Ana Maria Nóbrega Miranda (Fortaleza, 19 de agosto de 1951) é uma romancista e atriz brasileira, conhecida pelas obras de romance histórico e da biografia com foco no período do Brasil Colônia.
Biografia Nasceu em Fortaleza, Ceará e cresceu no Rio e em Brasília. A partir de 1969 radicou-se no Rio de Janeiro, e em 2001 mudou-se para São Paulo.
Foi casada com o ator ítalo-brasileiro Arduíno Colassanti entre 1970 e 1972 e também, entre 1995 e 2018, com Emir Sader, professor de sociologia e cientista político.
Trabalhou em filmes do Cinema Novo brasileiro entre 1971 e 1979, como Como era gostoso o meu francês. Teve a formação literária tutelada pelo escritor Rubem Fonseca, entre 1979 e 1989. Nelly Novaes Coelho. Dicionário crítico de escritoras brasileiras: 1711-2001. Escrituras; 2002. ISBN 978-85-7531-053-3. p. 59 – 60.
Dirigiu o Instituto de Artes da Funarte e foi editora chefe da instituição entre 1977 e 1983. Recebeu formação na área de artes plásticas, cursando o Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília. É desenhista, ilustrou algumas das capas de seus livros. Foi escritora visitante em universidades como Stanford e Yale, nos Estados Unidos e representou o Brasil perante a União Latina, em Roma.
Em 2006, Ana Miranda voltou a morar no Ceará, onde segue residindo e trabalhando.
Carreira Estreia como escritora com as poesias de Anjos e Demônios (1978) e Celebrações do Outro (1983). O crítico Fernando Py, em matéria no Jornal do Brasil (19 de maio de 1979), escreveu: "Anjos e Demônios é um livro que, a princípio, fala mais à sensibilidade e à emoção; seguimos os versos da autora como se fossem fruto de confessionário, com suas aparentemente ingênuas nudezas de anjos e demônios internos. Essa impressão, no entanto, vai se desfazendo aos poucos; vemos surgir, aqui e ali, uma poesia de maior densidade, especialmente em certos poemas em que a expressão atinge uma invenção feliz [...]" Em O Globo de 11/3/79, Elias Fajardo da Fonseca definiu Miranda como "a moça que libertou anjos e demônios".
Em 1989 lança Boca do Inferno, na linha do resgate ou reinvenção da história e que tem como tema a cidade da Bahia do século XVII, e como protagonistas o poeta Gregório de Matos e o missionário jesuíta Antônio Vieira. O romance foi traduzido em vários países como Suécia (Wahlström & Widstrand, 1990); Dinamarca (Samleren, 1990); Holanda (Amber, 1990); Argentina (Editorial Sudamericana, 1990); Noruega (Gyldendal Norsk-Forlag, 1990); Itália (Rizzoli, 1991); Estados Unidos (Viking/Penguin, 1991); Espanha (Anagrama, 1991); França (Julliard, 1992); Inglaterra (Harvill/ Harper Collins, 1992); Alemanha (Kiepenheuer & Witsch, 1992, também em edição de bolso), entre outros. Este livro lhe rendeu o Prêmio Jabuti, Revelação, em 1990. Boca do Inferno foi incluído na lista dos cem maiores romances em língua portuguesa do século XX, elaborada por escritores, intelectuais e críticos brasileiros e portugueses, publicada no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo em 5 de setembro de 1998. miniaturadaimagem|Em entrevista. Em 1991 a autora publica o romance O retrato do rei, situado no ciclo do ouro em Minas Gerais, e em 1995, A última quimera, que tem o poeta Augusto dos Anjos como tema central.
Em 1996, lança Desmundo, que trata da história de órfãs que vinham de Portugal para casarem-se com os colonos no Brasil. O romance foi adaptado para o cinema em 2002, com o mesmo título, pelo cineasta Alain Fresnot.
Ainda em 1996, a autora publica a novela Clarice, com Clarice Lispector como personagem. No ano seguinte o romance Amrik revive a saga de imigrantes árabes recém-chegados em São Paulo, no final do século XIX.
Em 2002 chega ao público Dias & Dias, romance que tem o poeta Gonçalves Dias como tema. Em 2009, o romance Yuxin, Alma, de tema indígena, acompanhado de CD com músicas indígenas de Marluí Miranda, irmã da escritora.
2014 marca o lançamento do romance Semíramis, que tematiza o escritor José de Alencar, e do romance histórico biográfico Musa Praguejadora, A Vida de Gregório de Matos, onde retoma o poeta titular, anteriormente retratado em Boca do Inferno, como personagem. Em abordagem semelhante, publica em 2017 o livro Xica da Silva, A Cinderela Negra, sobre Chica da Silva.
Miranda é considerada uma romancista de linguagem e fabulação. Foi escritora visitante em diversas universidades estrangeiras, como Stanford, Yale e Berkeley, nos Estados Unidos, ou Tor Vergata, na Itália. Realiza palestras em instituições de ensino e centros culturais. Foi colaboradora da revista Caros Amigos, colunista do Correio Braziliense, e escreve no jornal cearense O Povo.
Prêmios e reconhecimento 1990 - Prêmio Jabuti, Revelação de romance, com Boca do Inferno 1994 - Prêmio da Biblioteca Nacional, para A última quimera 2003 - Prêmio Jabuti - com o romance Dias & Dias 2003 - Prêmio da Academia Brasileira de Letras, Romance, Dias & Dias 2009 - Sereia de Ouro, pela obra 2010 - Green Prize of the Americas, com Yuxin 2014 - Prêmio Bienal do Livro de Brasília (segundo lugar) para O peso da luz 2014 - Medalha Rachel de Queiroz, do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará 2015 - Prêmio da Academia Brasileira de Letras - Ficção, para Musa Praguejadora 2016 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Fortaleza 2016 - Prêmio Jabuti - Biografia para Xica da Silva A Cinderela Negra (segundo lugar) 2016 - Medalha José Mindlin do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará 2017 - Comenda Ordem do Mérito Cultural do Governo Brasileiro, MINC 2018 - Título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará,
Obra literária
Romances Boca do Inferno, Editora Companhia das Letras, São Paulo, 1989; O Retrato do Rei, Companhia das Letras, São Paulo, 1991; Sem Pecado, Companhia das Letras, São Paulo, 1993; A Última Quimera, Companhia das Letras, SP, 1995; Desmundo, Companhia das Letras, SP, 1996;. Amrik, Companhia das Letras, SP, 1997; Dias & Dias, Companhia das Letras, SP, 2002; Yuxin, alma, Companhia das Letras, São Paulo, 2009; Semíramis , Companhia das Letras, São Paulo, 2014;
Contos, Crônicas e Novelas Clarice (novela), Companhia das Letras, São Paulo, 1996; Noturnos (contos), Companhia das Letras, São Paulo, 1999; Caderno de sonhos (diário), Editora Dantes, Rio, 2000; Deus-dará (crônicas), Editora Casa Amarela, São Paulo, 2003; O peso da luz, Einstein no Ceará (novela), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2013;
Poesia Anjos e Demônios, José Olympio Editora/INL, Rio de Janeiro, 1978; Celebrações do Outro, Editora Antares, Rio de Janeiro, 1983; Que seja em segredo (antologia poética), Editora Dantes, Rio, 1998; Prece a uma aldeia perdida, Editora Record, São Paulo, 2004;
Biografias Musa Praguejadora, A vida de Gregório de Matos, Record, 2014; Xica da Silva, A Cinderela Negra Record, 2017.
Infantil Lig e o gato de rabo complicado, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2005; Mig, o descobridor, Editora Record, Rio de Janeiro, 2006; Mig, o sentimental, Record, Rio, 2010; Lig e a casa que ri, Companhia das Letras, 2009; Carta do tesouro, Armazém da Cultura, Fortaleza, 2010; Carta da vovó e do vovô, Armazém da Cultura, Fortaleza, 2012; Como nasceu o Ceará?, Edições Demócrito Rocha, Fortaleza, 2014; Menina Japinim, Companhia das Letrinhas, 2014;
Infanto-Juvenil Flor do cerrado: Brasília , Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2004; Tomie, cerejeiras na noite, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2006;
Trabalhos como atriz Cinema Ano Título Personagem 1981 A Rainha do Rádio Élida Falcão1979 O Princípio do Prazer Ana Menezes1978 Crônica de um Industrial AnitaAmor Bandido 1977 Na Ponta da Faca Estela1976 Padre Cícero Maria de AraújoOvelha Negra, Uma Despedida de Solteiro RitaUn animal doué de déraison Ana Maria1975 A Lenda de Ubirajara Jandira1973 Quem é Beta? Mulher da sociedadeO Rei dos Milagres 1972 Amor, Carnaval e SonhoIsolda Os Devassos Aluna1971 Mãos Vazias JovemComo Era Gostoso o Meu Francês Índia João e a faca Maria
Televisão AnoTítuloPersonagemNotas1977 Sítio do Picapau Amarelo Episódio: "Piloto"1973 Caso Especial Episódio: "O Capote"
Ver também Desmundo (2003), filme baseado na obra homônima de Ana Miranda
Ligações externas
Entrevista Carreira, Shirley. Imigrantes: a representação da identidade cultural em Relato de um certo Oriente e Amrik. In: Adelaide Clhman de Miranda [et al.] Protocolos críticos. São Paulo: Iluminuras, Itaú Cultural, 2008. Carreira, Shirley. Amrik, de Ana Miranda: a imigração libanesa revisitada. In:Kúmá / Decolonizziamoci – Interculturalità. n. 17, Roma,Uniroma, 2009.
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