), todos eles destinados a substituir os três mais antigos porta-aviões da frota, pertencentes à classe Midway. A última unidade o USS George H.W. Bush (CVN-77) juntou-se à esquadra, no início de 2009, fazendo a transição para a nova classe Gerald R. Ford, a qual assumirá o legado deixado pelas atuais embarcações.

As origens dos super porta-aviões 180px||esquerda|thumb| Comparativo das dimensões dos porta-aviões USS Nimitz, HMS Queen Elizabeth, Charles de Gaulle (R91) e HMS Invincible Não são de todo evidentes as causas que levaram ao aparecimento dos não oficialmente nomeados super porta-aviões, tal ficou a dever-se à conjugação de diversos fatores. O primeiro dos quais, terá que ver com a emergência do porta aviões como navio fundamental, decisor de batalhas e dominador dos oceanos, como ficou demonstrado no Pacífico durante a segunda guerra mundial, onde foram protagonistas, substituindo os couraçados nessa mesma tarefa. A segunda causa, está intimamente ligada à anterior, pelo papel assumido pelos porta-aviões no domínio dos mares e na disputa interna sobre qual o papel a desempenhar pelas forças militares norte-americanas e qual dos ramos, Força Aérea, usando bombardeiros pesados, ou a Marinha usando bombardeiros a bordo dos seus porta-aviões, deveria assumir e deter o comando da dissuasão nuclear. Assim foi aprovada a construção de um super porta-aviões com um deslocamento de 65 mil toneladas, o USS United States (CVA-58) líder da classe com o mesmo nome, a qual comportaria mais 4 unidades, a 29 de julho de de 1948, pelo então Presidente dos Estados Unidos Harry Truman. 180px|right|thumb|Impressão artística do que seria, se construído o USS United States (CVA-58). A ênfase deste novo modelo, inteiramente projetado para responder às necessidades dos novos bombardeiros, com capacidade para lançar ataques nucleares, estava concentrada no transporte e operação destas novas aeronaves em projeto e que teriam um peso de lançamento aproximado às 45 toneladas. Este viria a ser cancelado pelo secretário da defesa, o equivalente na maioria dos países a ministro da defesa, Louis A. Johnson, cinco dias após o início da construção a 23 de abril de 1949, provocando nas altas patentes, uma reação de não concordância com o poder político, a qual ficou para a história como a Revolta dos Almirantes.

O terceiro fator decorre do estatuto adquirido pelos Estados Unidos, como super potência mundial, o aumento e surgimento de novas ameaças e a natural evolução tecnológica das aeronaves navais, que usando propulsão a jato necessitam de mais espaço para o seu lançamento e recuperação de mais espaço para armazenar combustível para a sua operação, além do uso de catapultas e um convés capacitado para a operação de aeronaves a jato e mais pesadas, substituindo os anteriores de madeira.

Projeto e desenvolvimento

Os atuais porta-aviões nucleares da classe Nimitz, são a "joia da coroa" da frota dos Estados Unidos, conjuntamente com as suas alas aéreas, formam o primeiro e mais eficaz meio utilizado na projeção do poderio militar norte-americano, mas também uma ferramenta que assegura e simboliza o prestigio militar. Lançado em 1975, o USS Nimitz (CVN-68) é o líder da classe. Totalmente carregado, desloca mais de 97 mil toneladas, possui um convés de voo com uma área equivalente a 1,8 hectares e opera até 85 sofisticadas aeronaves de alto desempenho.

Encomendados para substituir navios mais antigos da classe Essex entretanto aposentados ou com retirada prevista, destinavam-se também a complementar os porta-aviões da classe Kitty Hawk e classe Enterprise, mantendo a força e a capacidade operacional da Marinha dos estados Unidos, em níveis elevados próprios da chamada guerra fria. Os navios foram concebidos e entendidos como uma modernização do melhor que as anteriores classes Enterprise e Forrestal tinham para oferecer, mas mais particularmente a classe Kitty Hawk dada a sua semelhança. Entre outras melhorias a de maior destaque é a opção pela propulsão gerada pela energia nuclear, os dois reatores nucleares usados na classe Nimitz, que por si só são já um notável avanço quando comparados com os oito utilizados no USS Enterprise (CVN-65), ocupam um menor espaço, o que conjugado com a racionalidade e pela melhoria no desenho, permite em relação aos navios da classe Forrestal, o transporte de mais 90% de combustível destinado à aviação e um incremento de mais 50% nas munições à disposição.

Por terem sido projetados à época da guerra do Vietname, alguns aspetos das primeiras embarcações foram nitidamente influenciados pelo tipo de operações próprias daquele teatro de guerra, as quais exigiam uma maior demanda de armazenamento a bordo, de recursos como combustível para uso dos aviões e munições destinadas a prossecução das sua missões, (a que também não será estranho o ganho em espaço proporcionado pelo uso da propulsão nuclear, como visto anteriormente). Em face desta necessidade foram descurados os meios de apoio à sobrevivência em combate da própria embarcação. Contudo a principal finalidade dos porta-aviões à época do projeto e construção das primeiras unidades da classe Nimitz, era de apoio às grandes formações de combate do exercito norte-americano no âmbito da guerra fria, assim os seus recursos foram orientados nesse mesmo sentido, começando logo pela escolha da propulsão a energia nuclear, mas também na capacidade de fazer novos ajustes no seu sistema de armas, de acordo com a evolução tecnológica.

Classificados inicialmente como porta aviões de ataque (CVA) de acordo com a filosofia descrita no parágrafo anterior, os navios construídos depois do USS Carl Vinson (CVN-70) passaram a contar com capacidades próprias anti-submarino. Resultando em uma capacidade alargada de desenvolver atividades navais de modo autónomo e capacitando os porta aviões e o seu grupo naval de apoio, como verdadeiros instrumentos de domínio dos mares, os navios e suas aeronaves são agora capazes de participar de uma mais ampla gama de operações, que podem incluir bloqueios marítimos e aéreos, colocação de minas e ataques com mísseis em terra, ar e mar, entre outros. 160px|left|thumb|Painel informativo a bordo do USS Nimitz, são evidenciados dados de navegação, como por exemplo a direção do navio, neste caso, 310 graus (ou seja Noroeste), o vento verdadeiro (9.4 nós) e o vento relativo (28.5 nós) e os circuitos de aproximação das aeronaves. neste caso o avião 302 está a 8 milhas do convés Devido a uma falha de projeto, os navios desta classe possuem alguns problemas de estabilidade a estibordo, quando plenamente carregados (máximo de aviões e máximo de combustível e munições) que não passíveis de resolução pelo sistema que permite manter o navio estável e flutuabilidade nivelada, aquando do trânsito dos aviões pelo convés de voo ou no convés imediatamente inferior, que serve de hangar. Inicialmente a solução passou pelo uso de lastro líquido em compartimentos situados entre o quarto e oitavo "decks", atualmente estuda-se uma solução mais permanente e prática, que passa pela utilização de lastro sólido, mas que se revela de difícil solução, já que todos os navios sofrem do mesmo problema, mas a níveis diferentes e esta solução interfere com a blindagem e sistema de proteção contra ataques por torpedos.

Construção 130px|left|thumb|O último módulo, a ponte de comando Todos os navios da classe foram construídos naquele que é o maior e único estaleiro naval dos Estados Unidos, capacitado para a construção, reparação e manutenção de porta-aviões nucleares, o Northrop Grumman Newport News, mais propriamente a sua doca seca nº12, a qual possui um comprimento de 670 metros e está equipada com um pórtico que pode movimentar cargas até 900 toneladas de peso.

A construção do casco e respetivas infraestruturas, evolui ao longo de 33 meses, desde que foi adotada a construção por módulos, iniciada com o USS Theodore Roosevelt (CVN-71), Os módulos (Superlift no jargão da engenharia naval norte-americana) são construídos separadamente e posteriormente são montados (soldados) na doca seca, revelando-se nesta operação a necessidade do tal pórtico com capacidade para movimentar cargas de elevado peso, no caso da secção de proa a mais pesada, esse valor alcança as 680 toneladas, no total são necessários 162 módulos. Terminada esta fase o casco é posto a flutuar, passa para o exterior da doca seca, onde a construção será terminada e receberá todo o equipamento necessário à sua operação.

Estrutura

A base estrutural de um porta-aviões da classe Nimitz, assenta em três super estruturas horizontais principais, as quais conferem a rigidez necessária e sem as quais o projeto seria equivalente a um castelo de cartas, são elas: a quilha o hangar e o convés de voo, todas elas assumem a configuração de um paralelepípedo deitado ao longo de toda a embarcação, não sendo visíveis, inclusive o convés de voo e o hangar os quais se prolongam para as laterais, bem como para a popa e proa, assumindo a forma bem conhecida e revelada pelo seu aspeto exterior. A estrutura é ainda complementada por um casco duplo, formado por anteparas de aço de alta resistência e densidade com vários centímetros de espessura, tem por finalidade assegurar proteção adicional contra explosões provenientes de minas e torpedos ou contra colisões, absorvendo e esbatendo as ondas de choque impedindo uma inundação imediata, processo complementado no interior do navio por mais 23 anteparas transversais estanques, dois mil compartimentos também eles estanques e ainda dez anteparas corta fogo.

Convés de voo 250px|left|thumb