A língua bielorrussa (беларуская мова, transl. belaruskaya mova), conhecida antigamente como rutênio branco ou russo branco, é a língua eslava oriental materna da maioria dos bielorrussos. De acordo com o censo de 1999, a língua bielorrussa foi declarada como uma "língua falada em casa" por cerca de 3,7 milhões de cidadãos bielorrussos (36,7% da população do país na época).Dados do censo geral da Bielorrússia de 1999 in English Destes, cerca de 3 370 000 (41,3%) eram etnicamente bielorrussos e cerca de 257 000 pertenciam a outras etnias (russos, poloneses, ucranianos e judeus). Cerca de 6.984.000 (85,6%) dos bielorrussos declararam sua "língua materna". Outras fontes, como o Ethnologue, colocam o número em aproximadamente 2,5 milhões de falantes ativos.Na Rússia, a língua bielorrussa é declarada como uma "língua familiar" por cerca de 316 000 habitantes, entre eles cerca de 248 000 bielorrussos, compreendendo cerca de 30,7% dos bielorrussos que vivem na Rússia (dados do censo russo de 2002). Na Ucrânia, a língua bielorrussa é declarada como "língua nativa" por cerca de 55 000 bielorrussos, que compreendem cerca de 19,7% dos bielorrussos que vivem na Ucrânia (dados do censo ucraniano de 2001 ucraniano). Na Polônia, a língua bielorrussa é declarada como uma "língua falada em casa" por cerca de 40 000 habitantes (dados do censo geral polonês de 2002 Table 34 (polonês) ).
Etnicamente, os bielorrussos são descendentes das antigas tribos eslavas - os dregovitsi, os radimitsi e os krivitsi - que habitavam o território entre os rios Pripet e Dwina Ocidental na margem setentrional do Dniepre e ao largo do Soz.
Nome
O nome em português
Bielorrussa - emprestada da língua russa (белорусский, Белоруссия), embora haja críticas a essa grafia, o nome oficial foi alterado em muitos idiomas em favor da grafia original. (ing. Byelorussian - Belarusian), mas a grafia portuguesa não foi alterada.
Nomes históricos
A lingua rutena - o nome usado para o antigo idioma bielorrusso. Este idioma foi a língua oficial do Grão-Ducado da Lituânia até 1699. Ruteno branco (tambem russo branco) - literalmente, uma tradução palavra por palavra das partes da palavra "bielorrusso". O termo "Ruteno Branco", com referência ao idioma, aparece em textos em inglêsб francês e alemão, desde pelo menos 1921.
Nomes alternativos
Grande Lituano (вялікалітоўская мова) – proposto e usado por Jan Stankievič desde a década de 1960, fazendo referência à língua da chancelaria do Grão-Ducado da Lituânia, com a intenção de romper com a "tradição em declínio de ter o nome relacionado à tradição moscovita de denominar as terras bielorrussas" e de pertencer à "grande tradição do Estado bielorrusso" Krievo ou Krivo (крывіцкая/крывічанская/крыўская (мова), em polonês: język krewicki) – derivado do nome da tribo eslava Kryvos ou kryvitchos (крывічы), uma das principais tribos na formação da nação bielorrussa. Criado e usado no século XIX pelos escritores bielorrussos de língua polonesa Jaroszewicz, Narbut, Rogalski e Jan Czeczot. Promovido por Vatslaŭ Lastoŭski.
Nome popular
Lingua simple (простая мова) ou local (тутэйшая мова) – usado principalmente em tempos antes da criação de uma linguagem literárial bielorrussa e da nação em geral. Supostamente, o termo ainda pode ser encontrado até o final da década de 1930, por exemplo, na Bielorrússia Ocidental. É amplamente usado até hoje na Podláquia em referência aos dialetos mistos polonês-bielorrussos falados lá. História Fase antiga - Durante os séculos XII e XIII existia na Bielorrússia uma língua escrita, o eslavo eclesiástico, utilizada nos centros culturais tais como Polack e Turau. Sem dúvida, uma antiga forma de bielorrusso foi usada como língua oficial pelo governo entre os séculos XIV e XVI no Grão-Ducado da Lituânia, que incluía a atual Bielorrússia, a Lituânia e a Ucrânia. Durante este período as regras gramaticais foram normatizadas no antigo bielorrusso, apesar da tendência a preservar as formas tradicionais do eslavo eclesiástico. Fase média - é a fase de esplendor, onde o bielorrusso alcança o seu máximo nível no , quando foi utilizada por Franciszak Skaryna (1485-1551) como base para suas traduções de muitos livros da Bíblia (publicada em Praga e Vilna em bielorrusso). Foi esta forma de bielorrusso que se utilizou para as grandes polêmicas religiosas da época, assim como para as três versões dos códigos legais do Grão-Ducado da Lituânia (em 1529, 1566 e 1588). A influência do polonês tanto na gramática como no vocabulário e no alfabeto (com a introdução do alfabeto latino, conhecido como Lacinka) começa a se tornar comum após a União de Lublin em 1569. Em 1696, o polonês foi declarado como único idioma oficial da comunidade polaco-lituana. As classes sociais mais elevadas escolheram a língua e a cultura polonesas. O bielorrusso praticamente desapareceu da literatura. Fase de decadência - até o final do , depois da União de Brest (1596), se inicia um declínio gradual do uso do bielorrusso em favor do latim, devido a tentativa de unificar as igrejas católica e ortodoxa, e depois em favor do polonês a partir do , até chegar ao ponto de se tornar proibido seu uso em documentos oficiais em 1697, proibição que marca o ponto de inflexão mais baixo em toda história desta língua. Durante o o bielorrusso escrito se manteve vivo graças a seu uso em peças teatrais escolares realizadas em festas religiosas e outras festas públicas. Após a divisão polaco-lituana (1792-1795) a Bielorrússia passa a integrar o Império Russo, de forma que as autoridades czaristas trataram o país com uma província da Rússia e sua língua como um dialeto do russo, proibindo o uso do bielorrusso nas escolas , como também textos em bielorrusso em qualquer jornal, o que só foi anulado em 1905. No começo do o bielorrusso não possuía um alfabeto codificado nem normas ortográficas e gramaticais. Após 1914, se estabelecem alfabetos padrões, latino e cirílico, para em seguida se firmaram normas gramaticais e ortográficas. Fase de ressurgimento - a divisão da comunidade polaca constituiu de certa forma o motivo do renascimento da língua no . Todo o território bielorrusso passou a fazer parte do Império Russo. Estudiosos russos e poloneses começaram, principalmente por questões políticas, a estudar a maioritária população rural dos territórios recém adquiridos, com a intenção de demonstrar que essa gente era russa ou polonesa. No decorrer dessas investigações, ficou em evidência a riqueza de sua cultura e de seu folclore, além de se perceber uma língua claramente independente: o bielorrusso. Quando o Império Russo caiu e os comunistas assumiram o poder em Moscou, estes favoreceram a difusão do russo por todas as repúblicas soviéticas, de forma que seu uso está amplamente difundido na educação e na vida pública da Bielorrússia.
Dados estatísticos De acordo com um estudo feito pelo governo bielorrusso em 2009, 72% dos bielorrussos falam russo em casa, enquanto a língua bielorrussa é usada ativamente por apenas 11,9% do povo do país. Aproximadamente 29,4% do povo bielorrusso pode escrever, falar e ler bielorrusso, enquanto 52,5% só podem ler e falar.
É também falado por emigrantes no Azerbaijão, Canadá, Estônia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Estados Unidos e Uzbequistão.
Dialetos O bielorrusso forma uma ponte entre o ucraniano e o russo e seus dialetos gradualmente se misturam com os dialetos russos e ucranianos em suas fronteiras.
Os dialetos do bielorrusso se dividem em dois ou três grandes grupos; ambas classificações consideram os grupos norte-orientais e sul-ocidentais, havendo um terceiro que percorre o país de leste a oeste numa faixa central. E é este último grupo que se considera como a base da língua literária moderna e do bielorrusso normativo. No extremo sul-ocidental há um dialeto especial, o grupo palésio da região da Palésia, que divide certas partes com o ucraniano, existindo várias tentativas de elevá-lo a língua sob o nome de palesiano. Dialetos norte-orientais Grupo Polonês Grupo Vicebsk-Mahilëu Dialeto Central Dialetos sul-ocidentais Grupo Ocidental Grupo Palésio Grupo Sluck-Babrujsk-Mazyr
Escrita Até o o bielorrusso utilizou apenas o alfabeto cirílico, mas a partir de então foi introduzido o alfabeto latino em uma variante modificada da ortografia polonesa, também conhecida como Lacinka. O primeiro jornal publicado, o Nasza Niwa ("Nosso Trigal"), que começou a ser impresso em 1906, trazia os textos nas duas formas de escrita: cirílica e latina, refletindo a divisão do povo bielorrusso entre ortodoxos e católicos. Ocasionalmente, o alfabeto árabe também foi usado por tártaros bielorrussos para escrever partes do Alcorão. Mas, sem dúvida, até os dias de hoje, os alfabetos cirílico e latino (lacinka) são oficialmente muito utilizados.
Fontes Proel Ethnologue
Ligações externas
Black Ruthenian language English-Belarusian dictionaries, in Lacinka Lacinka.com Metrica of GDL Statutes of GDL História do Lacinka (em inglês) Transliteração do bielorrusso Калита И. В. Современная Беларусь: языки и национальная идентичность. Ústí nad Labem, ISBN 978-80-7414-324-3, 2010, 300 s. s. 112-190.
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