Contagion é um filme estadunidense de 2011 dirigido por Steven Soderbergh e protagonizado por Matt Damon, Jude Law, Kate Winslet, Laurence Fishburne, Marion Cotillard, Gwyneth Paltrow, Bryan Cranston, Jennifer Ehle e Sanaa Lathan. Seu enredo trata da propagação de um vírus transmitido por fômites e das tentativas de pesquisadores, médicos e funcionários de saúde pública para identificar e conter a doença, da consequente perda de ordem social com o avanço da pandemia e a introdução de uma vacina para impedir sua propagação. Como outros filmes de Soderbergh, o espectador acompanha várias tramas interativas que se entrelaçam e complementam.

Após trabalharem juntos em The Informant!, Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns discutiram um filme que descreve a rápida disseminação de um vírus, inspirado por eventos como o surto de SARS de 2002-2004 e a pandemia de gripe A de 2009. Burns consultou representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas médicos como W. Ian Lipkin e Lawrence "Larry" Brilliant. A filmagem começou em Hong Kong em setembro de 2010 e continuou em Chicago, Atlanta, Londres, Genebra e São Francisco até fevereiro de 2011.

Contágio estreou no 68º Festival Internacional de Cinema de Veneza, na Itália, em 3 de setembro de 2011, e foi lançado em 9 de setembro nos Estados Unidos, 13 de outubro em Portugal e 28 de outubro no Brasil. Comercialmente, o filme arrecadou 135 milhões de dólares, tendo tido um orçamento de produção de 60 milhões de dólares. Foi elogiado pelos críticos por sua narrativa e performances. Também foi bem recebido pelos cientistas, que elogiaram sua precisão. O filme voltou a ganhar grande popularidade no início de 2020 com o avanço da pandemia de COVID-19, com a qual a pandemia do filme tem algumas similaridades. No fim do mesmo ano, uma sequência foi anunciada por Soderbergh, mas sem previsão de lançamento.

Enredo Beth Emhoff faz uma viagem de negócios para Hong Kong com uma escala em Chicago onde encontra um ex-amante. Dois dias depois de voltar para casa, nos subúrbios de Minneapolis, ela desmaia e tem convulsões. Seu marido, Mitch Emhoff, a leva para o hospital, mas ela morre por uma causa desconhecida. Ele volta para casa e descobre que seu enteado Clark também morreu, aparentemente pelo mesmo motivo. Mitch é isolado, mas é considerado imune; ele é libertado e volta para casa com sua filha adolescente Jory. Outros casos da doença misteriosa surgem em Chicago, Hong Kong, Tóquio e Londres.

Em Atlanta, representantes do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos se reúnem com o Dr. Ellis Cheever, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), e expressam temores de que a doença seja uma arma biológica destinada a causar terror no fim de semana de Ação de Graças. Cheever envia a Dra. Erin Mears, oficial do Serviço de Inteligência Epidêmica, para investigar em Minneapolis. A Dra. Mears rastreia a origem do surto chegando até Beth. Ela negocia com o poder público local, que reluta em comprometer recursos para uma resposta de saúde pública.

Em Hong Kong, a epidemiologista da OMS, Dra. Leonora Orantes, e as autoridades de saúde pública procuram filmagens onde Beth aparece em um cassino junto aos primeiros casos de Hong Kong, Tóquio e Londres e a identificam como a paciente zero. O funcionário do governo Sun Feng sequestra a Dra. Orantes para obter doses de uma futura vacina para sua aldeia. Enquanto isso, em Minneapolis, a Dra. Mears contrai a doença e morre. À medida que o novo vírus se espalha, várias cidades são colocadas em quarentena, e saques e violência eclodem.

No CDC, a Dra. Ally Hextall determina que o vírus desconhecido é uma mistura de material genético de vírus transmitidos por porcos e morcegos. O CDC tenta trabalhar em uma cura mas os cientistas não conseguem uma cultura de células na qual cultivar o recém-identificado vírus MEV-1. O professor Ian Sussman, da Universidade da Califórnia em São Francisco, viola as ordens do Dr. Cheever, que tinha mandado destruir suas amostras, e consegue cultivar o MEV-1 usando células de morcego. A Dra. Hextall usa a inovação para começar a trabalhar em uma vacina. Outros cientistas determinam que o vírus é transmitido por fômites, com um número básico de reprodução (R0) de quatro quando o vírus sofre mutação; eles projetam que uma em cada doze pessoas no mundo será infectada, com uma taxa de mortalidade de 25 a 30%.

O teórico da conspiração Alan Krumwiede publica vídeos sobre o vírus em seu blog. Em um vídeo, ele afirma que se curou do vírus usando uma cura homeopática derivada da forsítia. As pessoas que procuram forsítia atacam farmácias e lutam pelo medicamento. Durante uma entrevista na televisão, Krumwiede revela que o Dr. Cheever informou secretamente a amigos e familiares para que deixassem Chicago antes da cidade entrar em quarentena, e ele é informado depois que será investigado. Mais tarde, Krumwiede, tendo fingido sua doença para aumentar as vendas de forsítia, é preso por conspiração e fraude.

Usando um vírus atenuado, a Dra. Hextall identifica uma possível vacina. Para reduzir o tempo que levaria para obter o consentimento informado dos pacientes infectados, Hextall se inocula com a vacina experimental e visita seu pai infectado. Ela não contrai a doença e a vacina é declarada um sucesso. O governo oferece as vacinas por loteria com base na data de nascimento. A essa altura, o número de mortos chegou a 2,5 milhões nos Estados Unidos e 26 milhões em todo o mundo.

Meses depois de ser sequestrada, a Dra. Orantes se afeiçoou aos moradores da aldeia. A vacina recém-criada é fornecida por funcionários da OMS em troca da liberdade dela. Ao descobrir que as vacinas dadas à vila eram placebos, ela corre para avisá-los.

Finalmente, em um flashback, um trator da empresa em que Beth trabalhava derruba duas palmeiras em uma floresta tropical na China, perturbando alguns morcegos que aí se abrigavam. Um desses morcegos resolve se alimentar numa bananeira. Esse morcego encontra abrigo em uma fazenda de porcos e deixa cair um pedaço da banana, da qual se alimentava, e esta é comida por um porco. O porco é abatido e preparado por um chef de um restaurante, que aperta a mão de Beth após apenas limpar grosseiramente as mãos no avental, transmitindo o vírus para ela e revelando o início da pandemia.

Elenco miniatura|150px|Marion Cotillard, intérprete da Dra. Leonora Orantes. miniatura|150px|Matt Damon, frequente colaborador dos trabalhos de Soderbergh, foi escolhido para interpretar Mitch Emhoff. miniatura|150px|Kate Winslet viajou ao CDC para entender melhor sua personagem, a Dra. Erin Mears. miniatura|150px|Laurence Fishburne, intérprete do Dr. Ellis Cheever. Marion Cotillard como a Dra. Leonora Orantes: epidemiologista da Organização Mundial da Saúde, seu principal objetivo é rastrear as origens do patógeno MEV-1. Cotillard, um fã do trabalho de Soderbergh, conheceu o diretor em Los Angeles. A atriz francesa ficou encantada com o roteiro porque é "muito preocupada com germes. Eu sempre fiquei ... assustada, de certa forma, por todas essas doenças. Então ... era realmente algo que eu estava realmente interessado". Soderbergh disse que Orantes "cai em situações e precisa lidar com questões culturais e científicas que às vezes estão em desacordo", e observa que ela tem uma atitude "profissional", "distante", e de comportamento "desapaixonado", embora "algo aconteça com ela no decorrer da história que causa uma mudança emocional significativa". Matt Damon como Mitch Emhoff: Damon via seu personagem como a personificação do "homem comum" - um indivíduo que é visto como "um dos rostos humanos do supervírus" após a morte da esposa e do enteado. Soderbergh também coloca a falta de conhecimento médico e científico na personalidade de "individual comum" de Mitch, embora manter a situação dinâmica e convincente fosse um desafio para o diretor, pois estava preocupado que Emhoff fosse um personagem unidimensional. Soderbergh sentiu que Damon entendeu o conceito e atendeu às preocupações dos produtores. "Você nunca o pega agindo", disse Soderbergh. "Não há vaidade, nem autoconsciência no desempenho dele; é como se as câmeras não estivessem lá". O escritor Scott Z. Burns enviou a ele uma cópia do roteiro com uma nota onde estava escrito "leia isto e depois lave as mãos". Damon lembrou: "Eu realmente quero participar deste filme. Foi uma leitura fantástica, fascinante, muito rápida e muito emocionante e muito horrível, mas conseguiu ser realmente emocionante". Laurence Fishburne como o Dr. Ellis Cheever: um médico que trabalha nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Soderbergh admirou a capacidade de Fishburne de retratar uma figura empática e assertiva em filmes anteriores. Para Fishburne, Cheever era um médico "inteligente" e "competente" que muitas vezes simbolizava uma "voz da razão". Depois que ele consultou W. Ian Lipkin, virologista e professor da Universidade Columbia, as complexidades do personagem deixaram de existir para o ator. Jude Law como Alan Krumwiede: um fervoroso teórico da conspiração que, segundo Law, é o chamado paciente zero do "que se torna uma epidemia paralela de medo e pânico". "Definitivamente, queríamos que ele tivesse uma linha messiânica", disse Soderbergh, com quem Law conversou durante o processo de criação do personagem. Os dois discutiram as aparências e os comportamentos de um teórico típico da conspiração antigovernamental. O produtor Gregory Jacobs comentou que "o interessante é que você não está realmente certo sobre ele. O governo está realmente escondendo algo e o remédio herbal que ele está falando realmente funciona? Acho que todos suspeitamos de uma vez ou de outra que estamos não entendendo toda a verdade e, nesse sentido, Krumwiede representa o ponto de vista do público". Kate Winslet como a Dra. Erin Mears: uma oficial do Serviço de Inteligência Epidêmica, uma divisão do CDC. Na pesquisa para interpretar a personagem, Winslet viajou para Atlanta, Geórgia, onde visitou o CDC e consultou oficiais atuais e ex-funcionários do Serviço de Inteligência Epidêmica para obter informações não apenas sobre a vida cotidiana, mas também sobre o tipo de pessoa qualificada para a ocupação. "São pessoas que podem ser enviadas para zonas de guerra onde houve um surto de um novo vírus. O medo não é uma opção. Se o sentem, aprendem a afastá-lo". Winslet achava que Mears era capaz de levar a epidemia "ao nível leigo", para que o espectador pudesse compreender o escopo dela sem que a ciência deixasse a história desinteressante. Gwyneth Paltrow como Beth Emhoff: uma "mãe trabalhadora", como descrita por Paltrow, Beth é a figura central da investigação sobre o início da pandemia, sendo revelada no decorrer do filme como a paciente zero. Apesar de estar entre as primeiras vítimas do vírus, Paltrow acreditava que Beth tinha "sorte", pois pensava que os sobreviventes da doença estavam sendo deixados para lidar com as novas e difíceis condições da vida cotidiana, como encontrar comida e água potável. Quando em Hong Kong, Paltrow foi instruída por Soderbergh a tirar fotografias para serem usadas no filme e admitiu que estava apreensiva com a tarefa. "Eu era apenas mais um turista tirando fotos", disse ela, e acrescentou: "Senti um pouco de pressão. Quando Steven Soderbergh faz uma tarefa fotográfica, é melhor você voltar com algo decente". Jennifer Ehle como Dra. Ally Hextall: uma cientista pesquisadora do CDC. Soderbergh tinha visto a performance de Ehle em Michael Clayton, apesar de ter sido cortada antes do lançamento do filme, o que o levou a oferecer-lhe um papel em Contágio. Ele "sabia quem era Jennifer há muito tempo, e por isso não tive que pensar muito, honestamente". Elliott Gould como Dr. Ian Sussman: cientista pesquisador da Universidade da Califórnia em São Francisco, um campus voltado a ciências da saúde, Sussman identifica uma cultura celular capaz de cultivar o vírus.